Belchior

quinta-feira, novembro 19, 2009

Intolerância cristã

Religião, presunção e arrogância andam de mãos dadas. Há pouco, li sobre a reação de alunos cristãos do Distrito federal a aulas que propunham conhecimento mais abrangente de religiões afro-descendentes, e o repúdio à representação de imagens próprias do candomblé, que culminou no afastamento do professor. (*)
Houve certo exagero, sim, do docente, mas sigo pensando ser válido o ensino religioso nas escolas, sem que, contudo, impregne-se a cabeça do aluno com uma só vertente, seja qual for. Sigo pensando que bom é conhecê-las todas – todas quanto possível for. A educação religiosa pode ser uma poderosa ferramenta na construção de uma sociedade mais tolerante, mais inclusiva e de relacionamentos interpessoais verdadeiramente laicos.
É de extrema importância que nós, cristãos, despertemos para o fato de que a nossa verdade é verdade somente para nós, e que os que nos cercam têm o direito de percebê-la como equívoco, cerrando um ciclo de reciprocidade.
Nossa intolerância apenas gera, cada vez mais, igual intolerância por parte das religiões que há séculos reprimimos no cristão ocidente. A igreja convenientemente ignora pontos salutares da pós-modernidade como aceitação, tolerância e respeito à individualidade e ao pensamento oposto, fomentando um séqüito que se opõe de forma pertinaz a tratamentos mais igualitários na sociedade.
Seria interessante que as nossas crianças fossem municiadas de instrumentos que as possibilitassem notar que possivelmente suas famílias as instruem no cristianismo porque fomos colonizados e catequizados por um reino que se submetia a Roma. Se a história fosse outra, como foi para muitos outros povos, outra seria nossa fé, e, portanto, é preciso respeitar e bem-viver com histórias diferentes.
Meu Cristo não é um orixá, mas se meu semelhante o vir como tal, então que com ele se relacione de tal forma, seja no terreiro de candomblé ou no templo de uma denominação evangélica, porque, sim, há muitos evangélicos que, tendo feito suas oferendas, esperam receber da divindade que reverenciam os favores de exclusivo interesse que a este rogam. Não é isto parte do rito do culto afro? Qual a diferença? Os nomes? A liturgia?
Ser cristão, portanto, nada significa. Ser evangélico, ser católico nada é. Templos e terreiros têm a mesma finalidade e seus rituais religiosos por diversas vezes se confundem.
Deus não vê religião, não ouve músicas, não aplaude danças, não cabe em templos de concreto, não pode ser mensurado, domesticado, loteado ou formatado pelo homem. A humanidade não contém Deus e muito menos o esquadrinhou. Na verdade, muito pouco o compreendeu.
Sabe Deus de todas as coisas, sonda, ele, todos os corações e conhece os pensamentos. Comprou, ele, para si todas as nações, todas as raças, todos os ritos e todas as compreensões.
Acredito, sim, num só caminho, mas também em muitas formas de caminhar, e num só julgador de todos os passos e corações. Acredito na salvação do homem somente por meio do filho de Deus, seja encontrando-o nos templos ou nos terreiros. Ele é senhor das trevas e da luz e ouve clamores no mais alto dos montes e nos mais profundos abismos.
Pode ser que os intolerantes cristãos arianos tenham que curvar-se diante de um Deus negro que escolhe para si um culto com muitos atabaques e tambores.
Se a nossa sociedade conseguir que as crianças reflitam em múltiplas possibilidades, estaremos construindo um futuro mais humano, e se nós, cristãos, atentarmos para o fato de que não somos senhores de Deus, estaremos nos tornando mais parecidos com Cristo.
(*) Leia a matéria -e também comentários- no Correio Braziliense

quarta-feira, novembro 04, 2009

Velha novidade que se renova

Fábio Teixeira
A palavra evangelho já traz em si a alma da novidade. Evangelho é boa nova, a boa noticia, a agradável novidade que estava oculta dos séculos e das gerações: Cristo em nós, a esperança da glória. Jesus é o Evangelho. A boa mensagem não é um compendio teológico ou um pensar sobre o amor de Deus. Jesus, em pessoa, é a boa nova. Ele não é um credo, mas crer nele é vida eterna. Ele não é um código de ética, mas andar nele e ser como ele, é viver no caminho do certo. Então tudo se simplifica, já que, se ele é o Evangelho, pregar o Evangelho é pregar ele, e, antes disso, viver o Evangelho é buscar ele como molde, alvo, objeto e objetivo da carreira da fé. Isso é simples, já que a imagem do modelo Jesus é clara, está posta diante de nós nos evangelhos e em todo o Novo Testamento.
Tudo é simples demais. Viver o Evangelho é atentar para o Senhor Jesus, o Evangelho vivo, e para o que ele nos ensinou, mas tudo feito em amor, porque se não for em amor, na prerrogativa da liberdade de escolher a ele, não é Evangelho de Cristo, pois esse se cumpre em amar a Deus sobre tudo, e ao outro como a si mesmo. Fora disso, fora do amar, toda prática pode ser apenas evangélica, mas nunca o viver o Evangelho e para o Evangelho. Perdoar o ofensor, não julgar ninguém, tirar a estaca do próprio olho antes de querer arrancar o pequeno grão dos olhos do irmão, ver o outro superior a si mesmo, é servir, é amar, são os atos de justiça do Reino e toda a liberdade doce e transformadora, santa e simples que Jesus nos ensina a viver. É tudo simples, nada engessado, tudo muito livre e nada muito novo. É o ser mais humano e não o ser mais religioso. Simplesmente isso.
Não estranhamente, essas palavras podem soar novidade. Sei que parecem ser diante da velharia religiosa, legalista e empoeirada das instituições, mas não são novas, são apenas as Boas Novas. Também não são ultrapassadas, pois a Verdade se renova sempre na misericórdia renovável do amor de Deus em Cristo revelado.
Vivamos o Evangelho que não é nada novo, mas capaz de fazer tudo na vida virar novidade de vida.

segunda-feira, outubro 19, 2009

‘Ex-projetistas’

Vagando no Orkut, reencontrei essa comunidade.
Caramba! Sempre haverá feridas abertas, não? Claro! Sempre haverá novas pessoas na classe dos ex-membros. Já não lembro mais quanto tempo faz que saí, apenas lembro-me que foi temporal à saída do Fábio. Os primeiros momentos foram vividos como na comunidade, falando muito, criticando muito, extravasando muito. Fiquei pensando no tempo que passou. Graças a Deus que passou. As feridas fecham, as coisas boas ficam e a experiência surge.
As coisas boas mostram que houve dias impagáveis, de muitos risos, de corações sinceros, de amizades verdadeiras, de aprendizados importantes; mostram que construímos e fomos também construídos. A experiência mostra que fomos ingênuos e, muitas vezes, tolos, mas que fomos verdadeiros. E se fomos verdadeiros, não fomos os únicos, assim como não fomos os únicos tolos. Valeu a pena, e muito, só pelo fato de haver conhecido pessoas excelentes, cheias de virtudes, embora também senhoras de defeitos. Moysés Malafaia, Fábio Teixeira, André Bittencourt – com toda aquela truculência mesmo (rsrs) –, Denílson Alves, Jaiminho, Carlinhos... puxa, são tantos nomes, de tantos grupos e segmentos. No princípio, ainda desejava ser seletivo e cauteloso quanto a quem valia a pena citar, mas o tempo mostrou meus defeitos e a estupidez da minha presunção e arrogância. A graça que me alcança e o sangue que me lava e me compra a eternidade são igualmente para todos.
Não dá mais para viver entre os "projetistas". Entre outros impedimentos, eles ainda são capazes de me machucar e me ferir a alma, mas sou obrigado a admitir que só têm esse poder aqueles a quem eu amo, e Deus sabe o quanto eu os amei e o quanto fui sincero. Possivelmente, muitos vão seguir o mesmo caminho e ainda vão descobrir as mesmas coisas. Então, proponho que, quando a ferida fechar, oremos, de verdade, para que aqueles com os quais um dia nos alegramos estejam novamente a distância de um abraço, de um beijo, um pedido de perdão, um coração sincero, vestes branquiadas no sangue do Cordeiro, à direita do Pai, entre miríades de miríades. Porque bom, bom mesmo, é o Senhor. Só ele, e ninguém mais.
A todos nós, sem restrições, resta a graça.

sábado, agosto 22, 2009

Carlin e a bolsa de valores da religião


Sou muito ligado à sociedade norte-americana, por isso descobri agora, 13 meses depois, que George Carlin faleceu vitimado por uma parada cardíaca. Uma pena – sem deboche. O comediante preferido dos ateus era ácido em suas críticas às religiões. Conheci-o via YouTube e, longe de me ofender, diverti-me com muitas de suas felizes e corretíssimas colocações. Somente a hipocrisia e a ignorância podem impedir que nós, crédulos, admitamos a coerência do seu raciocínio. Carlin duvidava com veemência da existência de Deus e tinha o direito de fazê-lo.
Ateísmo é a religião da auto-suficiência, a religião de quem não tem necessidades e é emocionalmente bem resolvido ou, ao menos, que tenta ser. Ateísmo é a religião de quem se aplica a raciocinar e acredita fortemente que tudo se resume à razão, limitando-se à capacidade da compreensão humana. Como todas as demais religiões, merece respeito.
Não obstante à consideração que reservo aos ateus, admirei George Carlin pelo simples fato de perceber que fez o mínimo que se espera de um apologista – não se limitou a repetir ataques vazios, mas se aplicou razoavelmente em conhecer algumas doutrinas para então contestá-las com contradições e dúvidas.
As contradições cristãs são mesmo infindáveis, e inutilmente gasta-se quem tenta acobertá-las ou justificá-las. São frutos humanos de razões e atos igualmente humanos. Não tocam os Céus, não maculam a imagem do divino, senão a imagem do homem e de suas instituições religiosas. O engano que não se poderia cometer no ateísmo, no entanto, é justamente o preferido – confundir e mesclar o homem, suas doutrinas e suas instituições com Deus, fazendo-os um só objeto de infâmia.
À imagem e semelhança de Kant e Nietzsche muitos propositalmente fazem esta fusão com a finalidade de desconstrução de um sistema opressor que lhes inflige culpa. (Jo 3.20) Não há o que possa ser dito a esse tipo de ateu.
Acredito, contudo, na existência de um ateísmo autêntico, que percebi em Carlin que, muito além da piada pronta da religião cheia de contradições, enxergou as infinitas dúvidas que surgem mediante às poucas informações que possuímos a respeito da origem e do destino da existência. Esse é o ponto que mais interessa no ateísmo: as dúvidas. Nunca certeza, porque se dissermos certeza, senão para nós mesmos ("guardarás tua religião para ti mesmo!"*), incorremos no mesmo erro, crédulos e incrédulos, abraçando a arrogância e a presunção.
Ao dar-se o benefício da dúvida, o homem dá-se também os benefícios do respeito mútuo e da escolha segundo sua capacidade perceptiva, quando, por razões exclusivamente intelectuais – jamais por conveniências –, abraça uma crença, ainda que seja a de em nada crer, porque, sinceramente, precisamos admitir que tudo se resume à fé, necessária também para crer na abiogênese e na sua sucessão gloriosa de coincidências evolutivas de Darwin.
Se ateus e evolucionistas espirituais estão corretos, todos nós rumamos juntos a um nada, comum aos crédulos e incrédulos. Se, por outro lado, monoteístas cristãos estiverem certos em suas mais primitivas crenças e verdadeiramente existe um Deus no céu que a tudo criou e deu finalidade, e também enviou seu filho para remissão dos que nele crêem, então a coisa vai ficar muito feia, e nada engraçada, para George Carlin. Quando penso nele e em tantos outros ateus, lembro do que faz o investidor com seus bens, aplicando-os onde pode obter maior rendimento, livrando-se, ao máximo possível, dos riscos. O ateu é, segundo essa analogia, o investidor que aplica seu maior bem em uma crença com poucos rendimentos e muitos riscos.

(*) George Carlin

segunda-feira, agosto 03, 2009

Desrespeito à Bíblia

O Papa sentiu-se ofendido por uma galeria de arte que permitiu que vandalizassem um exemplar da Bíblia Sagrada. Sob o título ‘Feito à Imagem de Deus’, a exposição que causou horror na cristandade européia tinha como objeto central uma Bíblia sobre a qual os visitantes puderam escrever mensagens, comentários jocosos, fazer desenhos obscenos e afins. Duvidando que alguém o fizesse, o Papa desafiou que o mesmo se repita ao Alcorão.
Qual é, seu Bento XVI? Já dizia o sacro ditado cristão: “quem tem, tem medo” – é claro que ninguém vai promover o mesmo achincaclhe ao Alcorão. Em suas fileiras, o islamismo mantém radicalistas que defendem e promovem até suicídio como arma contra os infiéis. O Cristianismo prega, no máximo, perdão e amor. Pelo menos neste século.
Radicalistas são indivíduos anencéfalos que enfileiram qualquer seguimento religioso e que, durante séculos, infestaram o cristianismo promovendo o terrorismo medieval a todos quantos fossem julgados hereges e pagãos.
Embora já se vá distante a data em que Galileu se viu condenado ao confinamento por simplesmente crer que a terra se move, esse sentimento de vitupério em nós pelos tais rabiscos não é claro vestígio dessa praga no cristianismo?
O radicalista é extremista porque é insano, e, francamente, é insano ofender-se com rabiscos numa Bíblia. Trata-se de um livro como outro qualquer e que, creiam, não vai herdar o Céu. No Paraíso não haverá exemplares das Bíblias do Silas Malafaia ou do Russell Shedd . A Bíblia só é diferente quando torna-se Palavra de Deus. E só torna-se Palavra de Deus quando quem a lê, ou mesmo a ouve, a recebe como tal. A Palavra não passará jamais. A Bíblia, sim!

sábado, julho 11, 2009

Morrerás e não viverás

Os sonhos de Deus para o homem
Alguns ditos populares do evangeliquês nosso de cada dia são catastróficos, não exatamente pela agressão de seus absurdos exegéticos, mas pela ampla aceitação que conquistam no coração e na mente dos incautos. Um desses ditos, que facilmente viram adesivos de pára-brisas, é: “Não morrerei enquanto o Senhor não cumprir em mim seus sonhos”.
É verdade que ninguém há que possa impedir as ações de Deus ou mesmo coibir suas intenções, e, nisto, estão corretos os que, com brados vitoriosos, lançam mão desta frase.
O problema é que facilmente os ditos sonhos de Deus são distorcidos em sonhos e anseios exclusivos do mesquinho coração humano, montando-lhe uma potencial bomba de desânimo, desequilíbrio e morte, acionada por frustrações desencadeadas por desejos e metas que jamais se cumprirão.
Muito dificilmente esse dito é levado a púlpito deixando-se bem claro que também esses tais sonhos de Deus possam ser completamente adversos aos nossos. Deus também diz não, e é possível que entre seus desejos esteja também o desejo de morte.
Para a teologia de mercado, onde tudo sempre vai dar certo segundo nossos desígnios, um personagem áureo é Ezequias, o afamado rei de Judá que, tendo adoecido, ouve do Senhor que morrerá e não viverá. A teologia por de trás do “não morrerei...” exalta o rei Ezequias por causa de sua ‘bem sucedida’ oração que fez com que Deus lhe acrescentasse 15 anos de vida.
Ezequias é um marco na linhagem real de Judá. Antes, somente o Rei Davi, depois, nenhum outro pôde ser a ele comparado em termos de fidelidade e relacionamento com Deus. Ocorre, no entanto, que Ezequias poderia ser muito maior do que é, e nisto mesmo consistia o desejo de Deus para sua história – a coroação de uma vida que andou diante dele em verdade e com coração perfeito, fazendo o que era bom aos seus olhos.
Ferindo de morte o rei, Deus desejou isolá-lo historicamente de uma linhagem imunda, cuja fidelidade e compromisso com ele eram mais instáveis que as relações com reinos vizinhos. Como não tinha filhos, Ezequias seria esquecido na linha de sucessão. Morreria e não viveria.
O rei não foi capaz de entender o sonho de Deus para si, porque era sonho de morte. O tempo voltou 40 minutos, mas Berodaque-Baladã pôs os olhos nas riquezas do templo, e Manasses nasceu para cobrir de vergonha o nome e as obras de seu pai.
Morrerás e não viverás – contudo, um outro rei disse sim.
Mesmo diante da grande agonia que lhe fora proposta, aceitou os sonhos de Deus: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.” Eis o verdadeiro exemplo a ser seguido, a antítese da enaltecida gafe de Ezequias, mas cada vez mais execrável pela teologia do triunfalismo.
Sim! Que realizem-se em nós os sonhos de Deus, mas que também perseveremos nisso ainda que sejam sonhos de naufrágios, prisões e martírio. Que verdadeiramente não morramos enquanto não se cumpram seus desígnios, mesmo que sejam adversos aos nossos, e ainda que sejam exatamente desígnios de morte. Quando estivermos na situação do rei Ezequias, que também nos voltemos contra a parede mas que digamos a ele que não seja feito o que nós queremos, mas o que ele quer.

“O nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz” Salmo 115. 3

quarta-feira, julho 01, 2009

João Hélio



Eu também sou pai. Eu lembro!

A videira não mente

Fábio Teixeira - www.menteiluminada.blogspot.com
Jesus é a videira verdadeira. Não de fato uma videira, porém, ele mesmo ilustra nossa dependência dele como os galhos e frutos dependentes da seiva da árvore para sobreviver. Assim, plantados nele, por meio da graça, viveremos sustentados em seu amor.
Ele é a videira verdadeira. Acontece que outros seres evocam para si prerrogativas que são próprias da videira verdadeira. Igrejas, pastores e afins dizem, sem que digam, mas às vezes dizendo, que sem eles não há salvação. Dizem com sua teologia, estranhamente possuidora de Deus, coisas assim: "fora da igreja evangélica não há salvação; sem a cobertura pastoral não há vida com Deus; sem ser membro de alguma igreja não se é membro do Corpo; sem se estar nas rodas evangélicas, se está na roda dos escarnecedores; sem ouvir música evangélica não se adora a Deus; sem apóstolos não há avivamento; sem os ministérios não há ministério; sem títulos não há crescimento espiritual; sem levitas não há musica santa; sem os crentes não há Jesus". Há outras coisas ditas, como estas, que fazem da igreja uma videirinha falsa, geradora de videirinhas falsificadas, já que as coberturas espirituais, os discipuladores, os pais na fé e afins se veêm, e são vistos, como geradores das vidas que “ganham” e que, rapidamente, viram seus ramos e que, em gerando ramos, são ramos dos ramos. Cria-se, assim, bonsais da fé, cujo fundamento é a dependência no outro.
Pessoas são tratadas como possessão de líderes, bens espirituais, metas alcançadas, resultados pessoais. Geralmente, isso resulta em corações despedaçados a longo prazo. Você conhece alguém que um dia se descobriu oprimido, mesmo tendo certeza que era livre? Infelizes sorridentes. Cheios de belos discursos, mas com pouca vida de fato. Pouca seiva da Videira. São videirinhas plantadas em vasos eclesiásticos enfeitando as salas da dominação. São troféus ministeriais levantados quando necessário, mas na maior parte do tempo empoeirados.
Fica aqui o meu grito, que não é meu: Só há uma Videira. Nela fomos plantados.
O Pai nos limpou, e nos limpa por sua Palavra. Nada, nem ninguém, é videira.
Não quero ser videira. Meu papel é de ramo.
Conviver com os irmãos é bom demais; reunirmo-nos para adorar a Deus e estudarmos a Palavra é bom demais; cumprir, cada um, sua função no serviço de Cristo, em amor, é bom demais; orar, estudar, visitar, ensinar, aprender, tocar, levantar as mãos, dar as mãos e afins, é tudo muito bom demais. Tornar-se videira é mentir.
Que cada um, diariamente e em amor, beba e coma da seiva vida que flui na Videira Verdadeira.
No amor de Quem nos ensina que o fruto é o amor, e frutificar é amar.
Saúde e Paz.

sexta-feira, junho 26, 2009

"Quais são as palavras que nunca foram ditas"... e precisamos urgentemente
dizê-las?

Há, ultimamente, algumas orações que não me saem da cabeça. Tantas são as necessidades, sonhos e desejos humanos, que há uma infinidade de palavras que carecemos para expressá-los a Deus. Três sentenças, no entanto, são sine qua non para a vida cristã, e encontramo-las em orações nos Evangelhos de Marcos e Lucas.

Evangelho de Marcos 10.51: “... Mestre, que eu veja!”.

Parece óbvio que um cego, tendo a oportunidade de fazê-lo, peça a Deus que o cure e, portanto, quem enxerga, nada tem a ver com estas palavras, certo? Ocorre que Bartimeu levava vantagem sobre qualquer outro homem porque, diferente de todos, ele sabia que não enxergava. Isso mesmo! A diferença entre nós e Bartimeu está no fato de que ele estava cônscio de sua debilidade, enquanto, nós, levamos a vida sem nos dar conta que sofremos do mesmo mal.
Porque não enxergamos nossa principal debilidade, somos incapazes de ver o outro, o próximo, o amigo, o irmão, como eles realmente são, com todas suas qualidades e também defeitos, a importância deles e o quanto deles somos dependentes. Somos incapazes, muitas vezes, de ver a riqueza dos dias e das manhãs, de ver as dádivas da saúde, do riso, do abraço, do afeto, do emprego, da comida, da água abundante, e, também, do sangue derramado e da salvação gratuitamente ofertada. Há entre nós vidas consumidas pela cegueira que, tendo tanto e tantos, são capazes de viver em completa tristeza e agonia por algo que não possuem. Não foi à toa que Cristo nos disse que olhos bons põem todo o corpo em luz.

Evangelho de Lucas 18.13: “... Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”.

Quem julga enxergar precisa notar sua real condição. Somos todos iguais e igualmente carentes da graça e da misericórdia de Deus. Não há nada que possamos a ele ofertar que nos faça merecedores do seu favor e da sua atenção. Quão perniciosas são a presunção e a soberba que, não somente nos dizem que podemos e capazes somos de pagar a Deus, ou aos Céus, nossas dívidas e nossos pecados, como também de que somos capazes de tornarmo-nos livres de pecar, super-homens, santarrões, que não somente a todos podem julgar e condenar, mas também determinar como, de Deus, podem os homens se aproximar e com ele se relacionar. Se permitirmos que a presunção tome nossos corações, nos tornaremos como os de Laodicéia, e, do próprio Deus, ouviremos que somos desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus. (Apocalipse 3.17-18)

Evangelho de Lucas 23.42: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino”.
O famoso ladrão da cruz é o golpe mais duro nas infinitas doutrinas de sacramento. Ele não freqüentou os cultos de domingo, não tomou a santa ceia, não dizimou, não ofertou, não comeu a hóstia, não se batizou, não fez crisma, não se circuncidou, não guardou o sábado e tampouco o domingo, não recebeu extrema-unção, e ainda assim ouviu do Filho de Deus que, naquele mesmo dia, como ele estaria no paraíso. O grande absurdo do Evangelho de Cristo consiste no fato de que o senhor da salvação é ele, e não nós. Muito antes, Deus já havia dito a Moisés (Êxodo 33.19) que teria misericórdia e se compadeceria de quem ele quisesse ter misericórdia e se compadecer. A salvação eterna, o caminho vivo e verdadeiro que leva a Deus, não pertence aos crentes, aos evangélicos, aos católicos, aos umbandistas, aos hindus, aos kardecistas, ou a qualquer outro, mas a Cristo, o filho de Deus, ao cordeiro de Deus que tira o pecado de todos os homens, em todos os tempos e em todas as gerações, e que foi, por Deus mesmo, ofertado desde a fundação do mundo (Apocalipse 13.8). O que fez o ladrão da cruz, fazem também, hoje, muitos homens de todas as línguas, nações, ideologias e crenças quando, tocados pelo Espírito Santo, compreendem que têm diante de si o salvador, e o reconhecem não como um guru, um espírito iluminado, ou um grande sábio da humanidade, mas como Senhor e Rei, como o próprio Deus que ofertou a si mesmo para que nele se cumprisse a justiça que determina que, sem derramamento de sangue, não há perdão de pecados. (Hebreus 9.22).

Entre tantas coisas que a Deus posso dizer, prefiro antes estas orações. Que, nas minhas orações, eu peça que não perca a habilidade de enxergar as pessoas que eu amo e de como sou rico por tê-las comigo. Que eu agradeça por tudo que eu tenho, mesmo que não seja tudo o que eu quero e julgue precisar. Que sejam orações nas quais eu consiga expressar um coração cheio de gratidão pelo perdão dos meus pecados, pela recondução ao Céu, pelo vivo sacrifício de Jesus e pelo privilégio de percebê-lo. Que eu peça a Deus que nunca deixe me sentir melhor que meus irmãos, mais santo que eles, ou mais merecedor da graça de Deus que qualquer outro homem que seja. Que, ao contrário, haja em mim um coração perdoador, capaz de perceber que também eu machuco e magôo, e que há em mim também, todo o potencial de maldade e maledicência que há em qualquer homem e mulher e que, portanto, não sou melhor que ninguém, e a ninguém posso julgar. Que possamos dizer palavras assim, que inspire quem perto de nós esteja a dizer: “Senhor, lembra de mim. Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim, pecador”.


Abençoe-nos Deus. Todos os dias.

domingo, junho 21, 2009

Nem todo o que me diz: irmão, irmão!

Dizia a antiga canção que "se o teu coração é igual ao meu, [...] meu irmão serás". A letra tinha uma proposta antipartidarista, mostrando que cristão é quem segue a Cristo e não a uma denominação.
Verdadeiros cristãos, no entanto, não precisam de canções para saberem que Igreja e Corpo não têm absolutamente nada a ver com denominações ou instituições religiosas, contudo, as canções continuam sendo necessárias, porquanto cristãos verdadeiros são poucos, e partidaristas uma incontável miríade, "tantos como a areia da praia".
"Irmão, você é benção na minha vida"; "Irmão, eu te amo"; "Paz do Senhor entre nós, irmão!". De verdade, alguém deixaria um irmão no ponto de ônibus, sob forte chuva, tendo espaço em seu confortável carro e indo para o mesmo bairro? Alguém deixaria seu irmão ficar sem luz, telefone, dinheiro de passagem ou até mesmo comida, tendo plenas condições de supri-lo? Alguém deixaria de visitar um irmão que estivesse doente? Alguém evitaria ir à casa de seu irmão por causa de desigualdade social? Quando encerra-se a reunião dominical, facilmente percebe-se que o termo “irmão” é utilizado apenas para designar um membro, um colega de séqüito.
O irmão Ronaldo veio do Espírito Santo para o Rio. Aqui, conheceu Cristo, recuperou-se do alcoolismo e conseguiu um trabalho na igreja – ganhava o suficiente para comer e se vestir, e, em troca, trabalhava o dia inteiro. Quase todas as noites também, em tudo que fosse necessário.
Não era estúpido, havia perdido um bom emprego na Odebrecht e sua família somente por causa do vício, e, embora soubesse que não recuperaria seu status quo, pôde ainda iniciar-se em uma nova profissão. Abriu um pequeno negócio de informática, alugou uma modesta casa e trouxe de volta sua família. Estava feliz, havia recuperado sua dignidade.
Achou-se no direito de deixar o trabalho de mais de uma década na igreja – sem levar um vintém sequer – para dedicar-se integralmente ao seu negócio. Cometeu terrível engano.
Pouco tempo depois foi acometido de um derrame que paralisou parcialmente seus movimentos, o suficiente para comprometer suas habilidades, além de dificultar novos contatos pela mudança em sua aparência.
Achou que poderia contar com seus irmãos. Outro engano. Ronaldo não tinha mais a mesma utilidade para a igreja, ficou lento e complexo na fala. Não servia mais. Ganhou uns trocadinhos e muito desprezo.
Quatro anos depois, sob muitas pás de terra, sozinho num quarto de uma oficina que lhe fora cedido, sofreu a primeira parada cardíaca numa manhã. Outras duas se sucederam até que o único irmão que não o abandonou notasse que havia algo errado com Ronaldo, que já não tinha mais voz para pedir socorro. Era tarde demais quando, à tarde, deu entrada no hospital.
Ao menos restou aos muitos outros irmãos e aos familiares a última despedida, a última mostra pública de consideração e estima. Outro engano. Foi enterrado quase sozinho. Eu estava lá, mas lembro muito bem que lhe disse que não iria mais lhe emprestar os ouvidos para ouvi-lo blasfemar. Ainda bem que aquele de quem meu irmão blasfemava, nunca, em momento algum o deixou, antes prometeu que estaria com ele todos os dias, que não o deixaria nem o abandonaria. Se fizesse sua cama no mais profundo abismo, ali estaria. Se subisse o mais alto dos montes, ali também estaria.

Irmãos, de verdade, cristãos, de verdade, são pouquíssimos.

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade". Mateus 7.21-23

sábado, maio 09, 2009

A multidão só quer o pão

Este texto é parte de tema desenvolvido em: http://depitaco.blogspot.com/

Cada um tem o que busca. Há quem busque ser tosquiado. Há quem engorde muito com carne de ovelha magra.
O grande 'problema' do Evangelho de Cristo é sua insistência na afirmativa da necessidade do homem em relacionar-se com Deus por meio de seu filho. Relacionamentos exigem, inexoravelmente, vínculos e comprometimento, e eis aí nosso grande entrave. A sociedade pós-moderna não lida bem com compromissos e concomitantemente é profundamente mística.
Misticismos se constroem com crendices que se sustentam pela ignorância. Entende-se, portanto, porque tanto sucesso fazem as religiões de mercado. Pirâmides, duendes, cristais, incensos, anjos, cores, luzes e afins são capazes de curar, dar paz, trazer sucessos, proteger, consertar erros e mudar realidades incômodas, sejam elas quais forem, sem requererem nenhum compromisso de quem delas se utilizem.
Diante dessa realidade, as religiões concorrentes precisam recuperar o fôlego perdido. Se há uma pessoa – a pessoa -, haverá relação e compromisso, e isso é demasiadamente cansativo, a menos que se ofereçam bônus, pontuação e milhagem por fidelidade. Portanto, já é possível ser evangélico sem Cristo. É isso que se busca. Sim, até queremos Cristo! Só precisamos saber que vantagem teremos.
Ninguém quer ouvir que Deus não lhe deve nada, que está no Céu e que faz tudo que lhe apraz. Queremos um Deus semelhante a nós: manipulável. Só precisamos encontrar quem, manipulando-nos, prometa-nos manipulá-lo. As palavras de Cristo são demasiadamente enfadonhas se não devidamente retificadas pelo nosso bondoso manipulador. Só ele sabe açucarar um fardo não tão leve assim. Sim, eis nossa lã! Eis nossos dízimos, nossas ofertas e oferendas, nossas “primícias”, nossos “desafios”, nosso dinheiro e tudo mais que se exija – dá-nos, tão somente, o poder de controle sobre a divindade que tudo pode, mas que tem a péssima mania de querer mudar-nos e fazer-nos semelhantes a ele.

Primeiro, morrerão os mais próximos aos chiqueiros

Este texto é parte de tema desenvolvido em: http://depitaco.blogspot.com

Noventa por cento de chance de sobrevivência. Queria ver a ministra Dilma ter as mesmas chances caso possuísse o mesmo seguro de assistência médica que eu: Golden SUS.
O que assusta não é a certeza de que gripe A vai desembarcar em nosso protegido território brasileiro, mas a de que nossos governantes continuarão inertes frente às necessidades de um investimento sério no sistema de saúde pública, independente da pandemia que se apresente. O que assusta de verdade é saber o tipo de “medicina” que nós, que não estamos na Casa Civil, disporemos. O coágulo está de um lado, e os médicos operam do outro. Interna-se a mãe e ganha-se uma estranha para levar para casa e cuidar. Imagine essas mentes brilhantes diagnosticando uma variação do influenza H1N1.
Cedo ou tarde, a humanidade será dizimada. Ira de Deus? Não, mas o cumprimento de sua Palavra no abrir dos selos, no tocar das trombetas e no derramamento das taças do Apocalipse que, certamente, tragarão primeiramente os desfavorecidos.

quarta-feira, março 26, 2008

John Newton

"Não sou o que devo ser, não sou o que quero ser, não sou o que um dia espero ser; mas graças a Deus não sou o que fui antes, e é pela graça de Deus que sou o que sou."

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Proporções



Quando simplesmente leio a respeito do tamanho dos planetas, tenho dificuldade de imaginar suas proporções.



Mas quando vejo assim, de forma ilustrada...



... tenho dificuldade de evitar uma pergunta:



Deus, por que o Senhor se importa comigo?



Antares é uma supergigante vermelha, distante aproximadamente 600 anos-luz da Terra, 300 vezes maior que nosso Sol (estima-se um raio aproximadamente igual a órbita de Marte) e 10.000 vezes mais brilhante, porém a sua massa está calculada entre 15 e 18 vezes a massa solar. A temperatura média de sua superfície é de aproximadamente 3500 K (aproximadamente 3226,85 ºC). Wikipedia

Mesmo sem te entender, eu te agradeço por não considerar minha finitude e me amar tanto.
Quem sou eu sem você, Senhor?

"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, pergunto: que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Salmo 8.3-4

terça-feira, novembro 13, 2007

Outro ano já se foi...

...e aqui, com esta última postagem aí embaixo, me despeço dos poucos leitores. Fim de ano é inviável escrever qualquer coisa – pago todos os pecados de vagabundagem que cometo durante todo o ano. Deus nos guarde e nos mantenha firmes no verdadeiro Evangelho de seu filho. Bom natal e feliz reveillon! Até Março.... fui.

Marcelo Belchior

Minha avó, sua certeza e o
apostador insensato.

Não mais tenho avós paternos. Há uma semana, me despedi pela última vez da minha avó. Domingo à noite, mais uma vez sentiu-se mal, mas preferiu sofrer as dores calada, não obter socorro e ir ao encontro do seu Senhor. Vovó era a madrasta de meu pai – cuja mãe morrera quando ele ainda tinha 12 anos de idade – foi a mulher que conheci como companheira de meu avô e mãe dos meus tios. Minha avó de fato. Era crente do tipo carola, com direito a coque, saião, Bíblia debaixo do braço e cabelo sem corte. Seu humor e sua fé eram ímpares.
Ontem, ao perder o sono no meio da madrugada, não consegui parar de pensar numa frase inquietante de um tio naquele funeral: "Quando morrer não quero nada disso. Me enterrem e pronto. Não creio em nada depois da morte". A comparação que me tirou o sono foi inevitável: de um lado, uma mulher de 73 anos que se deixa morrer motivada pelo cansaço da vida, quiçá também pela solidão, mas também pela sensação do dever cumprido e pela certeza absoluta do seu destino pós-morte. Fiquei imaginando como deve ser sentir o coração parando e manter o silêncio, esperando ser tirado da única realidade que se conhece. Essa completa ausência de pavor diante do desconhecido é no mínimo inspiradora... mas, do outro lado, tenho um tio dizendo crêr na inexistência. Que aposta suicida!!! Se não existe nada no pós-morte, nada se ganha, mas também nada se perde. Se existe reencarnação, também nada se perde, mas sendo o Evangelho de Cristo a única verdade, as perdas são imensas e as fichas que se vão são irrecuperáveis para quem em Deus não empenha sua vida. Se Evangelho é uma filosofia apenas, então é de todas a mais cruel, pois fora dele ninguém se salva da morte. Então a pergunta que não consigo parar de fazer é: por que apostar a vida numa jogada em que a derrota e o vazio da inexistência são a única certeza e garantia? Certamente, meu tio não se permitirá morrer sem uma agonizante luta pela única vida que crê existir. O pavor, o terror e o suor frio lhe estão garantidos. Eis a insensatez em sua mais palpável forma.

terça-feira, setembro 11, 2007

Moedinha



Clique na imagem para ampliar.

A justiça paulista determinou que uma denominação evangélica devolva R$2mil, acrescidos de juros e correção monetária, a um fiel que se arrependeu de fazer uma doação.
O crente diz que foi induzido pelo pastor que prometeu que, pela tal oferta, Deus iria abençoá-lo financeiramente, mas que se ele se recusasse, o diabo iria tirar o pouco que lhe restava.
O precedente está lançado e qualquer um que se sinta lesado pelos mesmos motivos, sob os mesmos argumentos, pode pedir na justiça seu dinheiro de volta. Caso Deus não cumpra sua parte no acordo comercial firmado por seus representantes, que chegam a prometer 10.000% de rentabilidade às ofertas, o famoso cem por um, processe-o!
O que estão vendendo é um Deus mercadológico de escambo religioso. É umbanda gospel, onde a entidade espiritual
torna-se refém de interesses mesquinhos, mediante um despacho em moeda corrente. Se não funcionar, desfaça o negócio. É justo.
Infelizmente, sei que não vai haver um estouro de boiada rumo aos tribunais. Este é um caso isolado. Não vai haver uma enxurrada de processos semelhantes simplesmente porque a maior aliada dessa liderança evangélica não é a promessa de prosperidade, mas sim, a ameaça de destruição. Funciona sempre da mesma forma: se você não pagar o que deve a Deus, ele vai soltar seus rottweilers cobradores, seu SPC e SERASA, também conhecidos como gafanhotos devoradores, migradores, cortadores... O medo não só garante a arrecadação como também inibirá outras ações nos tribunais. Deus é mau! Cuidado com ele.
O golpe só será sentido por essas instituições gospel-bancárias no momento em que o gado começar a notar que Deus abençoa e guarda por causa do seu amor e fidelidade, e não porque sua graça e misericórdia têm preço. Quando as mentes desembotarem, haverá abalo nos cofres das denominações que apoiaram a sobrevivência de suas instituições no medo e na ignorância, em vez de no amor e na verdade. Dois mil reais, por enquanto, é moedinha.

terça-feira, setembro 04, 2007

Monogamia: novos argumentos,
velha discussão

O Mito da Monogamia é o título que chegou às prateleiras brasileiras no início do mês de agosto e que, desde o ano passado, nos EUA, vem botando lenha nova num braseiro aceso desde o início da humanidade. O casal monogâmico David Barash e Judith Lipton tentam atestar, por meio de sérias pesquisas científicas, que o casamento não passa de uma união de fachada para a maioria dos seres humanos. Segundo os autores, os homens são polígamos por natureza e as mulheres naturalmente infiéis.
O argumento biológico em favor da multiplicidade de parceiros não é novo, mas nas páginas deste livro ganhará força pela amplitude das pesquisas no reino animal em diversos espécimes, desde Macacos a Moscas. É claro que não esqueceram de adicionar às páginas, os argumentos antropológicos, sempre citados pela classe literária mais culta, da comodidade e da conveniência das sociedades modernas na gestão de bens e na criação de filhos, como motivos para a sustentação do modelo monogâmico.
Agita-se os ingredientes e sai aí mais um campeão de vendas que fomenta a mídia, movimenta o mercado, evidencia os autores, municia mentes fracas, alivia a culpa dos adúlteros e anima os papos de botequim.
"Os infantes têm a sua infância. E os adultos? O adultério." Não é a primeira vez e nem será a última em que ouviremos atrocidades como esta em favor do desmantelamento progressivo da instituição do casamento como conhecemos hoje, mas, com certeza, o que sistematicamente se faz é ignorar que a argumentação da comodidade socioeconômica como fundamento desta "utopia", esbarra no fato de que em séculos anteriores, em todas as culturas, a poligamia foi a melhor e mais coerente forma de união conjugal por causa dos perfis políticos, militares, econômicos e diplomáticos que possuíam. Raríssimas vezes esses relacionamentos fundaram-se sobre o amor entre os cônjuges que de forma alguma se escolhiam. Ignora-se o fato que a mulher era, e ainda é em muitas culturas orientais que sustentam a poligamia, vista como propriedade de seu marido. Foi a evolução cultural e religiosa, esta última pelo Cristianismo, que amplificou o feminino grito de liberdade e que aplainou a estrada da monogamia ainda no primeiro século AD. Foi a liberdade, não a comodidade e a conveniência, que deu poderes ao amor exclusivo e exclusivista entre homens e mulheres.
Os novos argumentos biológicos são, no máximo, curiosos. Comparar a complexidade dos relacionamentos humanos à cópula de moscas e ao bacanal de primatas é tão tosco quanto tentar justificar infanticídios ou várias outras selvagerias humanas pelo mesmo argumento de similaridade.
De verdade, não há nada de novo nessa novidade científica e literária. A Bíblia, há mais de 1900 anos, afirma que, biologicamente, somos não somente adúlteros, políginas e poliândricas, como também homicidas, ébrios, egoístas, invejosos e coisas semelhantes, e mostrar que tudo isso é inerente ao ser humano não tornou nenhuma dessas características agradáveis ou mesmo aceitáveis durante todos esses séculos.

"Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo." Efésios 5.28

terça-feira, agosto 28, 2007

Kant e a cafeteira do Jornal do Brasil

Conta-se, dos tempos áureos daquela redação, de um funcionário que viu uma incrível máquina de café. Maravilhado, afirmava que a cafeteira não somente fazia o café como também servia o copo, o adoçante e que ainda punha a colherzinha para que o café fosse agitado. O pobre homem sofreu durante anos com o menosprezo dos colegas que, com muitos risos e piadas, o desmentiam... Na década de 70, o JB adquiriu um modelo da tal cafeteira, mas o mentiroso já não fazia parte da equipe. Não houve tempo para retratações.
"De modo que para afirmar que algo existe não é suficiente ter a idéia deste algo, mas ademais há de se ter a percepção sensível correspondente; tê-la ou poder tê-la. É assim que de Deus não temos, não podemos ter a percepção sensível correspondente; logo não podemos em virtude de sua idéia, afirmar sua existência." Immanuel Kant (1724-1804)
Foi exatamente esse o argumento utilizado para ignorar a existência de algo concreto e palpável para qualquer um de nós nos dias de hoje. Se não há percepção de forma alguma, então atribui-se inexistência. A incongruência está na própria máxima de Kant que afirma que tudo é relativo.
No pequeno exemplo do JB, o erro foi desconsiderar o testemunho do amigo, uma vez que a existência da cafeteira era relativa somente à experiência daquele que vivenciou algo diferente e distante daquele universo. Num caso mais amplo, o erro do próprio Kant também foi desconsiderar o testemunho daqueles que estavam distantes, não no espaço, mas no tempo muito anterior ao dele e ao nosso.
David Hume afirmou que nossas percepções sensíveis são nada mais que nossas, e que não lhes correspondem nada fora de nós. Kant, que influenciou-se muito por sua literatura, prendeu-se somente à “percepção” e esqueceu-se da sua própria “relatividade”.
Talvez para ele não tenha sido possível, como também não será para muitos dos que crêem exatamente como ele, retratar-se ao perceber que a imperceptível cafeteira existe mesmo.

"Depois disse a Tomé: Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não mais sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram." João 20.27-29

quarta-feira, julho 25, 2007

Que se dane!

É, eu preciso dizer mais isso, sabe? Me importo demais com coisas ridículas. Que se dane a opinião alheia. A partir de agora, quero não mais perder oportunidades de dizer escrachadamente "eu te amo" para quem amo mesmo. Que se dane se vou me tornar chato ou correr o risco de vulgarizar as tais palavras de amor - não tenho compromisso nenhum com palavras. Tenho, sim, comigo. Vou dizer que amo não por causa de quem é amado, não! Vou dizer por causa de mim, por egoísmo mesmo. Somente para minha gratificação, para meu próprio deleite quero abraçar
e beijar os meus.
Quero ligar mais para dizer abobrinhas. Quem sabe até enviar e-mails bobos para os que me são caros demais. Que se dane se alguns vão me achar meloso e outros farão chacota, até porque, possivelmente, é exatamente por essa característica que os amo.
Que se dane o natal, o ano novo, a páscoa, os aniversários e quaisquer outras datas festivas. Eu vou é tirar proveito de qualquer situação para dizer aos meus familiares, amigos e até aos colegas de trabalho que eles são importantes para mim, que preciso muito de cada um deles e que se por qualquer motivo não vê-los mais, vou sentir muita falta. Quem sabe dessa forma não me sinta tão roubado no coração se me separar de quaisquer deles.
Quero falar mais, e mais abertamente, do Evangelho de Cristo. Falar que Jesus está vivo, sim, e que é verdadeiro. Que é o único mediador entre Deus e os homens que se sacrificou em nosso lugar, que seu sangue lava todos os nossos pecados, que nos ama individualmente e quer ser o melhor e mais fiel amigo e Senhor de cada um de nós. Farei isso não com aquele nobre e elevado intuito de cumprir a missão de pregar o Evangelho, mas por mim mesmo, para que eu alcance o privilégio, o prazer e a alegria de, onde eu estiver, ter todos eles sempre perto de mim. Tudo movido por egoísmo. Paulo disse que importa é que seja pregado.
Vou dizer para os meus irmãos, os de ventre e os de sangue, que mesmo que eles me desapontem, mesmo que discorde deles, mesmo que me entristeçam e até mesmo se nos desentendermos, acima de tudo, eles são meus irmãos e eu não abro mão de nenhum deles. Com humildade pedirei que façam exatamente o mesmo por mim e que tenham sempre muita paciência comigo porque sei exatamente que tipinho de gente eu sou.
Se meu comportamento causar estranheza, que se dane! Insistirei em amar e não mais abster-me em demonstrar o quanto sou carente dos meus.

"Portanto, meus irmãos, a quem amo e de quem tenho saudade, vocês que são a minha alegria e a minha coroa, permaneçam assim firmes no Senhor, ó amados!" (Fl 4.1)

quinta-feira, julho 19, 2007

Eu não me preparei



"Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor." Romanos 14.8

Amo você, maninho. Mas não te disse isso. Achei que o teria sempre ao alcance de, ao menos, um telefonema. Esperei tudo, até que você reagisse com partidarismo quando me visse de novo – e eu entenderia –, só não esperava que o Senhor te recolhesse tão cedo. Perdi meu tempo achando que te veria ainda muitas vezes, meu irmão, ainda que de longe. E só de te ver bem, eu já me daria por contente, afinal foi sempre assim que eu agi. Não me dei tempo para simplesmente pegar o telefone e dizer: "e aí, mano velho! que saudade, cara! você me faz falta." Faltou dizer que amo você pra caramba, meu amigo. Faltou dizer que aprendi muito com você. Faltou te abraçar e te dizer que você é importante pra caramba. Eu errei. Cometi o mais tolo dos erros: achar que todos temos todo o tempo do mundo. Vai ficar tudo entalado na garganta até o dia em que, diante do Senhor, eu te veja de novo. Até breve, Moysés.

terça-feira, julho 17, 2007

"Meu sonho de consumo não
vai me consumir"

Seja feliz num carro X! Peça já o seu cartão Y Platinum! Venha para o Residencial Z e descubra o prazer da vida! Compre! Possua! Ostente!
O vencedor, o que alcança sucesso, é aquele que trafega num carro de luxo, que tem talão de cheques exclusivo do banco que só aceita ser chamado de bank, que mora num desejável bairro, num imóvel caro e mobiliado com tudo que tenha botões luminosos, detalhes cromados ou acabamento em aço inox escovado. É dessa forma que assimilamos, diariamente e por todos os poros, que a felicidade consiste no prazer dos bens. A massificação é tanta que mesmo uma mente consciente pode falhar e permitir que as emoções sejam tomadas.
Acabei de ler "Bens e bênçãos" em Ponto Final, coluna de Rubem Amorese em Últimato, e puder notar que não sou o único ingrato incitado pelo mundo à insatisfação pelos desejos de aquisição não realizados. Basta deixar levar-se pela carne um instante, e logo agimos segundo o curso deste mundo, tornando-nos insensíveis às muitas bençãos de Deus. Rapidamente esquecemos da grandeza que há na companhia dos amigos, dos irmãos, e da mulher e filhos com quem dividimos os dias. Perdemos o prazer no teto sob o qual dormimos em paz, na comida à mesa, na água limpa para se banhar e beber, nas roupas limpas, na profissão, emprego e salário conquistados; na lua, nas estrelas e na aptidão dos olhos em vê-las; nos dias de sol ou de chuva, que refrescam as ruas nas quais podemos andar e correr livres de correntes, muros ou carcereiros.
Na verdade, meu irmão Rubem, eu também cochilei, mas acordado pela comunhão contigo, pude lembrar que o coração do ganancioso desfalece por aquilo que não tem, mas coração do sábio se alegra na esperança e na gratidão.

"Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei." Hebreus 13.5

O título é trecho da música “Meu verso tem poder” – Pregador Luo

segunda-feira, julho 09, 2007

A vida é assim - Parte 5


Pr. Ricardo Gondim - Você vai morrer!

sexta-feira, julho 06, 2007

Republicando

"Amigo, a que vieste?"
Certamente, como os demais, atendeu prontamente o chamado do Mestre. Andou junto, comeu junto, viveu junto e tinha muito em comum. Judas Iscariotes foi chamado de amigo, tratado como amigo e foi, sim, amigo de Cristo.
A ele foi confiado o dinheiro que mantinha o ministério de Jesus – e desfaçamo-nos do comum engano: Jesus não era pobrezinho e seu ministério não custou barato. Judas lidava com boas quantias e o amor ao dinheiro foi seu tropeço. Os pequenos furtos às reservas ministeriais tornaram-se insuficientes e as falhas tornaram-se traição. A ganância o consumiu e tragou-lhe a fidelidade.
Foi amigo mesmo, e dando-se conta do mal que cometera não resistiu e enforcou-se, cometendo aí seu maior e verdadeiro erro: entregar-se ao remorso em vez de buscar o legítimo arrependimento. Em poucos dias, havendo o Amigo ressuscitado, teria alcançado o perdão que, entretanto, somente Pedro recebeu.
Muito cedo, ensinaram-me óbvia mas importante lição de vida: só os que lhe são caros, são capazes de ferir-lhe a alma. Inimigos não decepcionam e não traem. Fazem apenas aquilo que deles esperamos. São as pessoas que amamos que nos machucam, nos ferem e nos fazem chorar dolorosamente. São os amados que nos dão ou tiram o prazer e o desejo pela vida.
O outro é sempre um imprevisto, e isto torna caro cada minuto investido num relacionamento. Todo passo dado na mesma direção ata vidas por meio da cumplicidade, do alvo mútuo e da partilha das conquistas. Cada instante dividido faz a alma ceder espaços até o ponto de misturar as personalidades, os gestos, pensamentos e convicções. É por todas estas razões que não há relacionamentos sem dores. Se "amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito", qualquer disfunção não sanada mata. Sua feridas sangram até morte ou cicatrizam-se pela reconciliação –um bálsamo exclusivo do arrependimento e do perdão.
Do arrependimento, porque este clama incessantemente pelo perdão e torna viável a aceitação daquele que falhou; oferece à cicatrização a confissão e abandono do erro, distinguindo-se sobremaneira do remorso, que gera vergonha, fuga e tormento, anestesia as emoções, impossibilita o choro e não impede a reincidência. Arrependimento é a semente que gera vida onde, sob quaisquer outros aspectos, só havia possibilidade de morte.
Do perdão, porque este é a capacidade sobre-humana do amor de não considerar o dano em prol da reintegração, reinserção e reatamento. É o ensino de Cristo registrado em Lucas 6.29: desconsiderar a ofensa a ponto de pôr-se em risco de sofrê-la outra vez. Diante de um legítimo arrependimento, perdoar não é uma opção, mas um mandamento que nos aproxima de Deus e nos viabiliza também seu próprio perdão.
A reconciliação é, desse modo, o fruto natural do arrependimento que encontra o perdão. É o milagre que faz o cristal, outrora quebrado, novamente íntegro, que zera dívidas, apaga mágoas e lança os erros no mais distante passado. É ela que veste com a melhor roupa, põe o anel no dedo e as sandálias nos pés.

Amigo, te agradeço por me conduzir ao arrependimento e me ofertar, todas as manhãs, o teu grande perdão. Irmãos, me amem e sejam pacientes comigo. Eu preciso de vocês.

"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas". Mateus 6.12-15

Marcelo Belchior - 12.2005

sexta-feira, junho 29, 2007

Tem pai que é cego

"No meu tempo, quando um rapaz tinha a oportunidade de sair com um carro, era para paquerar as garotas - elas adoravam um passeio, e a privacidade para braços e abraços era incomparável. Agora, os garotões-dos-papais têm carro para botar mais 4 machos da espécie dentro e sair por aí batendo em mulheres."
Sábias palavras de Utahy Caetano, meu editor-chefe.

terça-feira, junho 05, 2007

Infinita Aquarela


Clique para assistir o vídeo
Vídeo original dos sites www.mundodacrianca.com / www.laboratoriodedesenhos.com.br

Aquarela é sem dúvida uma das músicas mais bonitas da MPB e uma das composições mais felizes de Vinícius e Toquinho. A letra incita uma identificação imediata com a narrativa, logo na primeira estrofe. Quantas vezes já desenhamos um sol amarelo e fizemos casas e castelos? Quem nunca tentou os riscos de um belo e azulado céu com gaivotas e, no mar, um grande barco a velejar? Quantos aviões, de todas as cores e formas, já fizemos para nós e nossas crianças? Esta canção é mesmo belíssima e sua linda melodia dificulta a percepção de um triste final – a vida descolorirá.
A doce voz de Toquinho embala uma letra cheia do vazio existencial do homem sem Deus. O futuro, o amanhã, é incerto e poderá, impiedosamente, trazer dores. Não há esperança no porvir e tudo de mais belo e puro que a vida tem, um dia se perderá na incolor inexistência.
Não, Toquinho! Não, Vinícius! O nosso grande erro é tentar pilotar a tal astronave. Isso, sim, não nos cabe, porque não somos capazes de, sozinhos, desviar da rota do pecado, o muro em que todo menino e menina chega. E é ele, o pecado, que entra sem pedir licença e sem piedade muda nossa história, sempre nos convidando a chorar - jamais a rir. Mas o Criador de todas as coisas nos traçou um melhor e mais excelente plano de vôo.
Permitamos que Cristo comande nossas vidas, que em suas mãos estejam nosso presente, passado e futuro, pois nele está toda a esperança da humanidade. Nele, os dias mais terríveis resumem-se em leve e momentânea tribulação, e as alegrias e prazeres revelam-se ínfimos diante da Glória que nos propõe.
Permitamos que o Filho de Deus seja o piloto da astronave para que a passarela nos ligue à morada daquele que em muito amor nos gerou e não à incerteza monotônica da morte eterna. Sim, Vinícius! Sim, Toquinho! Nós sabemos bem ao certo aonde vai dar nossa estrada. Quando lá chegarmos tudo ganhará novos tons, mais vibrantes e alegres, pois Ele é a Luz – fonte de todas cores. Em Cristo a vida nunca descolorirá.

"Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." João 8.12

Marcelo Belchior – 06/2007

quarta-feira, maio 16, 2007

Se os seus olhos forem bons

Em Mateus 6.22,23 e em Lucas 11.34, os contextos são distintos, mas a mensagem é única. Olhos bons possibilitam uma visão correta em cada momento da vida, fornecem a capacidade de enxergar o valor daquilo que se possui, de ver as coisas e as pessoas como elas realmente são. Olhos maus embaçam até os dias bons, distorcem valores e atribuem falsas percepções a respeito das pessoas que estão diante de nós, e, particularmente, é este último ponto que mais me atrai: a forma como enxergamos os relacionamentos. Se os fariseus tivessem olhos bons, conseguiriam enxergar que tinham diante de si o tão esperado Messias de Israel,
sem a necessidade de mais nenhum sinal miraculoso.

Bons olhos são determinantes na forma como enxergamos os outros. A batalha de I Samuel 17.48 foi decidida na forma como se viram um ao outro. Quiçá Golias escapasse com vida se não tivesse olhado com desprezo para seu oponente. Davi viu no gigante filisteu, terror dos homens de Saul, apenas um grande alvo desprotegido e enganado por seus falsos deuses.
Olhos acurados também poderiam ter evitado a expulsão de Jefté da casa de seu pai e a posterior humilhação em ter que trazê-lo de volta. O olhar altivo dos líderes de Gileade em nada foi útil e Jefté não apenas herdou os bens de seu pai, mas reinou por seis anos em Israel. Quando nossos olhos são bons, todo o corpo tem luz e não nos permitimos menosprezar as pessoas. Principalmente os irmãos.

Bons olhos são também determinantes na forma como reagimos à visão que outros tem de nós. Sem eufemismos, talvez Labão imaginasse: Como casarei Lia? Quem se interessará por ela? Mas não importou como parentes, serviçais, amigos e até marido olharam para ela; no fim da história, valeu somente como Deus olhou para Lia. Onde eu e você, talvez maldosamente, veríamos apenas uma mulher feia entregue como peso bônus num casamento, Deus viu a mãe de todas as tribos de Israel, do rei Davi e do próprio Senhor Jesus. Quando nossos olhos são bons, todo o corpo tem luz e diante de olhares adversos respondemos também que "...pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano[...] pois quem me julga é o Senhor".

Por fim, bons olhos são determinantes na forma como enxergamos a nós mesmos. A visão correta dos fatos permitiria que Zedequias enxergasse que Deus nunca morou em tendas feitas por homens e que Sua presença já há muito havia se afastado de Israel. Nabucodonosor não somente tomou Jerusalém como também queimou o santo templo no qual o rei e o povo punham sua confiança. Bons olhos também teriam permitido ao tolo querubim guardião perceber a obviedade de que "o servo não é maior que o seu senhor" e seu coração seria livre da soberba causada por seu próprio esplendor. Quando nossos olhos são bons, todo o corpo tem luz e não nos atribuimos valor maior do que possuimos para que também não ouçamos que somos "um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu".

Há muita deficiencia entre nós na forma com que relacionamo-nos. Sim, eu creio que fomos tocados pelo Senhor, mas, como o cego em Betsaida, ainda vemos "homens como que árvores andando" e precisamos que sobre os nossos olhos Ele nos toque mais uma vez.
Dá-nos bons olhos, Senhor. Precisamos ver o mundo, os fatos, os dias e as pessoas como o Senhor vê.

"Perguntou ao cego: Que queres que te faça? Respondeu-lhe o cego: Mestre, que eu veja". Marcos 10.51

Marcelo Belchior 05.07

sexta-feira, abril 13, 2007

Valeu, Senhor!

Valeu a pena... valeu cada instante até aqui.
Valeu a pena ter vivido dias que não quero nunca mais viver.
Eu percebo que foi bom tomar uma surra dos meus pais cada vez que desobedeci ou "aprontava das minhas"; aprendi a respeitá-los, a amá-los, a seguir as regras e saber que meus direitos e desejos têm limites. Foi bom viver uma
pré-adolescência introspectiva; foi nela que descobri que o Senhor entra onde ninguém mais pode entrar e que nunca me deixa sozinho.
Foi bom ter casado muito cedo, Deus; o Senhor me livrou da minha delinqüência, da soberba e presunção juvenil, salvando minha vida.
Foi bom experimentar uma crise existencial; por causa dela que eu te busquei de verdade, e te achei. Eu nasci de novo.
Foi bom sentir dificuldades em me "derramar" diante do Senhor; aprendi que tua Palavra é verdadeira – se o Senhor falou que está comigo todos os dias é porque está, independente das minhas sensações.
Valeu viver decepções dentro da igreja; aprendi que todos erramos e todos precisamos da tua misericórdia. Valeu os dias de letargia e desânimo; percebi o quão palpável é a tua Graça e que tua mão nunca se recolhe de sobre minha cabeça, que meu comportamento, meu dinheiro, minha liturgia e religiosidade não te atraem, mas, sim, o sangue do teu Filho.
Valeu, Deus! Valeu o desapontamento; eu descobri novos e melhores rumos institucionais.
Valeu as dores, pois elas me fizeram crescer na tua direção; valeu as fraquezas e debilidades, elas me ensinaram a te buscar com mais zêlo e mais força... valeu tudo, Senhor, e vai valer sempre se no final eu encontrar os teus braços.
Que as tristezas e alegrias me conduzam sempre na tua direção, meu Deus. Eu só tenho motivos pra te amar.

quinta-feira, março 29, 2007

Justiça

Fábio Teixeira
Todos clamam por justiça. Não é possível tanta impunidade. Não é aceitável que nossa terra tão garrida e mãe gentil tenha se tornado, irremediavelmente, uma madrasta no sentido waltdisneano da palavra, privilegiando seus enteados de caráter corrompido e matando seus inocentes filhos de fome e sede de justiça.
Este nó na garganta não pode ser desatado pelas unhas do esquecimento e da omissão egoísta que nos dá a impressão de estarmos blindados contra o mal. A justiça exige uma ação corretiva para todos os que maculam a ordem social. Nós, brasileiros, exigimos justiça. Com gosto de sangue na boca, punhos cerrados, coração ferido e um ar de desencantamento pelo atual estado de saúde da pátria, que insiste em não se deixar medicar.
Triste é a realidade.
Deus é justo e justificador. Mesmo diante das infâmias humanas Seu amor renova-se a cada manhã. Olhando pra este amor ainda podemos ver a esperança. O Sol da Justiça raiará, um Reino de justiça haverá, Cristo voltará. O Justo Juiz julgará a todos, grandes e pequenos, opressores e oprimidos, fortes e fracos. Nesse dia nada justificará os injustificáveis, nenhum dinheiro sujo limpará as roupas sujas da iniqüidade de ninguém. Diante Dele não há propina, não há mentira, não há cara de pau, pois Ele nos enxerga de todo. Neste dia o joio e o trigo serão de fato separados e os que têm sede e fome de justiça serão saciados.
O dia da vingança de nosso Deus há de vir.
Saúde e paz.

Original de www.menteiluminada.blogspot.com

quarta-feira, março 14, 2007

Dois tiros

Não, não é a mais um caso carioca que me refiro, mas aos dois últimos polêmicos tiros da igreja católica. O mais recente foi disparado pelo sumo-pontífice romano: "segundo casamento é uma praga social". E é mesmo.
Babo de inveja da coragem demonstrada por este líder religioso ao lançar-se no caminho oposto de inúmeras sociedades para reafirmar valores cristãos da instituição que dirige, sem nenhuma chance de negociação ou "jogo de cintura". Uma pena que líderes evangélicos não sejam tão firmes. Não somente aceitam, como também vivem múltiplos casamentos.
A Bíblia admite o divórcio somente porque nossos corações são duros, mas quanto ao casar-se de novo é bem clara - trata-se de adultério. Se não dá mais para viver com aquele(a) que outrora era um grande amor, viva só. Ou reconcilie-se. É porventura dura demais para você esta palavra? Então não considere-se cristão, pelo menos não Católico Apostólico Romano. Bom disparo.

O outro tiro foi de Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB: "A camisinha faz com que as pessoas façam do relacionamento sexual momentos sem nenhuma conseqüência”. Com isso eu descordo.
O preservativo de latex não estimula ninguém a nada. Independente da distribuição de preservativos, as pessoas estão cada vez mais promíscuas. O resultado é um número cada vez maior de infectados de toda sorte de doenças sexualmente transmissíveis que se penduram no dinheiro público para financiar seus tratamentos médico-hospitalares. Cabe então ao Estado defender os cofres públicos, livrando-nos de custear mais e mais coqueteis de comprimidos.
À igreja cabe apontar o pecado, suas conseqüências, e um novo caminho para o pecador.
Os papéis institucionais são claramente distintos: quando a igreja diz "não use camisinha", ela está dizendo que precisa haver mudança na vida das pessoas; e quando o governo diz "use camisinha", ele está dizendo que não tem como arcar com as despesas de uma juventude desorientada.
O governo sabe que seria ineficaz levantar a bandeira da "moral e dos bons constumes" para conter os gastos do Ministério da Saúde. O que lhe resta é, se não à causa, o combate ao efeito, distribuindo borracha para quem queira.
Quanto a igreja, faz-se necessário a percepção que a mania de catequese é perniciosa. Querer se utilizar do Estado como ferramenta de conversão, nos dá trajes de ignorância e hipocrisia, não combate a causa e, muito menos, o efeito. É o tiro que sempre sai pela culatra.

Marcelo Belchior 03.07

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Brasil – eu não acredito mais.

Deus, dá-nos uma semente de revolta!
Só uma convulsão social muda os rumos desse país.

quarta-feira, novembro 22, 2006

"É fim do mês, é fim do mês"

Não tenho facilidade de escrever e por isso preciso de muitas horas disponíveis para tal atividade. Como dezembro é para mim mês impraticável, encerro com este post o mês de novembro e também o ano de 2006. Ficaram na gaveta textos que quero muito escrever por necessidade pessoal de desenvolvimento temático. Entre eles: "A fé prática de Abrahão", "Igreja - a Rebeca de Cristo", "O pequeno deus da teologia relacional" e tantos outros títulos e temas que estão simplesmente no rabisco ou na cabeça... deixa vir 2007. O próximo semestre será mais light com minhas tarefas de trabalho.
Ao que por aqui passar deixo meus votos de um bom natal e um bom reveillon, seguidos do meu verdadeiro desejo que cumpra-se ao seu respeito as palavras da Carta aos Romanos no capítulo 8 versos 29 e 30. Fui!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Amarás pois... demonstrando amor

Nenhum relacionamento se mantem vivo e verdadeiro somente sob declarações de amor e de afeto. Faz-se extremamente necessário e saudável que os sentimentos sejam, sempre que possível, demonstrados em práticas. Quem ama tem prazer em não somente dizer que ama, mas também em demonstrar, de tantas maneiras quanto for capaz, a verdade e a força do sentimento que traz na alma. Por sua vez, a pessoa que é alvo desse amor tem prazer em ouvir, ver e sentir que é amada.
Relacionar-se com Deus não é em nada diferente disso. Ele também exige amor verdadeiro, declarado e demonstrado. Declarações vazias e religiosas de amor e afeto não o atraem de maneira alguma – "Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor" Isaías 29.13.

No último livro do Pentateuco, Moisés já expressava, de forma resumida e clara, a necessidade do amor vivo por Deus (Deuteronômio, capítulo 6 verso 5) e muitos séculos depois, Jesus faz menção desse trecho adicionando um resumo dos versos subseqüentes (7,8,9), incluindo "com todo teu entendimento" ao Escrito. Assim, sob o "crivo" do Filho de Deus, temos registrado no Evangelho de Marcos o maior mandamento de todos. Vejamos-o por partes:

Ame o Senhor teu Deus de todo o teu coração
Com sinceridade, com zêlo e entregando-se a ele por inteiro.
Vide: IICrônicas 34.31, Jeremias 29.13, Salmo 119.2 e 69, IReis 8.23.

Ame o Senhor teu Deus de toda tua alma
Com todo teus sentimentos, apegando-se a ele com gratidão e admiração.
Vide: I Samuel 1.15, Salmos 34.2 e diversos pontos em Salmos 103,104,105 e 145

Ame o Senhor teu Deus de todo teu entendimento
Sem desprezar ou esquecer sua Palavra, fazendo dela, todos os dias e em todos os momentos, norteadora da tua própria vida.
Vide: Salmo 1.1, Salmo 119.11-14, Rm 12.2, Jo 14.21

Ame o Senhor teu Deus de todas as tuas forças
Com tenacidade, em qualquer situação, sob qualquer custo, ame-o sempre.
Vide: Jó 19.25-27, Hc 3.17 e 18; Hb 12.3 e 4

Resume-se aí, a conduta, os sentimentos, a razão e a resistência do amor que Deus espera de nós. Amor que não se apresenta sob o hábito da religião ou sob regras humanas de comportamento; amor que admira, que exalta e se alegra em gratidão; amor que se aproxima, que conhece, que entende e busca aperfeiçoamento; amor que resiste intempéries, mentiras e insegurança e triunfa sobre todos os sofrimentos.

Não nos iludamos: Deus não se deixa enganar. Não há como tratá-lo com hipocrisia. Se Nele cremos, relacionemo-nos pois com ele amando-o como também gostamos de ser amados.

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.
Evangelho de Marcos, capítulo 12 verso 30.

Marcelo Belchior - 1/11/2006

sexta-feira, setembro 29, 2006

O gato hipoalergênico

Isaltino Gomes Coelho Filho
Joshua é o primeiro gato hipoalergênico (não produz alergia) do mundo. Produzido em laboratório, tem um ano e meio de vida. Inaugura uma espécie de gatos que estará à venda nos Estados Unidos, a partir de 2007, por quatro mil dólares. Há 30 milhões de americanos alérgicos a gatos, e que poderão ter um. O cálculo me impressiona: 30 milhões! Como americano é inteligente! Calcula até gatófilos alérgicos.
Gosto de gatos. Tive o Platão, Aristóteles, Sócrates, a Xantipa (mulher do Sócrates), Hegel, Schleiemacher, Kierkegaard e, menos sofisticada, a Ana Júlia. Tenho o Mahavira Rambo Gomes Coelho. Meu filho, um bom arquiteto, que seria um excelente veterinário, enche-nos de bichos. Deu-nos o Mahavira. Como tem pedigree, deu-lhe seu sobrenome. Que é o meu. O sobrenome cultivado desde d. Júlio Diniz (pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho) está num gato.
O homem é um gigante tecnológico e um pigmeu ético. Produz máquinas sofisticadas, mas não consegue viver com o próximo nem consigo. Fez o telescópio Hubble que lhe permite ver longe, milhões de anos luz. Mas não vê dentro de si. Disse Billy Graham: "É esta a geração que produziu o DDT para matar insetos, o 2-4-D para matar ervas, a fórmula 1080 para matar os ratos, e também E=MC ao quadrado para destruir a raça humana" (Mundo em chamas, p. 31).
Muitos pensaram que a tecnologia nos daria um paraíso terrestre. Eliminaríamos as doenças, resolveríamos as mazelas sociais com educação, e políticas sociais bem aplicadas trariam a sociedade perfeita. Explicamos tanta coisa! Intriga-me que de um ossinho encontrado se crie um esqueleto e conheçamos um novo ancestral, na escala da evolução humana. Com um osso do metatarso se conclui como era o olho e o tamanho do cérebro. Os cientistas são tão inteligentes como os calculadores de alérgicos a gatos. Explicamos tudo, menos a maldade humana. Como explicar Suzane Richentoff, massacres humanos, a corrupção que no Brasil parece tiririca, e outras coisas? Rouba-se verba de merenda escolar e hospitais!
Sobram explicações e soluções. "Educai as crianças e não será preciso punir os homens", já ouvimos. Os autores das câmaras de gás eram engenheiros. Experimentos sádicos foram feitos por médicos nazistas. Um programa de televisão mostrava aulas de balé dadas numa favela. Isso diminuiria a violência. Pobre não é violento por ser pobre. E balé não mitiga violência.
A sociedade rejeitou o ensino bíblico sobre o pecado. É transgressão da vontade de Deus para nós. Não se elimina com engenharia genética ou melhora social. Podemos produzir vacinas e tratamentos para todas as enfermidades. Mas a que se chama pecado não pode ser curada por nós. Nenhum laboratório pode criar um homem alérgico ao pecado. O mito da bondade inata do homem se desmancha diante dos fatos. "De fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido" (Sl 51.4) mostra a força do pecado. Ele não é opcional. Nem evitável. Todos somos pecadores. Não há pessoas boas. E pecado, como bem acentuou Lutero, não é questão moral, mas teológica: desprezo a Deus, ao seu juízo e à sua graça.
Não há hipoalergenia ao pecado. Somos dominados por ele, e por causa dele cometemos pecados. Mas há uma vacina contra os seus efeitos: a graça manifestada em Jesus Cristo. Não foi produzida em laboratório, mas na cruz do Calvário. Ela impede a morte eterna, e um dia, com o Médico que a produziu, Jesus, teremos a perfeição, a cura completa.
Mais importante que Joshua é Jesus Cristo. Parabéns aos engenheiros genéticos que produziram o Joshua. Glórias a Deus que nos deu seu Filho, que nos purifica de todo o pecado. Não só 30 milhões de americanos, mas o mundo todo precisa de Jesus, o maior remédio de todos os tempos para a maior enfermidade da história, o pecado.

O Jornal Batista, edição 41/2006

quinta-feira, setembro 21, 2006

Deus é biologia – Jesus é história

A fé cristã por razões racionais
Sua marca está em todo universo e, em tudo que vemos, quanto mais conhecemos, mais precisamos admitir sua existência e domínio.
"Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Salmos 19.1
Quanto mais a ciência desenvolve-se, menos pode afirmar que não há provas da existência de Deus. Assim, agora o rotulam como LUCA(1) (Last Universal Common Ancestor — Último Antepassado Comum Universal).
Antes, quando o átomo era indivisível, as moléculas lineares ainda não falavam em hereditariedade, e a filogenia não gritava a impossibilidade da abiogênese, crêr em Deus era uma piada. Agora, no entanto, a piada é crer no relacionamento com algo que julga-se ser essencialmente impessoal.
"Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu." Romanos 1.18-21
Seja feito o que bem desejar para que não se admita que somos obra de um criador que brilhantemente ordenou e destinou (deu finalidade) todas as coisas, sabendo, porém, que é cada vez mais necessário ter fé para adotar esta posição do que para crer nas palavras do autor hebreu que, há 3400 anos, disse que "no princípio criou Deus os céus e a terra" (2). Inevitávelmente, quanto mais estudarmos e analisarmos suas obras, mais seremos obrigados a concluir que Deus é vivo, verdadeiro e magnífico em seus feitos. Tentamos coisificá-lo, pois se admitirmos que ele existe, teremos também que reportar-nos a ele para saber quais são seus intentos em nós, o que lhe agrada que façamos e o que fará de nós, e essa é uma verdade dura demais para
admitirmos.
Quando baixamos nossas resistências, nos rendemos ao óbvio e confessamos Deus. Cremos, também por meio dos registros históricos judaicos, que não fomos desprezados e que nele há todo o interesse em interagir e relacionar-se individualmente conosco: "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." Isaías 59.1-2.
No entanto, para que não estivéssemos eternamente afastados de Deus, ele mesmo providênciou-nos redenção.
A história, através do testemunho escrito dos apóstolos, afirma que Deus enviou seu "Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna"(3). Tais escritos sobreviveram à guerras, perseguições, distorções e traduções maldosas, para que as vozes dos antigos não se calem diante dos homens e das gerações e, por isso, hoje ainda nos afirmam:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. [...] Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus [..] E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia. Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." João 1.1-17
Quando damos ouvidos a estas palavras temos a convicção de que, não somente existe um Deus, como também este Deus está profundamente interessado em sua criação e que, por nutrir por nós um grande amor, enviou Jesus para que, por meio do seu sacrifício, tenhamos religação com ele.
A história da humanidade admite Cristo, e a Palavra, unida ao testemunho da Igreja, afirma que este mesmo Jesus ressuscitou e vivo está, e vem mais uma vez entre os homens para buscar aqueles que nele esperam e confiam, que crêem que ele é não um guru ou simplesmente um sábio filósofo judeu, mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo(4), a fim de que os salvos estajam eternamente com ele. É por meio de registros históricos que Cristo, continuamente, nos diz: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Apocalipse 3.20

Somos, portanto, profundamente racionais ao crer em Deus e em nosso salvador, seu Filho Jesus Cristo. Você está convidado à uma reflexão livre de conceitos pré-estabelecidos e culturalmente herdados.

(1) Wikipedia.org
(2) Gênesis 1.1
(3) João 3.16
(4) João 1.29

Marcelo Belchior 09.06

terça-feira, setembro 12, 2006

Aí estão os comments

O cruel silêncio me venceu, dona Rachel.

"Que tenho eu contigo, Jesus,
Filho do Deus altíssimo?"

Não, eu não sou uma legião de espíritos e também não há uma vara de porcos nas proximidades (MC 5.1-15). Essa frase, no entanto, poderia também ser minha, não por temor, mas por um genuíno espanto ao deparar-me com Cristo no porvir, caso acreditasse na teoria da “amnésia celestial”.
Explico: é comum entre os cristãos crer que, ao encontrar-se com Deus no Paraíso, ninguém mais lembrará de coisa alguma. Nem de fatos, nem de pessoas.
Fantasio este Céu de desmemoriados: não há, obviamente, tristezas nem dores pelos entes queridos que não creram no único Mediador e Salvador ofertado por Deus. Não há pranto por aqueles irmãos que não se mantiveram firmes em seus propósitos com Cristo. Não há lembranças de nossas gafes teológicas, multiplas denominações e doutrinas estapafúrdias. Neste Céu, também não lembramos mais das hierarquias sociais, religiosas e familiares, e somos todos, igualmente, filhos de Deus, pois Jesus, seu poderoso Filho, nos salvou. Só não sabemos exatamente do que.
No Céu dos desmemoriados não haverá a alegria da salvação, o júbilo de vitória, os abraços apertados dos irmãos que, em Cristo, venceram o pecado e a morte e alegremente ceiam com seu Senhor na glória. Nada de lágrimas de felicidade ao encontrar velhos irmãos e entes amados que antes morreram. Neste Paraíso não vai haver aquele sonhado abraço e aquele beijo tão esperado no rosto do Senhor Jesus, seguido do nosso "muito obrigado" por tão grande salvação ofertada. Nada de dores, nada de traumas, nada de saudades, mas também, nada de gratidão.
Assim, o Paraíso ficará mais pobre, mas estaremos livres de chorar por aqueles que rejeitaram o Filho do Deus altíssimo e seu magnífico sangue derramado como prova de um amor que ninguém jamais sentirá por nós. Neste Céu, preferiremos não saber quem exatamente Cristo é, para, na verdade, somente não sofrermos por aqueles que, muito menos que ele, nos amaram.

Marcelo Belchior 09.06

segunda-feira, setembro 04, 2006

Me ajude, Supernanny!


Original da matéria: http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_54983.asp

Parece engraçadinho ouvir isto de pais desorientados, nas tardes de domingo do SBT. Mas não é.
Supernanny é um dos retratos mais tristes da moderna educação de filhos.
Pais que não impõe limites às crianças, não imporão aos adolescentes.
As 3 meninas que estavam no carro da foto acima tinham entre 16 e 17 anos. Eram 5:40 da manhã.
Quiçá uma educação à moda antiga não teria
poupado-lhes a vida?

segunda-feira, agosto 28, 2006

“Vejo flores em você”

Vou também dizer que te amo e que entre nós nem tudo é desgosto; que apesar dos nossos dissabores, você é linda e amável; que você é cheia de alegria, de sorrisos abertos, de palavras de afeto, de brincadeiras entre amigos, de apoio em momentos difíceis e abraços nas vitórias do dia-a-dia. Sim, você é linda!
Vou também dizer que foi com você que conheci o maior amor do mundo; que foi você que me conduziu ao que está escrito e que, mesmo correndo o risco da divergência, me ensinou e incentivou a pensar sozinho. Você me enriquece, me instrui, me amadurece. Sim, você me acrescenta!
Vou lembrar que eu também estou em você, e só isso já é suficiente para impedi-la de ser perfeita. Vou também considerar que embora você me rotule, me imponha bandeiras e logomarcas, é em você que consigo um vislumbre das miríades de miríades dos comprados com o sangue do Cordeiro. Preciso não somente criticá-la, mas também dizer que te amo, igreja. Sim, você é muito preciosa para mim.

Marcelo Belchior – 08.2006

quinta-feira, agosto 17, 2006

Santidade e Vaidade em duas frases

"O mais limpo não é o que menos se suja,
mas o que mais se lava"
Pr. Ezequiel Teixeira
"Quando você se sentir muito 'fera',
o inimigo já te enredou, porque lugar de feras é na jaula"
Pr. Denilson Alves

quinta-feira, agosto 10, 2006

Quanto custa, Deus?

Deus, quanto custa tua mão sobre mim? Quanto custam teus ouvidos atentos à minha voz?
Quanto custa o cumprimento da tua Palavra? Quanto custa teu suprimento em alimentos, roupas, abrigo, saúde, segurança e paz? Quanto custa tua guarda durante as noites violentas, Deus? Quanto custa viver em amor com aqueles que são preciosos? Quanto custam o emprego, o salário, os amigos e irmãos amados sempre à volta?
Quanto custam todas as tuas incontáveis bênçãos?
Com quanto eu posso te comprar, Deus? Quanto eu devo pagar pelo perdão dos meus pecados? Quanto eu te devo pela tua longanimidade, tua paciência e misericórdia todos os dias? Quanto custa teu amor, Deus? Teu carinho? Teu zelo? Tua Palavra? Quanto custam os dias? Quanto custam a lua, o sol, as estrelas, o mar, as serras e montanhas? Quanto custam a luz que entra pelos meus olhos, os sons que captam os meus ouvidos, ou o perfume da minha mulher e dos meus filhos? Quanto eu te devo pela salvação, Deus?
Que tipo de negócio vantajoso eu posso fazer contigo para possuir mais do que o Senhor, liberalmente, tem me dado? Que tipo de negociata eu e o Senhor podemos fazer? Quanto é minha parte nesse esquema?
Quem primeiro te deu para, então, ser retribuído, Senhor? Quem foi o homem que te comprou com ofertas e dízimos? Quanto o Senhor cobra para ser justo, bondoso, amável, misericordioso e fiel salvador? Quanto custa para o Senhor nos amar e aceitar como somos? Quem pode te comprar, Deus? Quem pode comprar teu favor?

Tem compaixão de nós, Senhor, e dos homens que insistem em engordar com carne de ovelhas magras. Sacerdotes que encheriam de vergonha o profeta Malaquias pela inversão da injustiça na Casa do Tesouro. Homens que se distanciam cada vez mais da realidade do povo, conduzindo ovelhas sem andar com elas, sem saber e vivenciar o cotidiano da massa que lideram. Induzem o povo ao desejo desenfreado de posses, conduzindo-lhes à incapacidade de serem gratos por tudo que já possuem e diariamente recebem. Furtam das ofertas a beleza da gratidão verdadeira, transformando-as em rentáveis negócios com o Todo Poderoso. Distorcem o dever de manter a tua Casa e aqueles que nela trabalham, transformando os dízimos em dívidas com cruel sistema de cobrança baseado numa exegese grosseira. Líderes que mantêm o povo constantemente sob os domínios do medo e das falsas promessas para, em vez de promover o equilíbrio proposto por Malaquias e Paulo, concentrarem riquezas.
Tem misericórdia de todos nós, Deus. Ensina-nos o teu conceito de prosperidade. Abre os olhos do teu povo e não nos deixe perder a capacidade de ver o quanto somos abençoados por ti todos os dias. GRATUITAMENTE.

"Porque, se há prontidão de vontade, é aceitável segundo o que alguém tem, e não segundo o que não tem. Pois digo isto não para que haja alívio para outros e aperto para vós, mas para que haja igualdade, suprindo, neste tempo presente, na vossa abundância, a falta dos outros, para que também a abundância deles venha a suprir a vossa falta, e assim haja igualdade, como está escrito: Ao que muito colheu, não sobrou; e ao que pouco colheu, não faltou."
II Cor 8.12-15


Marcelo Belchior – 08.2006

terça-feira, agosto 08, 2006

Músicas de Louvor

Circula por e.mails...

Certa vez um velho fazendeiro foi passar um fim de semana na capital, e no domingo visitou pela primeira vez uma grande igreja. Quando chegou em casa, a mulher lhe perguntou como fora a experiência?
- Bem, disse ele - gostei do culto deles, sabe? Mas eles fizeram uma coisa diferente: em vez de cantar hinos, cantaram "músicas de louvor".
- Músicas de louvor? O que é isso, homem?
- Não é nada de ruim, mulher. São músicas mais ou menos como hinos, só que diferentes.
- Ora, diferentes de que jeito?
- Como é que eu vou te explicar? Ah, já sei. Se eu dissesse pra você: "Marta, as vacas invadiram o milharal!", isso seria um hino.
Mas se eu te dissesse: "Marta, Marta, Oh! Marta! Marta, Marta, Marta. As vacas, as grandes vacas. As vacas marrons, as vacas pretas, as vacas brancas, as vacas malhadas. As vacas, vacas, vacas, vaaaaaaacas. Oh, vacas! Invadiiiiiiiiiram o milharal, estão no milharal, foram vistas no milharal, se encontram no milharal, milharal, milharal, milharal. Oh, milharal!!"
e repetisse tudo isso umas três vezes, então isso seria uma "música de louvor".

sexta-feira, junho 23, 2006

Falta o segador

Depois de "Terra seca", falta-me tempo. Idéias e temas estão aí em profusão. A igreja é viva e muito criativa... e inventa muita bobagem. Atualmente, vitupera-me a teologia relacional. Se Deus se surpreende, deve estar estupefacto.

quarta-feira, abril 12, 2006

Eu nasci para morrer

Quisera ter a felicidade de, neste exato instante, morrer, pois confio que a morte subjugará meu ego. Então, morto, enfim, porei os meus pés onde não quero, afagarei quem eu não amo, direi abertamente o que prefiro calar, instruirei-me do que é eterno e serei capaz de ouvir a doce voz daquele que, desde a eternidade, me amou e por mim entregou-se.
Se eu agora morrer, viverá ele, por seu pleno direito, e meu dever e desejo. Já não será do meu jeito, não serão mais os meus sonhos, meus projetos e vontades. Será em mim, tudo, enfim, dele, por ele e para ele. Farei dele meu autêntico amado, em prosa, verso, poesia e ato. Será meu Senhor, e de fato.
Desejo a morte da letargia que me toma, da crítica que lanço e nada constrói, das palavras com que machuco, do tempo que perco, do amor que não demonstro, dos meus hábitos nocivos, da vaidade que penso não ter e das feridas que me tornam amargo.
Desejo a morte porque somente ela vai permitir, quando enfim eu partir, dizerem quão bom pai eu sou; bom esposo, bom amigo, bom irmão e bom filho. A morte me fará melhor do que jamais sonhei, no servo bom e fiel que entra no descanso do seu Senhor, eu me tornarei.
Quando, em mim, tudo isso for prática e não somente um raso jogo de palavras, a outra morte, aquela que se inicia ao nascermos, torna-se-á, de aflição, tormento ou dor, em perfume, alegria e aprisco, onde, mais vivo que hoje, verei o rosto do meu Senhor.

“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. II Cor 5.14 e 15

Marcelo Belchior – 12/04/06

sexta-feira, março 24, 2006

Como eu amo a tua lei!

Ricardo Gondim
Aconteceu num feriado. O sol já caminhava na metade do seu percurso quando preguiçosamente resolvi sair da cama. Sem coragem de tomar um ônibus para ir à praia, optei ficar em casa e ler. Fui até a estante, sempre abarrotada e sempre empoeirada, querendo um livro que me servisse de companhia naquele dia, que eu supunha sem importância. A Bíblia de capa preta se sobressaiu; parecia pedir-me que a escolhesse.
Eu já tentara ler a Bíblia, mas nunca consegui atravessar seu quarto livro, Números. Aquelas estatísticas intermináveis me faziam cochilar. Hesitei, mas parecia que duas mãos se estendiam do dorso, suplicando que eu a pegasse. Aquiesci e elegi o tomo negro. Adolescente, eu não cogitava grandes mudanças de vida. Ledo engano: depois daquele dia jamais seria o mesmo.
Deitei-me e comecei a folheá-la; lembrei que meus amigos crentes haviam me aconselhado a ler o Novo Testamento. Abri em Mateus e em poucos minutos cheguei ao Sermão do Monte. Cada versículo alongava-se das páginas como um punhal, lacerando minha alma. As verdades proferidas pelos lábios de Jesus me encurralaram. Mateus 7.13-14 levou-me a nocaute: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. Assim, no começo da tarde, com a porta trancada, ajoelhado e resoluto, assumi um compromisso de seguir a Jesus Cristo por essa vereda estreita.
Desde aqueles verdes anos procurei referenciar minha vida neste livro magnífico. Tentei estudá-la; meditei em seus versículos em minhas horas tranqüilas; fiz palestras e sermões em suas verdades. Mas sinto que ainda não consegui chegar às margens da profundidade do conhecimento e sabedoria da Palavra de Deus. Quanto mais me detenho em seus ensinos, maior é meu espanto, meu maravilhamento.
A Bíblia é uma coletânea de livros com a história de pessoas, famílias, nações e, sobretudo, a linhagem do Messias. Fascinam-me os relatos milenares do comportamento humano nas crônicas, a sabedoria popular dos provérbios, a indignação dos profetas, as orações dos Salmos e a sistematização de verdades eternas das epístolas.
Alguns detalhes da Bíblia me deixam admirado. Ela nunca foi homogeneizada pelo poder eclesiástico. As histórias de seus heróis não foram retocadas. Assim, sabe-se que o patriarca Abraão mentiu e agiu impensadamente em diversas ocasiões; que Moisés, o homem mais manso que o mundo conheceu, irou-se; que Davi, o mais amado rei em Israel, adulterou e ainda tramou o assassinato de um soldado leal. A Bíblia não mascara que a igreja primitiva teve de aprender a conviver com pontos de vista distintos — Pedro e Paulo travaram debates ríspidos sobre usos e costumes; as igrejas plantadas no primeiro esforço missionário tinham idiossincrasias seriíssimas — a igreja de Corinto chegou a vulgarizar o sacramento da Eucaristia.
Ao contrário de outros livros sagrados, a Bíblia não alega ter sido ditada ou psicografada. Em 2 Pedro 1.21, o apóstolo reconhece que sua origem é divina, mas respeita a singularidade dos autores: “Pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo”. O conceito teológico para sua “inspiração” significa que Deus respeitou a liberdade e as ambigüidades humanas, permitindo até possíveis contradições dos relatos históricos. Diante de circunstâncias diversas, os autores demonstraram que a revelação das verdades eternas podia se dar dentro de contextos geográficos, sociais e culturais distintos.
Contudo, a maior grandeza da Bíblia vem da encarnação. A chegada do Messias, seu breve tempo de vida na terra, seu curtíssimo ministério fazendo o bem e anunciando a chegada do reino de Deus, sua morte e ressurreição, constituem-se na mais alvissareira notícia já impressa. Até Jesus Cristo vir, Deus resumia-se a uma especulação filosófica ou religiosa. Os gregos afirmavam que, assim como um pássaro não pode voar até o infinito, os seres humanos, mortais, jamais poderiam alcançar a divindade eterna. No cristianismo, Deus fez o caminho inverso. “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). A singularidade da Bíblia vem da encarnação de Jesus. O filho de Maria fez Deus conhecido da humanidade. Paulo ressalta essa verdade em sua carta aos colossenses (Cl 2.9): “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.
Em João 14.8-9, Felipe pediu a Jesus o que toda a humanidade mais deseja: uma revelação completa de Deus: “‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta’. Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: Mostra-nos o Pai’?”
Todas as vezes que ouço a Bíblia sendo exposta, sei que suas verdades brilharão como feixes de luz, guiando o viajante pelas tortuosas estradas da vida, pois o Salmo 119.105 afirma: “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho”. Quando encontro alguém arqueado de culpa, gosto de recomendar o Evangelho de João. Qualquer um pode se colocar no diálogo entre Jesus e uma mulher prestes a ser apedrejada: “‘Mulher, onde estão eles [os seus acusadores]? Ninguém a condenou?’ ‘Ninguém, Senhor’, disse ela. Declarou Jesus: ‘Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado’” (Jo 8.10-11).
Passados milênios desde que a Bíblia Sagrada foi escrita, estudiosos se revezam tentando analisá-la, mas ela permanece um mistério. E diante do mistério reconhece-se a limitação humana. Razão e método não abrangem todo o “conselho de Deus”. Por isso, Paulo afirmou em Romanos 11.33-36: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém”.
Neste mundo sedento de esperança, a Bíblia pode tornar-se um manancial de vida, desde que volte a ser o livro de cabeceira que alimenta a vida devocional e o alicerce dos princípios que nortearão as decisões do dia-a-dia.
Soli Deo Gloria.

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