quarta-feira, março 26, 2008

John Newton

"Não sou o que devo ser, não sou o que quero ser, não sou o que um dia espero ser; mas graças a Deus não sou o que fui antes, e é pela graça de Deus que sou o que sou."

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Proporções



Quando simplesmente leio a respeito do tamanho dos planetas, tenho dificuldade de imaginar suas proporções.



Mas quando vejo assim, de forma ilustrada...



... tenho dificuldade de evitar uma pergunta:



Deus, por que o Senhor se importa comigo?



Antares é uma supergigante vermelha, distante aproximadamente 600 anos-luz da Terra, 300 vezes maior que nosso Sol (estima-se um raio aproximadamente igual a órbita de Marte) e 10.000 vezes mais brilhante, porém a sua massa está calculada entre 15 e 18 vezes a massa solar. A temperatura média de sua superfície é de aproximadamente 3500 K (aproximadamente 3226,85 ºC). Wikipedia

Mesmo sem te entender, eu te agradeço por não considerar minha finitude e me amar tanto.
Quem sou eu sem você, Senhor?

"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, pergunto: que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Salmo 8.3-4

terça-feira, novembro 13, 2007

Outro ano já se foi...

...e aqui, com esta última postagem aí embaixo, me despeço dos poucos leitores. Fim de ano é inviável escrever qualquer coisa – pago todos os pecados de vagabundagem que cometo durante todo o ano. Deus nos guarde e nos mantenha firmes no verdadeiro Evangelho de seu filho. Bom natal e feliz reveillon! Até Março.... fui.

Marcelo Belchior

Minha avó, sua certeza e o
apostador insensato.

Não mais tenho avós paternos. Há uma semana, me despedi pela última vez da minha avó. Domingo à noite, mais uma vez sentiu-se mal, mas preferiu sofrer as dores calada, não obter socorro e ir ao encontro do seu Senhor. Vovó era a madrasta de meu pai – cuja mãe morrera quando ele ainda tinha 12 anos de idade – foi a mulher que conheci como companheira de meu avô e mãe dos meus tios. Minha avó de fato. Era crente do tipo carola, com direito a coque, saião, Bíblia debaixo do braço e cabelo sem corte. Seu humor e sua fé eram ímpares.
Ontem, ao perder o sono no meio da madrugada, não consegui parar de pensar numa frase inquietante de um tio naquele funeral: "Quando morrer não quero nada disso. Me enterrem e pronto. Não creio em nada depois da morte". A comparação que me tirou o sono foi inevitável: de um lado, uma mulher de 73 anos que se deixa morrer motivada pelo cansaço da vida, quiçá não somente pela solidão, mas também pela sensação do dever cumprido e pela certeza absoluta do seu destino pós-morte. Fiquei imaginando como deve ser sentir o coração parando e manter o silêncio, esperando ser tirado da única realidade que se conhece. Essa completa ausência de pavor diante do desconhecido é no mínimo inspiradora... mas, do outro lado, tenho um tio dizendo crer na inexistência. Que aposta suicida! Se não existe nada no pós-morte, nada se ganha, mas também nada se perde. Se existe reencarnação, também nada se perde, mas, sendo o Evangelho de Cristo a única verdade, as perdas são imensas e as fichas que se vão são irrecuperáveis para quem em Deus não empenha sua vida. Se Evangelho é uma filosofia apenas, então é de todas a mais cruel, pois fora dele ninguém se salva da morte. Então a pergunta que não consigo parar de fazer é: por que apostar a vida numa jogada em que a derrota e o vazio da inexistência são a única certeza e garantia? Certamente meu tio não se permitirá morrer sem uma agonizante luta pela única vida que crê existir. O pavor, o terror e o suor frio lhe estão garantidos. Penso como Pascal: eis a insensatez em sua mais palpável forma.

terça-feira, setembro 11, 2007

Moedinha



Clique na imagem para ampliar.
A justiça paulista determinou que uma denominação evangélica devolva R$2mil, acrescidos de juros e correção monetária, a um fiel que se arrependeu de fazer uma doação.
O crente diz que foi induzido pelo pastor que prometeu que, pela tal oferta, Deus iria abençoá-lo financeiramente, mas que se ele se recusasse o diabo iria tirar o pouco que lhe restava.
O precedente está lançado e qualquer um que se sinta lesado pelos mesmos motivos, sob os mesmos argumentos, pode pedir na justiça seu dinheiro de volta. Caso Deus não cumpra sua parte no acordo comercial firmado por seus representantes, que chegam a prometer 10.000% de rentabilidade às ofertas - o famoso cem por um - processe-o!
O que estão vendendo é um Deus mercadológico de escambo religioso. É umbanda gospel, na qual a entidade espiritual torna-se refém de interesses mesquinhos, mediante um despacho em moeda corrente. Se não funcionar, desfaça o negócio. É justo.
Infelizmente sei que não vai haver um estouro de boiada rumo aos tribunais. Este é um caso isolado. Não vai haver uma enxurrada de processos semelhantes simplesmente porque a maior aliada dessa liderança evangélica não é a promessa de prosperidade, mas, sim, a ameaça de destruição. Funciona sempre da mesma forma: se você não pagar o que deve a Deus, ele vai soltar seus rottweilers cobradores, seu SPC e SERASA, também conhecidos como gafanhotos devoradores, migradores, cortadores... O medo não só garante a arrecadação como também inibirá outras ações nos tribunais. Deus é mau! Cuidado com ele.
O golpe só será sentido por essas instituições gospel-bancárias no momento em que o gado começar a notar que Deus abençoa e guarda por causa do seu amor e fidelidade, e não porque sua graça e misericórdia têm preço. Quando as mentes desembotarem, haverá abalo nos cofres das denominações que apoiaram a sobrevivência de suas instituições no medo e na ignorância, em vez de no amor e na verdade. Dois mil reais, por enquanto, é moedinha.

terça-feira, setembro 04, 2007

Monogamia: novos argumentos,
velha discussão

O Mito da Monogamia é o título que chegou às prateleiras brasileiras no início do mês de agosto e que, desde o ano passado, nos EUA, vem botando lenha nova num braseiro aceso desde o início da humanidade. O casal monogâmico David Barash e Judith Lipton tentam atestar, por meio de sérias pesquisas científicas, que o casamento não passa de uma união de fachada para a maioria dos seres humanos. Segundo os autores, os homens são polígamos por natureza e as mulheres naturalmente infiéis.
O argumento biológico em favor da multiplicidade de parceiros não é novo, mas nas páginas deste livro ganhará força pela amplitude das pesquisas no reino animal em diversos espécimes, desde macacos a moscas. É claro que não esqueceram de adicionar às páginas os argumentos antropológicos sempre citados pela classe literária mais culta, da comodidade e da conveniência das sociedades modernas na gestão de bens e na criação de filhos como sendo os principais motivos para a sustentação do modelo monogâmico.
Agita-se os ingredientes e sai aí mais um campeão de vendas que fomenta a mídia, movimenta o mercado, evidencia os autores, municia mentes fracas, alivia a culpa dos adúlteros e anima os papos de botequim.
"Os infantes têm a sua infância. E os adultos? O adultério." Não é a primeira vez e nem será a última em que ouviremos atrocidades como esta em favor do desmantelamento progressivo da instituição do casamento como conhecemos hoje, mas, com certeza, o que sistematicamente se faz é ignorar que a argumentação da comodidade socioeconômica como fundamento de "uma utopia", esbarra no fato de que em séculos anteriores, em todas as culturas, a poligamia foi a melhor e mais coerente forma de união conjugal por causa dos perfis políticos, militares, econômicos e diplomáticos que possuíam. Raríssimas vezes esses relacionamentos fundaram-se sobre o amor entre os cônjuges que de forma alguma se escolhiam. E isto era relativo apenas às camadas mais altas das sociedades - pobres nem casavam-se. Ignora-se o fato de que a mulher era, e ainda é em muitas culturas orientais que sustentam a poligamia, vista como propriedade de seu marido. Foram as evoluções cultural, intelectual e religiosa, esta última pelo Cristianismo, que amplificaram o feminino grito de liberdade e que aplainaram a estrada da monogamia ainda no primeiro século AD. Foi justamente a liberdade, não a comodidade e a conveniência, que deu poderes ao amor exclusivo e exclusivista entre homens e mulheres.
Os novos argumentos biológicos são, no máximo, curiosos. Comparar a complexidade dos relacionamentos humanos à cópula de moscas e ao bacanal de primatas é tão tosco quanto tentar justificar infanticídios ou várias outras selvagerias humanas pelo mesmo argumento de similaridade.
De verdade, não há nada de novo nessa novidade científica e literária. A Bíblia, há mais de 1900 anos, afirma que, biologicamente, somos não somente adúlteros, políginas e poliândricas, como também homicidas, ébrios, egoístas, invejosos e coisas semelhantes. Mostrar, portanto, que tudo isso é inerente ao ser humano não tornou nenhuma dessas características agradáveis ou mesmo socialmente aceitáveis durante todos esses séculos.

"Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo." Efésios 5.28

terça-feira, agosto 28, 2007

Kant e a cafeteira do Jornal do Brasil

Conta-se dos tempos áureos daquela redação de um funcionário que viu uma incrível máquina de café. Maravilhado, afirmava que a cafeteira não somente fazia o café como também servia o copo, o adoçante e que ainda punha a colherzinha para que o café fosse agitado. O pobre homem sofreu durante anos com o menosprezo dos colegas que, com muitos risos e piadas, o desmentiam... Na década de 70, o JB adquiriu um modelo da tal cafeteira, mas o mentiroso já não fazia parte da equipe. Não houve tempo para retratações.

"De modo que para afirmar que algo existe não é suficiente ter a idéia deste algo, mas, ademais, há de se ter a percepção sensível correspondente; tê-la ou poder tê-la. É assim que de Deus não temos e não podemos ter a percepção sensível correspondente; logo não podemos, em virtude de sua idéia, afirmar sua existência." Immanuel Kant (1724-1804)

Foi exatamente esse o argumento utilizado para ignorar a existência de algo concreto e palpável para qualquer um de nós nos dias de hoje. Se não há percepção de forma alguma, então atribui-se inexistência. A incongruência está no próprio relativismo de Kant, que afirma que tudo é relativo às percepções pessoais.
No pequeno exemplo do JB, o erro foi desconsiderar o testemunho do amigo, uma vez que a existência da cafeteira era relativa somente à experiência daquele que vivenciou algo diferente e distante daquele universo. Num caso mais amplo, o erro do próprio Kant também foi desconsiderar o testemunho daqueles que estavam distantes, não no espaço, mas no tempo muito anterior ao dele e ao nosso.
David Hume afirmou que nossas percepções sensíveis são nada mais que nossas e que não lhes correspondem nada fora de nós. Kant, que influenciou-se muito por sua literatura, prendeu-se somente à “percepção” e esquecendo-se desta “relatividade”.
Talvez para ele não tenha sido possível, como também não será para muitos dos que crêem exatamente como ele, retratar-se ao finalmente perceber que a imperceptível cafeteira existe mesmo.

"Depois disse a Tomé: Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não mais sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os [sem percepção] que não viram e creram." João 20.27-29

quarta-feira, julho 25, 2007

Que se dane!

É, eu preciso dizer mais isso, sabe? Importo-me demais com coisas ridículas. Que se dane a opinião alheia. A partir de agora quero não mais perder oportunidades de dizer escrachadamente "eu te amo" para quem amo mesmo. Que se dane se vou me tornar chato ou correr o risco de vulgarizar as tais palavras de amor - não tenho compromisso nenhum com palavras. Tenho, sim, comigo. Vou dizer que amo não por causa de quem é amado. Vou dizer por causa de mim, por egoísmo mesmo. Somente para minha gratificação, para meu próprio deleite quero abraçar e beijar os meus.
Quero ligar mais para dizer abobrinhas. Quem sabe até enviar e-mails bobos para os que me são caros demais. Que se dane se alguns vão me achar meloso e outros farão chacota, até porque, possivelmente, é exatamente por essa característica que os amo.
Que se dane o natal, o ano novo, a páscoa, os aniversários e quaisquer outras datas festivas. Eu vou é tirar proveito de qualquer situação para dizer aos meus familiares, amigos e até aos colegas de trabalho que eles são importantes para mim, que preciso muito de cada um deles e que se por qualquer motivo não vê-los mais, vou sentir muita falta. Quem sabe dessa forma não me sinta tão roubado no coração se me separar de quaisquer deles.
Quero falar mais, e mais abertamente, do Evangelho de Cristo. Falar que Jesus está vivo, sim, e que é verdadeiro. Que é o único mediador entre Deus e os homens que se sacrificou em nosso lugar, que seu sangue lava todos os nossos pecados, que nos ama individualmente e quer ser o melhor e mais fiel amigo e Senhor de cada um de nós. Farei isso não com aquele nobre e elevado intuito de cumprir a missão de pregar o Evangelho, mas por mim mesmo, para que eu alcance o privilégio, o prazer e a alegria de, onde eu estiver, ter todos eles sempre perto de mim. Tudo movido por egoísmo. Paulo disse que importa é que seja pregado.
Vou dizer para os meus irmãos, os de ventre e os de sangue, que mesmo que eles me desapontem, mesmo que discorde deles, mesmo que me entristeçam e até mesmo se nos desentendermos, acima de tudo, eles são meus irmãos e eu não abro mão de nenhum deles. Com humildade pedirei que façam exatamente o mesmo por mim e que tenham sempre muita paciência comigo porque sei exatamente que tipinho de gente eu sou.
Se meu comportamento causar estranheza, que se dane! Insistirei em amar e não mais abster-me em demonstrar o quanto sou carente dos meus.

"Portanto, meus irmãos, a quem amo e de quem tenho saudade, vocês que são a minha alegria e a minha coroa, permaneçam assim firmes no Senhor, ó amados!" (Fl 4.1)

terça-feira, julho 17, 2007

"Meu sonho de consumo não
vai me consumir"

Seja feliz num carro X! Peça já o seu cartão Y Platinum! Venha para o Residencial Z e descubra o prazer da vida! Compre! Possua! Ostente!
O vencedor, o que alcança sucesso, é aquele que trafega num carro de luxo, que tem talão de cheques exclusivo do banco que só aceita ser chamado de bank, que mora num desejável bairro, num imóvel caro e mobiliado com tudo que tenha botões luminosos, detalhes cromados ou acabamento em aço inox escovado. É dessa forma que assimilamos, diariamente e por todos os poros, que a felicidade consiste no prazer dos bens. A massificação é tanta que mesmo uma mente consciente pode falhar e permitir que as emoções sejam tomadas.
Acabei de ler "Bens e bênçãos" em Ponto Final, coluna de Rubem Amorese, em Últimato, e pude notar que não sou o único ingrato incitado pelo mundo à insatisfação pelos desejos de aquisição não realizados. Basta deixar levar-se pela carne um instante, e logo agimos segundo o curso deste mundo, tornando-nos insensíveis às muitas bençãos de Deus. Rapidamente esquecemos da grandeza que há na companhia dos amigos, dos irmãos, e da mulher e filhos com quem dividimos os dias. Perdemos o prazer no teto sob o qual dormimos em paz, na comida à mesa, na água limpa para se banhar e beber, nas roupas limpas, na profissão, emprego e salário conquistados; na lua, nas estrelas e na aptidão dos olhos em vê-las; nos dias de sol ou de chuva que refrescam as ruas nas quais podemos andar e correr livres de correntes, muros ou carcereiros.
Na verdade, meu irmão Rubem, eu também cochilei, mas acordado pela comunhão contigo, pude lembrar que o coração do ganancioso desfalece por aquilo que não tem, mas coração do sábio se alegra na esperança e na gratidão.

"Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei." Hebreus 13.5

O título é trecho da música “Meu verso tem poder” – Pregador Luo

segunda-feira, julho 09, 2007

A vida é assim - Parte 5


Pr. Ricardo Gondim - Você vai morrer!

sexta-feira, julho 06, 2007

Republicando

"Amigo, a que vieste?"
Certamente, como os demais, atendeu prontamente o chamado do Mestre. Andou junto, comeu junto, viveu junto e tinha muito em comum. Judas Iscariotes foi chamado de amigo, tratado como amigo e foi, sim, amigo de Cristo.
A ele foi confiado o dinheiro que mantinha o ministério de Jesus – e desfaçamo-nos do comum engano: Jesus não era pobrezinho e seu ministério não custou barato. Judas lidava com boas quantias e o amor ao dinheiro foi seu tropeço. Os pequenos furtos às reservas ministeriais tornaram-se insuficientes e as falhas tornaram-se traição. A ganância o consumiu e tragou-lhe a fidelidade.
Foi amigo mesmo e, dando-se conta do mal que cometera, não resistiu e enforcou-se, cometendo aí seu maior e verdadeiro erro: entregar-se ao remorso em vez de buscar o legítimo arrependimento. Em poucos dias, havendo o amigo ressuscitado, teria alcançado o perdão que, entretanto, somente Pedro recebeu.
Muito cedo, ensinaram-me óbvia mas importante lição de vida: só os que lhe são caros, são capazes de ferir-lhe a alma. Inimigos não decepcionam e não traem. Fazem apenas aquilo que deles esperamos. São as pessoas que amamos que nos machucam, nos ferem e nos fazem chorar dolorosamente. São os amados que nos dão ou tiram o prazer e o desejo pela vida.
O outro é sempre um imprevisto, e isto torna caro cada minuto investido num relacionamento. Todo passo dado na mesma direção ata vidas por meio da cumplicidade, do alvo mútuo e da partilha das conquistas. Cada instante dividido faz a alma ceder espaços até o ponto de misturar as personalidades, os gestos, pensamentos e convicções. É por todas estas razões que não há relacionamentos sem dores. Se "amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito", qualquer disfunção não sanada mata. Sua feridas sangram até morte ou cicatrizam-se pela reconciliação –um bálsamo exclusivo do arrependimento e do perdão.
Do arrependimento - porque este clama incessantemente pelo perdão e torna viável a aceitação daquele que falhou; oferece à cicatrização a confissão e abandono do erro, distinguindo-se sobremaneira do remorso, que gera vergonha, fuga e tormento, anestesia as emoções, impossibilita o choro e não impede a reincidência. Arrependimento é a semente que gera vida onde, sob quaisquer outros aspectos, só havia possibilidade de morte.
Do perdão - porque este é a capacidade sobre-humana do amor de não considerar o dano em prol da reintegração, reinserção e reatamento. É o ensino de Cristo registrado em Lucas 6.29: desconsiderar a ofensa a ponto de pôr-se em risco de sofrê-la outra vez. Diante de um legítimo arrependimento, perdoar não é uma opção, mas um mandamento que nos aproxima de Deus e nos viabiliza também seu próprio perdão.
A reconciliação é, desse modo, o fruto natural do arrependimento que encontra o perdão. É o milagre que faz o cristal outrora quebrado novamente íntegro, que zera dívidas, apaga mágoas e lança os erros no mais distante passado. É ela que veste com a melhor roupa, põe o anel no dedo e as sandálias nos pés.

Amigo, te agradeço por me conduzir ao arrependimento e me ofertar, todas as manhãs, o teu grande perdão. Irmãos, me amem e sejam pacientes comigo. Eu preciso de vocês.

"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas". Mateus 6.12-15
Marcelo Belchior - 12.2005

sexta-feira, junho 29, 2007

Tem pai que é cego

"No meu tempo, quando um rapaz tinha a oportunidade de sair com um carro, era para paquerar as garotas - elas adoravam um passeio, e a privacidade para braços e abraços era incomparável. Agora, os garotões-dos-papais têm carro para botar mais 4 machos da espécie dentro e sair por aí batendo em mulheres."
Sábias palavras de Utahy Caetano, meu editor-chefe.

terça-feira, junho 05, 2007

Infinita Aquarela


Clique para assistir o vídeo
Vídeo original dos sites www.mundodacrianca.com / www.laboratoriodedesenhos.com.br

Aquarela é sem dúvida uma das músicas mais bonitas da MPB e uma das composições mais felizes de Vinícius e Toquinho. A letra incita uma identificação imediata com a narrativa logo na primeira estrofe. Quantas vezes já desenhamos um sol amarelo e fizemos casas e castelos? Quem nunca tentou os riscos de um belo e azulado céu com gaivotas e, no mar, um grande barco a velejar? Quantos aviões de todas as cores e formas já fizemos para nós e nossas crianças? Esta canção é mesmo belíssima e sua linda melodia dificulta a percepção de um triste final – a vida descolorirá.
A doce voz de Toquinho embala uma letra cheia do vazio existencial do homem sem Deus. O futuro, o amanhã, é incerto e poderá impiedosamente trazer dores. Não há esperança no porvir, e tudo de mais belo e puro que a vida tem um dia se perderá na incolor inexistência.
Não, Toquinho! Não, Vinícius!
O nosso grande erro é tentar pilotar essa tal astronave. Isso, sim, não nos cabe, porque não somos capazes de sozinhos desviar da rota do pecado, o tal muro em que todo menino e menina chega. E é ele, o pecado, que entra sem pedir licença e sem piedade muda nossa história, sempre nos convidando a chorar - jamais a rir. O criador de todas as coisas, no entanto, nos traçou um melhor e mais excelente plano de voo.
Permitamos que Cristo comande nossas vidas, que em suas mãos estejam nosso presente, passado e futuro, pois nele está toda a esperança da humanidade. Nele, os dias mais terríveis resumem-se em leve e momentânea tribulação, e as alegrias e prazeres revelam-se ínfimos diante da glória que nos propõe.
Permitamos que o filho de Deus seja o piloto da astronave para que a linda passarela nos ligue à morada daquele que em muito amor nos gerou e não à incerteza monotônica da morte eterna.
Sim, Vinícius! Sim, Toquinho! Nós sabemos bem ao certo onde vai dar nossa estrada. Quando lá chegarmos, tudo ganhará novos tons mais vibrantes e alegres, pois ele é a luz – fonte de todas cores. Em Cristo a vida nunca descolorirá.

"Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." João 8.12

Marcelo Belchior – 06/2007

quarta-feira, maio 16, 2007

Se os seus olhos forem bons

Em Mateus 6.22,23 e em Lucas 11.34, os contextos são distintos, mas a mensagem é única. Olhos bons possibilitam uma visão correta em cada momento da vida, fornecem a capacidade de enxergar o valor daquilo que se possui, de ver as coisas e as pessoas como elas realmente são. Olhos maus embaçam até os dias bons, distorcem valores e atribuem falsas percepções a respeito das pessoas que estão diante de nós, e, particularmente, é este último ponto que mais me atrai: a forma como enxergamos os relacionamentos. Se os fariseus tivessem olhos bons, conseguiriam enxergar que tinham diante de si o tão esperado Messias de Israel, sem a necessidade de mais nenhum sinal miraculoso.

Bons olhos são determinantes na forma como enxergamos os outros. A batalha de I Samuel 17.48 foi decidida na forma como se viram um ao outro. Quiçá Golias escapasse com vida se não tivesse olhado com desprezo para seu oponente. Davi viu no gigante filisteu, terror dos homens de Saul, apenas um grande alvo desprotegido e enganado por seus falsos deuses.
Olhos acurados também poderiam ter evitado a expulsão de Jefté da casa de seu pai e a posterior humilhação em ter que trazê-lo de volta. O olhar altivo dos líderes de Gileade em nada foi útil e Jefté não apenas herdou os bens de seu pai, mas reinou por seis anos em Israel. Quando nossos olhos são bons, todo o corpo tem luz e não nos permitimos menosprezar as pessoas. Principalmente os irmãos.

Bons olhos são também determinantes na forma como reagimos à visão que outros têm de nós. Sem eufemismos, talvez Labão imaginasse: Como casarei Lia? Quem se interessará por ela? Mas não importou como parentes, serviçais, amigos e até marido olharam para ela; no fim da história, valeu somente como Deus olhou para Lia. Onde eu e você, talvez maldosamente, veríamos apenas uma mulher feia entregue como peso bônus num casamento, Deus viu a mãe de todas as tribos de Israel, do rei Davi e do próprio Senhor Jesus. Quando nossos olhos são bons, todo o corpo tem luz e diante de olhares adversos respondemos também que "...pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano[...] pois quem me julga é o Senhor".

Por fim, bons olhos são determinantes na forma como enxergamos a nós mesmos. A visão correta dos fatos permitiria que Zedequias enxergasse que Deus nunca morou em tendas feitas por homens e que Sua presença já há muito havia se afastado de Israel. Nabucodonosor não somente tomou Jerusalém como também queimou o santo templo no qual o rei e o povo punham sua confiança. Bons olhos também teriam permitido ao tolo querubim guardião perceber a obviedade de que "o servo não é maior que o seu senhor" e seu coração seria livre da soberba causada por seu próprio esplendor. Quando nossos olhos são bons, todo o corpo tem luz e não nos atribuímos valor maior do que possuímos para que também não ouçamos que somos "um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu".

Há muita deficiência entre nós na forma com que relacionamo-nos. Sim, eu creio que fomos tocados pelo Senhor, mas, como o cego em Betsaida, ainda vemos "homens como que árvores andando" e precisamos que sobre os nossos olhos Ele nos toque mais uma vez.
Dá-nos bons olhos, Senhor. Precisamos ver o mundo, os fatos, os dias e as pessoas como o Senhor vê.

"Perguntou ao cego: Que queres que te faça? Respondeu-lhe o cego: Mestre, que eu veja". Marcos 10.51

Marcelo Belchior 05.07

sexta-feira, abril 13, 2007

Valeu, Senhor!

Valeu a pena... valeu cada instante até aqui.
Valeu a pena ter vivido dias que não quero nunca mais viver.
Eu percebo que foi bom tomar uma surra dos meus pais cada vez que desobedeci ou "aprontava das minhas"; aprendi a respeitá-los, a amá-los, a seguir as regras e saber que meus direitos e desejos têm limites. Foi bom viver uma pré-adolescência introspectiva; foi nela que descobri que o Senhor entra onde ninguém mais pode entrar e que nunca me deixa sozinho.
Foi bom ter casado muito cedo, Deus; o Senhor me livrou da minha delinqüência, da soberba e presunção juvenil, salvando minha vida.
Foi bom experimentar uma crise existencial; por causa dela que eu te busquei de verdade, e te achei. Eu nasci de novo.
Foi bom sentir dificuldades em me "derramar" diante do Senhor; aprendi que tua Palavra é verdadeira – se o Senhor falou que está comigo todos os dias é porque está, independente das minhas sensações.
Valeu viver decepções dentro da igreja; aprendi que todos erramos e todos precisamos da tua misericórdia. Valeram os dias de letargia e desânimo; percebi o quão palpável é a tua Graça e que tua mão nunca se recolhe de sobre minha cabeça, que meu comportamento, meu dinheiro, minha liturgia e religiosidade não te atraem, mas, sim, o sangue do teu Filho sobre mim.
Valeu, Deus! Valeu o desapontamento; eu descobri novos e melhores rumos institucionais.
Valeram as dores, pois elas me fizeram crescer na tua direção; valeram as fraquezas e debilidades, elas me ensinaram a te buscar com mais zêlo e mais força... valeu tudo, Senhor, e vai valer sempre se no final eu encontrar os teus braços.
Que as tristezas e alegrias me conduzam sempre na tua direção, meu Deus. Eu só tenho motivos pra te amar.

quinta-feira, março 29, 2007

Justiça

Fábio Teixeira
Todos clamam por justiça. Não é possível tanta impunidade. Não é aceitável que nossa terra tão garrida e mãe gentil tenha se tornado, irremediavelmente, uma madrasta no sentido waltdisneano da palavra, privilegiando seus enteados de caráter corrompido e matando seus inocentes filhos de fome e sede de justiça.
Este nó na garganta não pode ser desatado pelas unhas do esquecimento e da omissão egoísta que nos dá a impressão de estarmos blindados contra o mal. A justiça exige uma ação corretiva para todos os que maculam a ordem social. Nós, brasileiros, exigimos justiça. Com gosto de sangue na boca, punhos cerrados, coração ferido e um ar de desencantamento pelo atual estado de saúde da pátria, que insiste em não se deixar medicar.
Triste é a realidade.
Deus é justo e justificador. Mesmo diante das infâmias humanas Seu amor renova-se a cada manhã. Olhando pra este amor ainda podemos ver a esperança. O Sol da Justiça raiará, um Reino de justiça haverá, Cristo voltará. O Justo Juiz julgará a todos, grandes e pequenos, opressores e oprimidos, fortes e fracos. Nesse dia nada justificará os injustificáveis, nenhum dinheiro sujo limpará as roupas sujas da iniqüidade de ninguém. Diante Dele não há propina, não há mentira, não há cara de pau, pois Ele nos enxerga de todo. Neste dia o joio e o trigo serão de fato separados e os que têm sede e fome de justiça serão saciados.
O dia da vingança de nosso Deus há de vir.
Saúde e paz.

Original de www.menteiluminada.blogspot.com

quarta-feira, março 14, 2007

Dois tiros

Não, não é a mais um caso carioca que me refiro, mas aos dois últimos polêmicos tiros da igreja católica. O mais recente foi disparado pelo sumo-pontífice romano: "segundo casamento é uma praga social". E é mesmo.
Babo de inveja da coragem demonstrada por este líder religioso ao lançar-se no caminho oposto de inúmeras sociedades para reafirmar valores cristãos da instituição que dirige, sem nenhuma chance de negociação ou "jogo de cintura". Uma pena que líderes evangélicos não sejam tão firmes. Não somente aceitam, como também vivem múltiplos casamentos.
A Bíblia admite o divórcio somente porque nossos corações são duros, mas quanto ao casar-se de novo é bem clara - trata-se de adultério. Se não dá mais para viver com aquele(a) que outrora era um grande amor, viva só. Ou reconcilie-se. É porventura dura demais para você esta palavra? Então não considere-se cristão, pelo menos não Católico Apostólico Romano. Bom disparo.

O outro tiro foi de Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB: "A camisinha faz com que as pessoas façam do relacionamento sexual momentos sem nenhuma conseqüência”. Com isso eu descordo.
O preservativo de latex não estimula ninguém a nada. Independente da distribuição de preservativos, as pessoas estão cada vez mais promíscuas. O resultado é um número cada vez maior de infectados de toda sorte de doenças sexualmente transmissíveis que se penduram no dinheiro público para financiar seus tratamentos médico-hospitalares. Cabe então ao Estado defender os cofres públicos, livrando-nos de custear mais e mais coqueteis de comprimidos.
À igreja cabe apontar o pecado, suas conseqüências, e um novo caminho para o pecador.
Os papéis institucionais são claramente distintos: quando a igreja diz "não use camisinha", ela está dizendo que precisa haver mudança na vida das pessoas; e quando o governo diz "use camisinha", ele está dizendo que não tem como arcar com as despesas de uma juventude desorientada.
O governo sabe que seria ineficaz levantar a bandeira da "moral e dos bons constumes" para conter os gastos do Ministério da Saúde. O que lhe resta é, se não à causa, o combate ao efeito, distribuindo borracha para quem queira.
Quanto a igreja, faz-se necessário a percepção que a mania de catequese é perniciosa. Querer se utilizar do Estado como ferramenta de conversão nos dá trajes de ignorância e hipocrisia, não combate a causa e, muito menos, o efeito. É o tiro que sempre sai pela culatra.

Marcelo Belchior 03.07

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Brasil – eu não acredito mais.

Deus, dá-nos uma semente de revolta!
Só uma convulsão social muda os rumos desse país.

quarta-feira, novembro 22, 2006

"É fim do mês, é fim do mês"

Não tenho facilidade de escrever e por isso preciso de muitas horas disponíveis para tal atividade. Como dezembro é para mim mês impraticável, encerro com este post o mês de novembro e também o ano de 2006. Ficaram na gaveta textos que quero muito escrever por necessidade pessoal de desenvolvimento temático. Entre eles: "A fé prática de Abrahão", "Igreja - a Rebeca de Cristo", "O pequeno deus da teologia relacional" e tantos outros títulos e temas que estão simplesmente no rabisco ou na cabeça... deixa vir 2007. O próximo semestre será mais light com minhas tarefas de trabalho.
Ao que por aqui passar deixo meus votos de um bom natal e um bom reveillon, seguidos do meu verdadeiro desejo que cumpra-se ao seu respeito as palavras da Carta aos Romanos no capítulo 8 versos 29 e 30. Fui!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Amarás pois... demonstrando amor

Nenhum relacionamento se mantem vivo e verdadeiro somente sob declarações de amor e de afeto. Faz-se extremamente necessário e saudável que os sentimentos sejam, sempre que possível, demonstrados em práticas. Quem ama tem prazer em não somente dizer que ama, mas também em demonstrar de tantas maneiras quanto for capaz a verdade e a força do sentimento que traz na alma. Por sua vez, a pessoa que é alvo desse amor tem prazer em ouvir, ver e sentir que é amada.
Relacionar-se com Deus não é em nada diferente disso. Ele também exige amor verdadeiro, declarado e demonstrado. Declarações vazias e religiosas de amor e afeto não o atraem de maneira alguma – "Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor" Isaías 29.13.

No último livro do Pentateuco, Moisés já expressava, de forma resumida e clara, a necessidade do amor vivo por Deus (Deuteronômio, capítulo 6 verso 5) e muitos séculos depois, Jesus faz menção desse trecho adicionando um resumo dos versos subseqüentes (7,8,9), incluindo "com todo teu entendimento" ao Escrito. Assim, sob o "crivo" do Filho de Deus, temos registrado no Evangelho de Marcos o maior mandamento de todos. Vejamos-o por partes:

Ame o Senhor teu Deus de todo o teu coração
Com sinceridade, com zêlo e entregando-se a ele por inteiro.
Vide: IICrônicas 34.31, Jeremias 29.13, Salmo 119.2 e 69, IReis 8.23.

Ame o Senhor teu Deus de toda tua alma
Com todo teus sentimentos, apegando-se a ele com gratidão e admiração.
Vide: I Samuel 1.15, Salmos 34.2 e diversos pontos em Salmos 103,104,105 e 145

Ame o Senhor teu Deus de todo teu entendimento
Sem desprezar ou esquecer sua Palavra, fazendo dela, todos os dias e em todos os momentos, norteadora da tua própria vida.
Vide: Salmo 1.1, Salmo 119.11-14, Rm 12.2, Jo 14.21

Ame o Senhor teu Deus de todas as tuas forças
Com tenacidade, em qualquer situação, sob qualquer custo, ame-o sempre.
Vide: Jó 19.25-27, Hc 3.17 e 18; Hb 12.3 e 4

Resume-se aí a conduta, os sentimentos, a razão e a resistência do amor que Deus espera de nós. Amor que não se apresenta sob o hábito da religião ou sob regras humanas de comportamento; amor que admira, que exalta e se alegra em gratidão; amor que se aproxima, que conhece, que entende e busca aperfeiçoamento; amor que resiste intempéries, mentiras e insegurança e triunfa sobre todos os sofrimentos.

Não nos iludamos: Deus não se deixa enganar. Não há como tratá-lo com hipocrisia. Se nele cremos, relacionemo-nos pois com ele amando-o como também gostamos de ser amados.

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.
Evangelho de Marcos, capítulo 12 verso 30.

Marcelo Belchior - 1/11/2006

quinta-feira, setembro 21, 2006

Deus é biologia – Jesus é história

A fé cristã por razões racionais Sua marca está em todo universo e, em tudo que vemos, quanto mais conhecemos, mais precisamos admitir sua existência e domínio. "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Salmos 19.1 Quanto mais a ciência desenvolve-se, menos pode afirmar que não há provas da existência de Deus. Assim, agora o rotulam como LUCA(1) (Last Universal Common Ancestor — Último Antepassado Comum Universal). Antes, quando o átomo era indivisível, as moléculas lineares ainda não falavam em hereditariedade, e a filogenia não gritava a impossibilidade da abiogênese, crêr em Deus era uma piada. Agora, no entanto, a piada é crer no relacionamento com algo que julga-se ser essencialmente impessoal. "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu." Romanos 1.18-21 Seja feito o que bem desejar para que não se admita que somos obra de um criador que brilhantemente ordenou e destinou (deu finalidade) todas as coisas, sabendo, porém, que é cada vez mais necessário ter fé para adotar esta posição do que para crer nas palavras do autor hebreu que há 3400 anos disse que "no princípio criou Deus os céus e a terra" (2). Inevitavelmente, quanto mais estudarmos e analisarmos suas obras, mais seremos obrigados a concluir que Deus é vivo, verdadeiro e magnífico em seus feitos. Tentamos coisificá-lo, pois se admitirmos que ele existe, teremos também que reportarmo-nos a ele para saber quais são seus intentos em nós, o que o agrada que façamos e o que fará de nós, e essa é uma verdade dura demais para admitirmos. Quando baixamos nossas resistências, nos rendemos ao óbvio e confessamos Deus. Cremos, também por meio dos registros históricos judaicos, que não fomos desprezados e que nele há todo o interesse em interagir e relacionar-se individualmente conosco: "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." Isaías 59.1-2. No entanto, para que não estivéssemos eternamente afastados de Deus, ele mesmo providenciou-nos redenção. A história, através do testemunho escrito dos apóstolos, afirma que Deus enviou seu "Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna"(3). Tais escritos sobreviveram à guerras, perseguições, distorções e traduções maldosas, para que as vozes dos antigos não se calem diante dos homens e das gerações e, por isso, hoje ainda nos afirmam: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. [...] Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus [..] E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia. Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." João 1.1-17
Quando damos ouvidos a estas palavras temos a convicção de que não somente existe um Deus como também este Deus está profundamente interessado em sua criação e que, por nutrir por nós um grande amor, enviou Jesus para que por meio do seu sacrifício tenhamos religação com ele. A história da humanidade admite Cristo, e a Palavra, unida ao testemunho da Igreja, afirma que este mesmo Jesus ressuscitou e vivo está, e vem mais uma vez entre os homens para buscar aqueles que nele esperam e confiam, que creem que ele é não um guru ou simplesmente um sábio filósofo judeu, mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo(4), a fim de que os salvos estejam eternamente com ele. É por meio de registros históricos que Cristo continuamente nos diz: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Apocalipse 3.20 Somos, portanto, profundamente racionais ao crer em Deus e em nosso salvador, seu Filho Jesus Cristo.

Você está convidado à uma reflexão livre de conceitos pré-estabelecidos e culturalmente herdados. (1) Wikipedia.org (2) Gênesis 1.1 (3) João 3.16 (4) João 1.29 Marcelo Belchior 09.06

terça-feira, setembro 12, 2006

"Que tenho eu contigo, Jesus,
Filho do Deus altíssimo?"

Não, eu não sou uma legião de espíritos e também não há uma vara de porcos nas proximidades (MC 5.1-15). Essa frase, no entanto, poderia também ser minha, não por temor, mas por um genuíno espanto ao deparar-me com Cristo no porvir, caso acreditasse na teoria da “amnésia celestial”.
Explico: é comum entre os cristãos crer que, ao encontrar-se com Deus no Paraíso, ninguém mais lembrará de coisa alguma. Nem de fatos, nem de pessoas.
Fantasio este Céu de desmemoriados: não há, obviamente, tristezas nem dores pelos entes queridos que não creram no único Mediador e Salvador ofertado por Deus. Não há pranto por aqueles irmãos que não se mantiveram firmes em seus propósitos com Cristo. Não há lembranças de nossas gafes teológicas, multiplas denominações e doutrinas estapafúrdias. Neste Céu, também não lembramos mais das hierarquias sociais, religiosas e familiares, e somos todos, igualmente, filhos de Deus, pois Jesus, seu poderoso Filho, nos salvou. Só não sabemos exatamente do que.
No Céu dos desmemoriados não haverá a alegria da salvação, o júbilo de vitória, os abraços apertados dos irmãos que, em Cristo, venceram o pecado e a morte e alegremente ceiam com seu Senhor na glória. Nada de lágrimas de felicidade ao encontrar velhos irmãos e entes amados que antes morreram. Neste Paraíso não vai haver aquele sonhado abraço e aquele beijo tão esperado no rosto do Senhor Jesus, seguido do nosso "muito obrigado" por tão grande salvação ofertada. Nada de dores, nada de traumas, nada de saudades, mas também, nada de gratidão.
Assim, o Paraíso ficará mais pobre, mas estaremos livres de chorar por aqueles que rejeitaram o Filho do Deus altíssimo e seu magnífico sangue derramado como prova de um amor que ninguém jamais sentirá por nós. Neste Céu, preferiremos não saber quem exatamente Cristo é, para, na verdade, somente não sofrermos por aqueles que, muito menos que ele, nos amaram.

Marcelo Belchior 09.06

segunda-feira, setembro 04, 2006

Me ajude, Supernanny!


Original da matéria: http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_54983.asp

Parece engraçadinho ouvir isto de pais desorientados, nas tardes de domingo do SBT. Mas não é.
Supernanny é um dos retratos mais tristes da moderna educação de filhos.
Pais que não impõe limites às crianças, não imporão aos adolescentes.
As 3 meninas que estavam no carro da foto acima tinham entre 16 e 17 anos. Eram 5:40 da manhã.
Quiçá uma educação à moda antiga não teria
poupado-lhes a vida?

segunda-feira, agosto 28, 2006

“Vejo flores em você”

Vou também dizer que te amo e que entre nós nem tudo é desgosto; que apesar dos nossos dissabores, você é linda e amável; que você é cheia de alegria, de sorrisos abertos, de palavras de afeto, de brincadeiras entre amigos, de apoio em momentos difíceis e abraços nas vitórias do dia a dia. Sim, você é linda! Vou também dizer que foi com você que conheci o maior amor do mundo; que foi você que me conduziu ao que está escrito e que, mesmo correndo o risco da divergência, me ensinou e incentivou a pensar sozinho. Você me enriquece, me instrui, me amadurece. Sim, você me acrescenta! Vou lembrar que eu também estou em você, e só isso já é suficiente para impedi-la de ser perfeita. Vou também considerar que embora você me rotule, me imponha bandeiras e logomarcas, é em você que consigo um vislumbre das miríades de miríades dos comprados com o sangue do Cordeiro. Preciso não somente criticá-la, mas também dizer que te amo, igreja. Sim, você é muito preciosa para mim. Marcelo Belchior – 08.2006

quinta-feira, agosto 10, 2006

Quanto custa, Deus?

Deus, quanto custa tua mão sobre mim? Quanto custam teus ouvidos atentos à minha voz? Quanto custa o cumprimento da tua Palavra? Quanto custa teu suprimento em alimentos, roupas, abrigo, saúde, segurança e paz? Quanto custa tua guarda durante as noites violentas, Deus? Quanto custa viver em amor com aqueles que são preciosos? Quanto custam o emprego, o salário, os amigos e irmãos amados sempre à volta? Quanto custam todas as tuas incontáveis bênçãos? Com quanto eu posso te comprar, Deus? Quanto eu devo pagar pelo perdão dos meus pecados? Quanto eu te devo pela tua longanimidade, tua paciência e misericórdia todos os dias? Quanto custa teu amor, Deus? Teu carinho? Teu zelo? Tua Palavra? Quanto custam os dias? Quanto custam a lua, o sol, as estrelas, o mar, as serras e montanhas? Quanto custam a luz que entra pelos meus olhos, os sons que captam os meus ouvidos, ou o perfume da minha mulher e dos meus filhos? Quanto eu te devo pela salvação, Deus? Que tipo de negócio vantajoso eu posso fazer contigo para possuir mais do que o Senhor, liberalmente, tem me dado? Que tipo de negociata eu e o Senhor podemos fazer? Quanto é minha parte nesse esquema? Quem primeiro te deu para, então, ser retribuído, Senhor? Quem foi o homem que te comprou com ofertas e dízimos? Quanto o Senhor cobra para ser justo, bondoso, amável, misericordioso e fiel salvador? Quanto custa para o Senhor nos amar e aceitar como somos? Quem pode te comprar, Deus? Quem pode comprar teu favor? Tem compaixão de nós, Senhor, e dos homens que insistem em engordar com carne de ovelhas magras. Sacerdotes que encheriam de vergonha o profeta Malaquias pela inversão da injustiça na Casa do Tesouro. Homens que se distanciam cada vez mais da realidade do povo, conduzindo ovelhas sem andar com elas, sem saber e vivenciar o cotidiano da massa que lideram. Induzem o povo ao desejo desenfreado de posses, conduzindo-os à incapacidade de serem gratos por tudo que já possuem e diariamente recebem. Furtam das ofertas a beleza da gratidão verdadeira, transformando-as em rentáveis negócios com o Todo Poderoso. Distorcem o dever de manter a tua Casa e aqueles que nela trabalham, transformando os dízimos em dívidas com cruel sistema de cobrança baseado numa exegese grosseira. Líderes que mantêm o povo constantemente sob os domínios do medo e das falsas promessas para, em vez de promover o equilíbrio proposto por Malaquias e Paulo, concentrarem riquezas. Tem misericórdia de todos nós, Deus. Ensina-nos o teu conceito de prosperidade. Abre os olhos do teu povo e não nos deixe perder a capacidade de ver o quanto somos abençoados por ti todos os dias. GRATUITAMENTE.

"Porque, se há prontidão de vontade, é aceitável segundo o que alguém tem, e não segundo o que não tem. Pois digo isto não para que haja alívio para outros e aperto para vós, mas para que haja igualdade, suprindo, neste tempo presente, na vossa abundância, a falta dos outros, para que também a abundância deles venha a suprir a vossa falta, e assim haja igualdade, como está escrito: Ao que muito colheu, não sobrou; e ao que pouco colheu, não faltou." II Cor 8.12-15
Marcelo Belchior – 08.2006

sexta-feira, junho 23, 2006

Falta o segador

Depois de "Terra seca", falta-me tempo. Idéias e temas estão aí em profusão. A igreja é viva e muito criativa... e inventa muita bobagem. Atualmente, vitupera-me a teologia relacional. Se Deus se surpreende, deve estar estupefacto.

quarta-feira, abril 12, 2006

Eu nasci para morrer

Quisera ter a felicidade de, neste exato instante, morrer, pois confio que a morte subjugará meu ego. Então, morto, enfim, porei os meus pés onde não quero, afagarei quem eu não amo, direi abertamente o que prefiro calar, instruirei-me do que é eterno e serei capaz de ouvir a doce voz daquele que, desde a eternidade, me amou e por mim entregou-se. Se eu agora morrer, viverá ele, por seu pleno direito, e meu dever e desejo. Já não será do meu jeito, não serão mais os meus sonhos, meus projetos e vontades. Será em mim, tudo, enfim, dele, por ele e para ele. Farei dele meu autêntico amado, em prosa, verso, poesia e ato. Será meu Senhor, e de fato. Desejo a morte da letargia que me toma, da crítica que lanço e nada constrói, das palavras com que machuco, do tempo que perco, do amor que não demonstro, dos meus hábitos nocivos, da vaidade que penso não ter e das feridas que me tornam amargo. Desejo a morte porque somente ela vai permitir, quando enfim eu partir, dizerem quão bom pai eu sou; bom esposo, bom amigo, bom irmão e bom filho. A morte me fará melhor do que jamais sonhei, no servo bom e fiel que entra no descanso do seu Senhor, eu me tornarei. Quando em mim tudo isso for prática e não somente um raso jogo de palavras, a outra morte, aquela que se inicia ao nascermos, torna-se-á de aflição, tormento ou dor, em perfume, alegria e aprisco, onde mais vivo que hoje verei o rosto do meu Senhor. 


“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. II Cor 5.14 e 15 Marcelo Belchior – 12/04/06

sexta-feira, março 24, 2006

Como eu amo a tua lei!

Ricardo Gondim
Aconteceu num feriado. O sol já caminhava na metade do seu percurso quando preguiçosamente resolvi sair da cama. Sem coragem de tomar um ônibus para ir à praia, optei ficar em casa e ler. Fui até a estante, sempre abarrotada e sempre empoeirada, querendo um livro que me servisse de companhia naquele dia, que eu supunha sem importância. A Bíblia de capa preta se sobressaiu; parecia pedir-me que a escolhesse.
Eu já tentara ler a Bíblia, mas nunca consegui atravessar seu quarto livro, Números. Aquelas estatísticas intermináveis me faziam cochilar. Hesitei, mas parecia que duas mãos se estendiam do dorso, suplicando que eu a pegasse. Aquiesci e elegi o tomo negro. Adolescente, eu não cogitava grandes mudanças de vida. Ledo engano: depois daquele dia jamais seria o mesmo.
Deitei-me e comecei a folheá-la; lembrei que meus amigos crentes haviam me aconselhado a ler o Novo Testamento. Abri em Mateus e em poucos minutos cheguei ao Sermão do Monte. Cada versículo alongava-se das páginas como um punhal, lacerando minha alma. As verdades proferidas pelos lábios de Jesus me encurralaram. Mateus 7.13-14 levou-me a nocaute: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. Assim, no começo da tarde, com a porta trancada, ajoelhado e resoluto, assumi um compromisso de seguir a Jesus Cristo por essa vereda estreita.
Desde aqueles verdes anos procurei referenciar minha vida neste livro magnífico. Tentei estudá-la; meditei em seus versículos em minhas horas tranqüilas; fiz palestras e sermões em suas verdades. Mas sinto que ainda não consegui chegar às margens da profundidade do conhecimento e sabedoria da Palavra de Deus. Quanto mais me detenho em seus ensinos, maior é meu espanto, meu maravilhamento.
A Bíblia é uma coletânea de livros com a história de pessoas, famílias, nações e, sobretudo, a linhagem do Messias. Fascinam-me os relatos milenares do comportamento humano nas crônicas, a sabedoria popular dos provérbios, a indignação dos profetas, as orações dos Salmos e a sistematização de verdades eternas das epístolas.
Alguns detalhes da Bíblia me deixam admirado. Ela nunca foi homogeneizada pelo poder eclesiástico. As histórias de seus heróis não foram retocadas. Assim, sabe-se que o patriarca Abraão mentiu e agiu impensadamente em diversas ocasiões; que Moisés, o homem mais manso que o mundo conheceu, irou-se; que Davi, o mais amado rei em Israel, adulterou e ainda tramou o assassinato de um soldado leal. A Bíblia não mascara que a igreja primitiva teve de aprender a conviver com pontos de vista distintos — Pedro e Paulo travaram debates ríspidos sobre usos e costumes; as igrejas plantadas no primeiro esforço missionário tinham idiossincrasias seriíssimas — a igreja de Corinto chegou a vulgarizar o sacramento da Eucaristia.
Ao contrário de outros livros sagrados, a Bíblia não alega ter sido ditada ou psicografada. Em 2 Pedro 1.21, o apóstolo reconhece que sua origem é divina, mas respeita a singularidade dos autores: “Pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo”. O conceito teológico para sua “inspiração” significa que Deus respeitou a liberdade e as ambigüidades humanas, permitindo até possíveis contradições dos relatos históricos. Diante de circunstâncias diversas, os autores demonstraram que a revelação das verdades eternas podia se dar dentro de contextos geográficos, sociais e culturais distintos.
Contudo, a maior grandeza da Bíblia vem da encarnação. A chegada do Messias, seu breve tempo de vida na terra, seu curtíssimo ministério fazendo o bem e anunciando a chegada do reino de Deus, sua morte e ressurreição, constituem-se na mais alvissareira notícia já impressa. Até Jesus Cristo vir, Deus resumia-se a uma especulação filosófica ou religiosa. Os gregos afirmavam que, assim como um pássaro não pode voar até o infinito, os seres humanos, mortais, jamais poderiam alcançar a divindade eterna. No cristianismo, Deus fez o caminho inverso. “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). A singularidade da Bíblia vem da encarnação de Jesus. O filho de Maria fez Deus conhecido da humanidade. Paulo ressalta essa verdade em sua carta aos colossenses (Cl 2.9): “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.
Em João 14.8-9, Felipe pediu a Jesus o que toda a humanidade mais deseja: uma revelação completa de Deus: “‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta’. Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: Mostra-nos o Pai’?”
Todas as vezes que ouço a Bíblia sendo exposta, sei que suas verdades brilharão como feixes de luz, guiando o viajante pelas tortuosas estradas da vida, pois o Salmo 119.105 afirma: “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho”. Quando encontro alguém arqueado de culpa, gosto de recomendar o Evangelho de João. Qualquer um pode se colocar no diálogo entre Jesus e uma mulher prestes a ser apedrejada: “‘Mulher, onde estão eles [os seus acusadores]? Ninguém a condenou?’ ‘Ninguém, Senhor’, disse ela. Declarou Jesus: ‘Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado’” (Jo 8.10-11).
Passados milênios desde que a Bíblia Sagrada foi escrita, estudiosos se revezam tentando analisá-la, mas ela permanece um mistério. E diante do mistério reconhece-se a limitação humana. Razão e método não abrangem todo o “conselho de Deus”. Por isso, Paulo afirmou em Romanos 11.33-36: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém”.
Neste mundo sedento de esperança, a Bíblia pode tornar-se um manancial de vida, desde que volte a ser o livro de cabeceira que alimenta a vida devocional e o alicerce dos princípios que nortearão as decisões do dia-a-dia.
Soli Deo Gloria.

Original do site: www.ricardogondim.com.br

quinta-feira, março 02, 2006

Terra seca

Árido e infértil me lembro da minha mãe me dizendo: "quando você não tiver nada de bom pra dizer, fique calado!"

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Evangelho engomadinho


Foto: Sélio Morais

Num já distante fim de semana, me colocaram de surpresa dentro de uma rádio comunitária localizada em Japeri – uma distância sem fim, aqui, no estado do Rio –, que tem alcance de frequência em vários outros pequenos municípios vizinhos. Seu "estúdio" minúsculo e muito quente mal comporta duas pessoas, e as precárias instalações me fizeram congeminar se alguém ouvia o que saia daquele único e mal conservado microfone. Iniciado o programa da tarde, me impuseram o atendimento aos telefonemas. Penso que ao todo foram doze, um número nada mal para um empreendimento desse porte.
Atender àquelas ligações transformou-se em uma janela para um mundo que comodamente ignoro, de gente cheia de marcas, dores e quase nenhuma esperança. Vi, ao largo, uma existência muito abaixo da minha. Crianças que não precisam de segurança para brincar nas ruas, até porque elas não existem, mas para dormir em paz sem serem tomadas à força por aqueles que deveriam dar-lhes amor, aconchego e rumo. Nesse mundo, frequentemente o homem da casa não volta mais. “Foi atrás de uma vadia”. Se voltar, estará bêbado e agredirá mulher e filhos; as meninas engravidam aos 12 anos e estão apaixonadas pelos “heróis” da área; as mães retornam de um dia de trabalho muitas vezes sem nada ter a oferecer aos filhos; os guarda-roupas de pedaços velhos de compensado não guardam mais do que trapos e sapatos velhos obtidos em campanhas de doação. Famílias que nunca foram estruturadas. Crianças que nunca tiveram lápis e caderno à mão.
Nessa janela me debrucei e vi que meu evangelho não conhece e não alcança essa gente. Não inclui iletrados, idólatras, ignorantes, marginais ou presidiários porque é arrogante, hedonista e egoísta demais para isso. Meu evangelho não ora com a mãe do traficante para que ele se lembre do caminho em que foi instruído e se arrependa, mas, sim, para que o corrompido Estado se erga e me ofereça mais segurança para que eu ande com os vidros do meu carro abertos sem que o filho dela me incomode.
Meu evangelho alimenta-se de Bíblias caras, em várias traduções e versões; consome vorazmente cds importados de um mercado fonográfico bilionário, dvds de “achoração”, autores internacionais, suas coleções e estudos teológicos cheios de imperativos de prosperidade e conquistas. Ele é nobre, é cabeça, ocupa cargos públicos e eletivos, multiplica meus dízimos e ofertas por 30, 60 e até 100 vezes. Dá casa própria e carro do ano, compra terrenos e constrói mega templos, compra rádios e horários na televisão.
Meu evangelho está podre de rico, cheio de teologias e doutrinas, e esqueceu-se dos pequeninos, do próximo, da viúva, do aflito, do desamparado, do faminto, do injustiçado e do encarcerado. Esqueceu-se do Senhor, e precisa, desesperadamente, unir-se aos telefonemas que atendi e também clamar por socorro e misericórdia.

"Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Apocalipse 3.17-18

Marcelo Belchior 01.06

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Presunção Gospel

Poucas coisas são tão humanas quanto a capacidade de sentir-se melhor que o outro. É esse sentimento que nos faz perceber o erro alheio como um absurdo e o defeito como imperdoável. Em sociedade é fácil identificar os exacerbados na prática da supremacia, pois as ruas estão cheias de olhares altivos e presunçosos que delimitam nitidamente os degraus socioeconômicos. Sentimo-nos melhores por qualquer banalidade: porque sou branco, porque sou alto, porque sou homem, porque estudei, porque possuo, porque herdei... uma infinidade de superioridades enganosamente estabelecidas.
O orgulho impede-nos de enxergar a obviedade da igualdade, e é estranho perceber que temos prazer nesta cegueira. Fosse o resultado só a delimitação territorial não seria tão danoso, mas os problemas de todos os gêneros nos relacionamentos, invariavelmente, esbarram no orgulho e na vaidade. Sem a sensação de superioridade, perdoaríamos mais facilmente, seríamos mais predispostos à ajuda, à cooperação e ao entendimento. Aceitaríamos mais as diferenças, exatamente porque somos todos iguais.
Infelizmente, este mesmo comportamento manifesta-se dentro da igreja evangélica. Nossa intolerância contra o comportamento daqueles que nominamos pecadores, pagãos, incrédulos, e, em voga, ímpios, nos habituou à sensação de mais dignos. Afinal, segundo a Bíblia, somos salvos, alcançados, amados, filhos e herdeiros de Deus. Eles nada são. Não somente interpretamos assim como também agimos de maneira que isso fique bem claro.
Praticamos o isolamento quando na verdade o que Cristo pregou foi separação consensual, mas estando perto, e andando junto, nos conquistou e transformou sem jamais nos acusar ou repudiar.
Esquecemos do amor, da misericórdia, da longanimidade, da igualdade e linearidade na qual somos todos formados, e já saboreamos, por isso mesmo, o gosto amargo da estupidez quando, sob um faccioso e extremo calvinismo, estabelecemos em Genebra leis dirigidas por doutrinas religiosas, perseguindo e matando opositores em nome de Deus, sempre crendo fortemente que somos escolhidos, e os incrédulos preteridos. Crônico.
Antagônico o comportamento daqueles que esperam de si mesmos serem benignos, bondosos e mansos. Sal e luz para o mundo.
Como abismo chama outro abismo, também aprendemos a apreciar a sensação de melhores que os irmãos: a nossa oração, sim, Deus ouve e atende. Afinal, somos mais santos, mais justos, mais consagrados; nossa denominação é a melhor, salvação só por meio dela; nossa igreja é a maior, a correta, a veraz; pregamos melhor e com mais veemência o Evangelho; somos pastores mais capazes, doutores, phDs. A tolice não conhece freios: somos também deputados, senadores, somos bispos, apóstolos, thDs, sumo-pontífices, somos tudo, quase Deus; menos cristãos de verdade.
A presunção, sem dúvida, toma grande parte no nosso atual estado de doença, ou como já nos alertava a parábola: de sonolência. As dez virgens dormiram, mas graças a Deus que, no lance seguinte, o noivo bate à porta.

“Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: [...] as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas [...], e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não nos tornemos vangloriosos, provocando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. Gálatas 5.19-26 Marcelo Belchior – 01.2006

quinta-feira, dezembro 15, 2005

A idade, a acuidade e o deboche

Lael - Pai, tem um mosquito perto de você, aí na janela.
Eu - Hum? Não é mosquito não, filho. É sujeira.
Lael - Pai!
Eu - Que é?
Lael - A sujeira voou.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

"Amigo, a que vieste?"

Certamente, como os demais, atendeu prontamente ao chamado do Mestre. Andou junto, comeu junto, viveu junto e tinha muito em comum. Judas Iscariotes foi chamado de amigo, tratado como amigo e foi, sim, amigo de Cristo.
A ele foi confiado o dinheiro que mantinha o ministério de Jesus – e desfaçamo-nos do comum engano: Jesus não era pobrezinho e seu ministério não custou barato. Judas lidava com boas quantias e o amor ao dinheiro foi seu tropeço. Os pequenos furtos às reservas ministeriais tornaram-se insuficientes e as falhas tornaram-se traição. A ganância o consumiu e tragou sua fidelidade.
Foi amigo mesmo, e dando-se conta do mal que cometera não resistiu e enforcou-se, cometendo aí seu maior e verdadeiro erro: entregar-se ao remorso em vez de buscar o legítimo arrependimento. Em poucos dias, havendo o amigo ressuscitado, teria alcançado o perdão que, entretanto, somente Pedro recebeu.
Muito cedo ensinaram-me óbvia mas importante lição de vida: só os que lhe são caros são capazes de ferir sua alma. Inimigos não decepcionam e não traem, fazem apenas aquilo que deles esperamos. São as pessoas que amamos que nos machucam, nos ferem e nos fazem chorar dolorosamente. São os amados que nos dão ou tiram o prazer e o desejo pela vida.
O outro é sempre um imprevisto, e isso torna caro cada minuto investido num relacionamento. Todo passo dado na mesma direção ata vidas por meio da cumplicidade, do alvo mútuo e da partilha das conquistas. Cada instante dividido faz a alma ceder espaços até o ponto de misturar as personalidades, os gestos, pensamentos e convicções. É por todas estas razões que não há relacionamentos sem dores. Se "amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito", qualquer disfunção não sanada mata. Sua feridas sangram até morte ou cicatrizam-se pela reconciliação –um bálsamo exclusivo do arrependimento e do perdão.
Do arrependimento porque este clama incessantemente pelo perdão e torna viável a aceitação daquele que falhou; oferece à cicatrização a confissão e abandono do erro, distinguindo-se sobremaneira do remorso, que gera vergonha, fuga e tormento, anestesia as emoções, impossibilita o choro e não impede a reincidência. Arrependimento é a semente que gera vida onde, sob quaisquer outros aspectos, só haveria possibilidade de morte.
Do perdão porque este é a capacidade sobre-humana do amor de não considerar o dano em prol da reintegração, reinserção e reatamento. É o ensino de Cristo registrado em Lucas 6.29: desconsiderar a ofensa a ponto de pôr-se em risco de sofrê-la outra vez. Diante de um legítimo arrependimento, perdoar não é uma opção, mas um mandamento que nos aproxima de Deus e nos viabiliza também seu próprio perdão.
A reconciliação é, desse modo, o fruto natural do arrependimento que encontra o perdão. É o milagre que faz o cristal, outrora quebrado, novamente íntegro, que zera dívidas, apaga mágoas e lança os erros no mais distante passado. É ela que veste com a melhor roupa, põe o anel no dedo e as sandálias nos pés.

Amigo, te agradeço por me conduzir ao arrependimento e me ofertar, todas as manhãs, o teu grande perdão. Irmãos, me amem e sejam pacientes comigo. Eu preciso de vocês.

"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas". Mateus 6.12-15
Marcelo Belchior - 12.2005

quinta-feira, novembro 24, 2005

Sermão do seminarista

O seminarista estava tão nervoso no seu primeiro sermão, que quase não conseguiu falar. Antes do seu segundo sermão, no domingo seguinte, perguntou ao pastor como poderia fazer para relaxar. Este lhe sugeriu que na próxima vez, colocasse umas gotas de vodka na água e que depois de uns goles estaria mais tranquilo.
No domingo seguinte aplicou a sugestão e sentiu-se tão bem, que poderia falar alto até no meio de uma tempestade, de tão feliz e descontraído que se encontrava.
Depois de regressar ao gabinete pastoral não encontrou mais o pastor, somente uma nota do pastor dizendo-lhe:

Prezado seminarista...
Seguem algumas observações:
Na próxima vez, coloque gotas de vodka na água e não
gotas de água na vodka;
Não coloque limão pendurado no copo;
O pano que cobre o teclado não deve ser usado
como guardanapo;
Existem 10 Mandamentos e não 12;
Existiram 12 Apóstolos e não 10;
Judas traiu Jesus, não o "sacaneou";
Jesus foi crucificado, não enforcado, e Tiradentes não tem nada a ver com essa história;
O pão da ceia não é chiclete, portanto evite
tentar fazer bolas;
Evite apoiar-se no púlpito, mais ainda abraçá-lo;
A iniciativa de chamar o público para cantar foi louvável, mas fazer trenzinho e correr pela igreja foi demais;
A água que lhe foi servida era para beber e não para refrescar a nuca;
Nunca ore sentado na escada do altar; muito menos com o pé sobre a Bíblia Sagrada;
O pão da ceia deveria ser distribuído para o povo, jamais usado como aperitivo para acompanhar o vinho;
Evite desabotoar a camisa durante o sermão;
Jesus nasceu em Belém, mas isto não significa que ele
seja paraense;
Quem peca é um pecador; não um safado;
Pecador vai para o inferno; e não para onde você mandou.
Pelas 2 horas e 45 minutos do sermão que acompanhei,
notei essas falhas.
Espero que as tais sejam corrigidas já para o
próximo domingo.

Atenciosamente,
Seu pastor


Ah! Já ia esquecendo: Aquela mulher sentada na primeira fila a quem você se referiu como travecão de vestido,
é minha esposa.

Original do site: www.ejesus.com.br

sexta-feira, outubro 21, 2005

Jesus, o Messias de Jerusalém
e do Homem

Jesus, na porta do meu coração também tem um jumentinho. Há um espaço na minha vida que só o Senhor pode ocupar, que só tua presença preenche. Há tanto tempo meu coração espera por você, meu Messias. Montado nesse jumentinho, só o Senhor pode entrar. Quando entrares, não vou me enganar dizendo que você é um grande filósofo, guru, ou um espírito evoluído e iluminado. Te reconhecerei, Senhor. Saberei que o Rei chegou e também estenderei meu manto e porei ramos em teu caminho; com grande alegria eu também vou bradar: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!". Tal como as crianças, te darei louvores livres de qualquer intenção que não seja te adorar pelo que és. Vem ver minh'alma, Jesus. Repreende os vendilhões da minha fé. Expulsa-os de mim também, Senhor, e purifica o templo. Vivifica meu espírito e faz de mim, verdadeiramente, casa de oração e habitação do Deus altíssimo. Quando te aproximares de mim, vais notar que durante muito tempo usei uma máscara e que me apeguei a tudo que pensei poder fazer-me feliz. A todos sempre me mostrei feliz e farto, mas a ti, Senhor, não consigo mentir. Ninguém pode te enganar. Basta uma ordem tua, Jesus, e a figueira secará, e com ela todos os enganos que o mundo me ofereceu. Vem também ensinar-me teus caminhos, Senhor, alargar sob meus pés as tuas veredas. Faz-me conhecer, verdadeiramente, teu Evangelho, e abandonarei os falsos e enganosos conceitos sobre o Deus eterno que durante toda vida acreditei serem verdadeiros. Ensina-me, Jesus, e a religiosidade não mais seguirei. Não mais errarei por não conhecer as Escrituras. Quero também assumir contigo, Senhor, o compromisso de ser vigilante e observador dos meus passos. Não quero te envergonhar. Se minha carne não se converte e conspira contra minha santidade, contra o teu Senhorio, eu vou subjugá-la até a morte. Ainda que Jerusalém tenha conspirado, eu estarei do teu lado e serei contado entre os teus. Como em Jerusalém fizeste, Senhor, separa dentro de mim um lugar especial para cear contigo. Um lugar onde só nós entremos e livremente conversemos. Um lugar de privacidade e união entre mim e ti. Lugar onde só o Senhor ouça minha voz, minha súplicas, minhas dores e temores, e onde eu possa repousar minha cabeça em teu peito. Eu quero uma aliança contigo, Jesus. Aquela mesma que tu firmaste com a humanidade, aliança de sangue, que me lava, salva e me livra da morte eterna. Aliança do corpo entregue em meu lugar e que rasga a cédula de dívida que eu jamais poderia pagar. Jesus, se também eu, no Monte das Oliveiras, adormecer, interceda por mim, Senhor. Sem tua guarda não poderei seguir. Se tuas mãos não estiverem sobre mim, eu vou falhar. Guarda-me contigo, sê o meu justo e bondoso advogado junto ao Pai. Te agradeço, Senhor, por ter vindo até nós, humilhando a ti mesmo tomando forma de homem para sofrer e morrer em meu lugar. Agradeço-te por fazer cumprir em ti toda a justiça, por reconciliar contigo, através de ti mesmo, todas as coisas. Obrigado por tua grande e infinita graça redentora que me alcançou e me resgatou. E, por fim, quando encerrar meus dias, sei que te verei, Senhor, do mesmo jeito que teus discípulos o viram. Sei que assim como tu voltaste em Jerusalém, vais voltar também para mim, e eu também te verei em grande glória e majestade. Maranata, meu amado. Maranata.

Livres alegorias feitas sobre os últimos dias de Jesus em Jerusalém.
Mateus, a partir do capítulo 21; Marcos, a partir do capítulo 11 verso 15; Lucas, a partir capítulo 19 verso 28; João capítulo 2 versos 13 a 25 e a partir do capítulo 17; e Atos capítulo 1 versos de 1 a 11 Marcelo Belchior – Março 2004

sexta-feira, outubro 14, 2005

O chip é a marca da burrice

Instalou-se na internet novo frenesi insano: O chip da besta. Sinceramente, crente já é uma figura difícil de aturar. Crente burro então ninguém merece. Os beatos descerebrados estão se borrando de medo que suas operadoras de cartão de crédito os levem paras profundas do inferno. Referência bíblica - Apocalipse 13.17 (Ignore o contexto e adira agora mesmo à onda do momento) Referência web: Tabernaculonet :: Picarelli :: Netpar

Preciso dizer que te amo

Só queria dizer que amo muito você. Sem você eu não seria feliz. Você é minha vida. Você é tudo que eu tenho, tudo que eu preciso... fica sempre comigo, sem você não dá para viver. Eu te amo, Deus. Obrigado por teu amor, teu carinho, teu zelo, tua paciência extrema comigo. Eu te amo.

terça-feira, outubro 11, 2005

Odeio odiar

Li numa comunidade do Orkut alguém afirmar que deixou de acreditar em Deus e em sua existência. É constrangedor ver tanta gente boa tentando tratar o indivíduo com respeito e até afeto, respondendo-lhe as imbecis indagações e estúpidas acusações contra Deus.
Em mim, o único sentimento que surge é: que morra! Deus não tem prazer na morte do ímpio? Eu também não. Nem prazer, nem desprazer. Completa indiferença.
Não quer crer em Deus, seu amor, seu poder, sua justiça, seu reino? Não creia! Dane-se! Morra!
O príncipe deste século lhes cegou o entendimento? É verdade, mas alguns além de cegos fazem questão de mostrarem-se seus filhos.
Esse sentimento gera espanto entre meus pares – Falta de amor cristão da minha parte. Queridos, não é falta de amor. É muito pior que isso: é inveja. Inveja de Finéias. Quem sabe um dia Deus me cura?

quarta-feira, outubro 05, 2005

Não é pecado, não é pecado!...

Tive a má sorte de assistir, nesse último sábado (1/10), o último capítulo da novela de Miguel Falabella. Não sou tevente de canais abertos. Neste capítulo, a personagem de Patrycia Travassos tentando ajudar um casal gay, contou uma estorinha na qual um gay chegava no Céu e encontrava seus colegas comemorando o fato de lá estarem, descobrindo que não havia pecado algum em seus desejos homossexuais, e gritavam felizes numa nuvenzinha colorida: "não é pecado, não é pecado!". Não sou homofóbico e, indo contra a opinião corrente no meio cristão, sou favorável à legalidade da união homossexual, mas cada coisa deve ter e estar no seu devido lugar. Não podemos oprimir o pecador e retaliar seus direitos civis, transferindo para o Estado a obrigação exclusiva da igreja de combater o pecado. A igreja imperial amancebou-se do poder público e lá vai a igreja pós-moderna cometendo o mesmo desatino. Queremos catequizar o Estado, mas quando ele imiscuir-se em nossas doutrinas, gritaremos que deve ser laico. Creio que a igreja é mesmo o órgão competente para mudar esse país, mas não por meios legislativos. Não foi esse o exemplo que Cristo nos deixou. Por outro lado, a insistência em afirmar que a conduta homossexual não é pecado me irrita deveras. Se o indivíduo deseja permanecer no homossexualismo deve abrir mão dos ideais de Deus e seu Reino. Não se pode absorver uma doutrina em parte. Se compreendo que Deus existe e quer se relacionar com o homem, devo também compreender que nomina-se pecado tudo que o desagrada, tudo que lhe é abominável, e por conseguinte não habitarão com ele aqueles que vivem na prática do pecado. Se o indivíduo quer levar sua vida no homossexualismo que o faça, mas desista das ideias de deus, pecado, céu e inferno. “Dois proveitos não cabem num saco só”. Se Deus não existisse, eu mesmo faria muitas coisas que gostaria. Não faço porque entendo que agradar a Deus e obedecê-lo é mais importante que me satisfazer. Entendemos que Deus ama o pecador, mas não aceita sua conduta pecadora e que, com ele, no fim dos dias, só vão estar aqueles que crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências (Gálatas 5.24). Marcelo Belchior 10.05

terça-feira, setembro 20, 2005

Você é muito doido, mermão!

Teu caso é muito grave: você acredita piamente na existência de um ser superior. Acredita que, soprando no pó, Deus criou Adão, e que a primeira clonagem foi quando tirou de sua costela uma mulher. Acredita que, dentro de um barquinho sem-vergonha, uma família acompanhada de casais de vários espécimes animais venceu incólume a maior tempestade que já houve. Você crê que choveu fogo que a uma cidade inteira consumiu, e que uma mulher foi transformada em estátua de sal. Ah, e que não só fogo já desceu do céu, mas também pão e pedra, certo? O mar se abriu e o povo passou, não uma, mas duas vezes. Você acredita de verdade que Deus fez muralhas caírem ao som de instrumentos musicais e um bando de despreparados derrotar exércitos. Com o segredo de sua força nos cabelos, um homem matou centenas de inimigos e tornou-se juiz de seu povo, tal qual um pastorzinho de ovelhas que, matando um gigante, tornou-se rei. Explique como a terra parou, ou como voltou sua rotação 15 graus sem que se tenha registro dos terríveis cataclismos que esses eventos deveriam ter gerado. Como o metal emergiu? E como estéreis pariram sem auxílio biotecnológico? Também tem aquelas histórias em que um homem foi para o céu em uma alucinante carruagem de fogo, e os super-homens que, lançados às chamas de forno, sobreviveram, ou aquela outra em que o lançado aos leões com esses dividiu abrigo. Você acredita numas paradas muito loucas e, não satisfeito, além de crer num Deus que é todo poderoso e que criou todas as coisas só pelo poder da sua palavra, mas que, é claro, ninguém pode ver, afirma que ele gerou um filho numa virgem. Essa é boa! Talvez a melhor. Então o homem nasceu de Deus, mas Deus também nasceu do homem, e esse tal Filho de Deus transformou água em vinho, fez corpos pútridos tornarem à vida, cegos tornarem a ver e coxos a andar e saltar. Ele tirou a maior onda e andou sobre as águas do mar, mandou e a tempestade acalmou e, por duas vezes, multiplicou pão e peixe para uma multidão. Para piorar a tua situação, você acredita piamente que com a sua morte, o Filho de Deus dá vida aos homens. E tem mais: você bebe do seu sangue, come da sua carne, e crê que seu sangue é o único que, em vez de sujar, limpa. Esse Filho de Deus é de tudo: ele é porta, é caminho, é água viva, é a verdade é a própria vida, e quem olha para ele está olhando para o tal Deus que ninguém consegue ver, porque ele é homem, mas é Deus também. Por fim, doideira geral, você acredita que ele não morreu. Quer dizer, morreu, sim, mas ressuscitou, reina no Céu ao lado de seu Pai e vai voltar para – ouçam esta! – buscar uma noiva que tem mais de 2000 anos de idade, mas não tem nem rugas, nem manchas e nem mácula. Meu amigo maluquinho, faça a si mesmo um favor: continue louco. A cura mata.

"Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. [...] Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que creem. Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens." ICo. 1.18 a 25.
Marcelo Belchior – 1999

sexta-feira, setembro 16, 2005

Johnny, Johnny, esta noite, Johnny, pedirão tua alma*

Foto: Osvaldo Praddo – Ag. O Dia Imagino que, tal qual o rico fazendeiro da parábola (Lucas 12.16-20), Pedro Dom também pensou que veria mais manhãs, mais dias, e teria outras chances mais. Pedro pensou que dava para fugir mais uma vez, pensou que dava para se entregar amanhã, mas a morte chegou hoje. "Pobre Johnny, nem sabe que tem uma alma"*. Quantas manhãs e chances de corrigir o mal eu e você, leitor, ainda teremos? * Trechos da música Extra do Katsbarnea

quarta-feira, setembro 14, 2005

Ele é o que há de novo e a resposta à minha sede

Batimento cardíaco, ok! Pressão arterial, ok! Bisturi e, minutos depois, lá vem mais um. Fosse um veículo automotor seu número de série não caberia no chassi. Somos vários, muitos, milhões em toda parte e em muitas gerações. Sendo tantos, o que pode haver de novo? O que há que ainda não tenha sido vivido e experimentado? Que possibilidades nunca foram raciocinadas? Não há nada em nenhum lugar que seja novo, exceto variações de verdades e mentiras? Quem nunca se perguntou o porquê, o pra quê, o onde e o quando? Qual o motivo de tudo? Somos frutos de um nada, ou alguém superior está brincando de marionetes? Seremos deuses que devam gritar isso para si mesmos até nos convencermos? Existe um hospital onde somos recebidos pós-morte? Uma espécie de fábrica onde somos avaliados como produtos para, se aprovado, ganharmos um certificado de qualidade, ou, se reprovado, voltarmos à linha de produção como refugo, como que carimbados com uma advertência - exemplar reprovado - favor reciclar? Fomos um dourado de aquário e evoluímos até aqui em bilhões e bilhões de anos? Seremos 144.000 aprovados separados de um gigantesco contingente de subespécie? Ganharemos nossos próprios planetas para manipularmos seres que serão o que já fomos? Nos cercaremos de virgens com hímens superpoderosos por nos suicidar em prol de um ideal político? Somos eleitos e escolhidos a dedo e todos os demais existem somente para saciar o sadismo de um deus paranoico? São tantas filosofias, purificações, sacrifícios, aprendizados inacabáveis, aperfeiçoamentos toscos, indulgências e, acima de tudo, cofres gordos para quem aprendeu a enredar as mentes sob o torpor desse sentimento questionador, que acabamos por perguntar o que há de realmente novo. O que há de verdadeiro? Eu achei um livro. Sempre esteve em minha estante. Nunca o havia lido. Ele me apresenta um Deus e me conta a história de um povo que por ele sobreviveu. Nesse Deus encontraram a origem de todas as coisas e a resposta para todas as perguntas. Nesse Deus eu achei a grande e vívida novidade que procuro. Quatrocentos e vinte anos depois do profeta Malaquias, surgiu no meio desse povo um homem dizendo ser o filho do Deus que eles creem. O messias que os antigos escritos prometeram. Esse homem deu várias provas de ser diferente e disse coisas que, até então, ninguém havia dito. Não com tanta autoridade e eloquência. Ele marcou seu tempo e a humanidade. Sim, outros fizeram isso, mas nenhum deles ousou dizer que é Deus e que voltará para buscar aqueles que nele creem. Isso faz toda a diferença em Jesus Cristo. Diferente de todos os líderes religiosos da humanidade, ele disse que é Deus. Não dá para crer parcialmente nele. Ou ele foi um completo maluco, digno de camisa-de-força, ou ele é o verdadeiro Deus. Seu evangelho não deixa mais de duas opções: ou tudo não passa de um belo romance judeu, o maior e mais vendido, ou realmente existe um Deus, e um messias foi dado a toda a humanidade. Abraçarei esta verdade: o Judeu que surgiu no meio do povo há mais de 2000 anos dizendo que é o caminho a verdade e a vida é, verdadeiramente, o filho de Deus. Ele é o meu Deus. Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste. Todas as coisas foram criadas por ele e para ele, as visíveis e as invisíveis. A existência está em suas mãos. Ele falou e tudo veio a existir pelo poder da sua palavra. Ele é o princípio e o fim de todas as coisas. Seu amor e sacrifício, seu poder, sua glória e seu reino são a boa e verdadeira novidade que há para se ouvir por todos os séculos e todas as gerações. Ele é a resposta, a verdade que sacia a minha sede existencial. Maranata, meu Amado. Maranata! Marcelo Belchior – 09.2005

Dr. Almeida nunca viu Deus


Eduardo Almeida Castelo nasceu num bairro de classe média do Rio de Janeiro. Durante sua infância, foi naturalmente cercado do amor e dos cuidados de toda sua família, uma vez que era o primeiro filho, neto e sobrinho. Naquele momento, seus pais e avós estavam em plena ascensão financeira explorando o mercado de transporte de cargas industriais.

Eduardo tinha pouco mais de cinco anos de idade quando sua família mudou-se para o melhor bairro da cidade – o sonho de sua mãe. Era o começo de um novo momento na família e iriam finalmente desfrutar de quase treze anos ininterruptos de trabalho. Ela realizou-se decorando com o que havia de mais caro seu primeiro imóvel próprio. Havia traçado, então, muitas metas para si mesma, seu filho e seu admirado marido; mas morreu vítima de um acidente de automóvel naquele mesmo ano. Na época, Eduardo chegou a ver sua mãe cheia de tubos e fios numa cama de hospital quando o deixaram visitá-la "só para dar um beijinho na mamãe" sob a promessa de que ela iria ficar boa já, já. Ele falou seriamente com Deus pela primeira vez: "querido papai do céu, faz a mamãe ficar boa e voltar logo pra casa".

Não o levaram ao funeral, e apenas lhe disseram que ela foi para uma viagem muito longa, que não voltaria mais, mas que ela o amava muito. Frases que não evitaram as noites de choro e pesadelos durante toda a infância. Seu pai nunca se recuperou emocionalmente e não lhe serviu de efetivo apoio quando mais precisou.

Eduardo cresceu e foi sempre um aluno dedicado. Brilhantemente cursou os anos de medicina, optando pela neurocirurgia – o que ainda lhe custou intermináveis especializações. Tal dedicação, contudo, não o impediu de conquistar o coração de uma mulher e formar uma família. À sua filhinha deu o nome de sua mãe – talvez, inconscientemente suprisse assim a necessidade de poder referir-se novamente àquele nome e dizer as mágicas palavras "eu te amo!".

Sua mulher e filha curaram-lhe as feridas e era, enfim, um homem feliz, que diligentemente procurava inventar tempo para estar com as duas mulheres mais lindas do mundo. Não queria, mesmo tendo optado por tal profissão, cometer o erro de ser um pai e marido distante.

Dr. Almeida era íntegro, correto, de caráter inquestionável, admirado por seus colegas e funcionários, um médico reconhecido e respeitado em sua especialização. Ocorreu certa vez de um homem com poucas condições financeiras buscar desesperadamente sua ajuda: “Dr. Almeida, ouvi que o senhor é um excelente cirurgião e um bom homem. O único nesta cidade com chances reais de me ajudar”. Ele desejava que Eduardo operasse sua esposa, atormentada um tumor no cérebro, com poucas chances de sobrevivência, nenhum tempo para filas de espera e, lamentavelmente, nenhum seguro de saúde. “Dr. Almeida, eu pagarei em parcelas. Parcelado e continuamente, dou minha palavra que pagarei. Ela é tudo que eu tenho nessa vida. Ajude-me, por favor!” Eduardo pensou em precedentes apenas. Foi duro e inflexível: “lamento, senhor, aqui não podemos ajudá-lo”. Um bom hospital, um médico renomado, tratamento adequado, equipamentos e procedimentos que curam e devolvem a vida têm preço. E muito alto.

A respeito de Deus, que, na concepção do seu coração, não quis atender sua oração infantil, Dr. Eduardo Almeida ouviu falar pouquíssimas vezes. Em seu profundo ressentimento com este ente, jamais permitiu que alguém lhe mencionassem o nome ou sequer a existência de um Criador. Seguia seguro de que a vida seria um caminho estável se seus passos fossem retos. E de fato venceu na vida.

A existência, no entanto, parece tender, mais do que o comum, a requintes de crueldade quanto a alguns homens: numa tarde de outono, dois homens invadiram a cobertura do Dr. Eduardo Almeida. Delatados, foram cercados e fizeram reféns sua mulher e filha. Com violência desmedida, exigiam um carro para a fuga, ameaçando lá de cima jogar a menina pelo parapeito. Durante toda tarde, o principal alvo da dupla foi a filha de Eduardo. Selvagens. Causaram repúdio em cada policial. Na fuga, trocaram tiros com a polícia, e uma das balas perfurou os corpos das duas reféns, levando-as ao óbito.

Eduardo tentou refúgio no trabalho, mas, continuamente atormentado por sua dores, acabou cometendo erros em campos diversos que geraram processos. Livrou-se várias vezes da condenação, mas seu nome foi manchado e seu brio foi ferido. Inexplicável. Dor imensurável. Falou seriamente com Deus pela segunda vez: “o que eu te fiz, seu maluco? Que ódio é esse que você nutre por mim?”. A vida lentamente foi perdendo o sentido e o rumo. A lucidez tornou-se uma cela de tortura. Passou a embriagar-se frequentemente, até que cansou de odiar Deus, baixou as armas e falou com ele pela última vez: “se você existe mesmo, me ajuda. Mate-me também”.

Num domingo já distante de hoje, completamente embriagado, ao seu modo rendeu-se  – prometo que esta noite entro na primeira igreja que vir. E assim o fez. Ajeitou-se e sentou no último banco de uma bela igreja. Achou estranho as músicas que ouviu, não entendendo absolutamente nada a respeito do que diziam aquelas letras. O Pastor entrou, tomou o microfone e saudou a igreja, e Eduardo pensou naquele instante que, se Deus existe realmente, iria finalmente conhecê-lo. Durante muitos minutos o pastor falou sobre como Deus se alegra e abençoa aquele que dá o que tem: “irmão, Deus tem muito para te dar, mas primeiro você deve dar a ele!”, e esbravejava versículos e mais versículos para respaldar sua fala... Dr. Almeida já não estava mais escutando. Passou a observar as imagens de tudo que estava à sua volta e notou o quão bonita era aquela espécie de sala de cirurgia. Pensou que talvez os equipamentos e o tratamento fossem excelentes, e que o habilidoso médico possivelmente existisse mesmo e fosse suficientemente competente para curá-lo, livrá-lo daquela dor e restituir-lhe a vida. O recepcionista que estava no púlpito, no entanto, insistia no pagamento de uma espécie de plano de saúde, senão, nada de cura. Tão vazio quanto entrou, retirou-se após pôr uma oferta num pequeno envelope.

Dr. Eduardo Almeida Castelo morreu recentemente. Viveu seus últimos dias torturado por sua dor e dureza, sem nunca ver Deus. Seus únicos minutos de rendição foram desperdiçados num domingo de arrecadação de verbas. Morreu sem saber que o amor que cura todas as feridas, que o perdão que nos compra a salvação, a eternidade e paz que excede todo o entendimento são dons inteiramente gratuitos de Deus, que é vivo e verdadeiro.

"... A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego, porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?" Carta do apóstolo Paulo aos Romanos, cap. 10 versos 8 a 13.

Dr. Almeida é uma ficção. A omissão do verdadeiro Evangelho que inspirou este conto numa noite de domingo de 2003 é, infelizmente, uma realidade cada vez mais constante hoje nas igrejas evangélicas.

Marcelo Belchior