quinta-feira, março 29, 2007
Justiça
Todos clamam por justiça. Não é possível tanta impunidade. Não é aceitável que nossa terra tão garrida e mãe gentil tenha se tornado, irremediavelmente, uma madrasta no sentido waltdisneano da palavra, privilegiando seus enteados de caráter corrompido e matando seus inocentes filhos de fome e sede de justiça.
Este nó na garganta não pode ser desatado pelas unhas do esquecimento e da omissão egoísta que nos dá a impressão de estarmos blindados contra o mal. A justiça exige uma ação corretiva para todos os que maculam a ordem social. Nós, brasileiros, exigimos justiça. Com gosto de sangue na boca, punhos cerrados, coração ferido e um ar de desencantamento pelo atual estado de saúde da pátria, que insiste em não se deixar medicar.
Triste é a realidade.
Deus é justo e justificador. Mesmo diante das infâmias humanas Seu amor renova-se a cada manhã. Olhando pra este amor ainda podemos ver a esperança. O Sol da Justiça raiará, um Reino de justiça haverá, Cristo voltará. O Justo Juiz julgará a todos, grandes e pequenos, opressores e oprimidos, fortes e fracos. Nesse dia nada justificará os injustificáveis, nenhum dinheiro sujo limpará as roupas sujas da iniqüidade de ninguém. Diante Dele não há propina, não há mentira, não há cara de pau, pois Ele nos enxerga de todo. Neste dia o joio e o trigo serão de fato separados e os que têm sede e fome de justiça serão saciados.
O dia da vingança de nosso Deus há de vir.
Saúde e paz.
Original de www.menteiluminada.blogspot.com
quarta-feira, março 14, 2007
Dois tiros
Babo de inveja da coragem demonstrada por este líder religioso ao lançar-se no caminho oposto de inúmeras sociedades para reafirmar valores cristãos da instituição que dirige, sem nenhuma chance de negociação ou "jogo de cintura". Uma pena que líderes evangélicos não sejam tão firmes. Não somente aceitam, como também vivem múltiplos casamentos.
A Bíblia admite o divórcio somente porque nossos corações são duros, mas quanto ao casar-se de novo é bem clara - trata-se de adultério. Se não dá mais para viver com aquele(a) que outrora era um grande amor, viva só. Ou reconcilie-se. É porventura dura demais para você esta palavra? Então não considere-se cristão, pelo menos não Católico Apostólico Romano. Bom disparo.
O outro tiro foi de Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB: "A camisinha faz com que as pessoas façam do relacionamento sexual momentos sem nenhuma conseqüência”. Com isso eu descordo.
O preservativo de latex não estimula ninguém a nada. Independente da distribuição de preservativos, as pessoas estão cada vez mais promíscuas. O resultado é um número cada vez maior de infectados de toda sorte de doenças sexualmente transmissíveis que se penduram no dinheiro público para financiar seus tratamentos médico-hospitalares. Cabe então ao Estado defender os cofres públicos, livrando-nos de custear mais e mais coqueteis de comprimidos.
À igreja cabe apontar o pecado, suas conseqüências, e um novo caminho para o pecador.
Os papéis institucionais são claramente distintos: quando a igreja diz "não use camisinha", ela está dizendo que precisa haver mudança na vida das pessoas; e quando o governo diz "use camisinha", ele está dizendo que não tem como arcar com as despesas de uma juventude desorientada.
O governo sabe que seria ineficaz levantar a bandeira da "moral e dos bons constumes" para conter os gastos do Ministério da Saúde. O que lhe resta é, se não à causa, o combate ao efeito, distribuindo borracha para quem queira.
Quanto a igreja, faz-se necessário a percepção que a mania de catequese é perniciosa. Querer se utilizar do Estado como ferramenta de conversão nos dá trajes de ignorância e hipocrisia, não combate a causa e, muito menos, o efeito. É o tiro que sempre sai pela culatra.
Marcelo Belchior 03.07
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Brasil – eu não acredito mais.
Só uma convulsão social muda os rumos desse país.
quarta-feira, novembro 22, 2006
"É fim do mês, é fim do mês"
Ao que por aqui passar deixo meus votos de um bom natal e um bom reveillon, seguidos do meu verdadeiro desejo que cumpra-se ao seu respeito as palavras da Carta aos Romanos no capítulo 8 versos 29 e 30. Fui!
quarta-feira, novembro 01, 2006
Amarás pois... demonstrando amor
Relacionar-se com Deus não é em nada diferente disso. Ele também exige amor verdadeiro, declarado e demonstrado. Declarações vazias e religiosas de amor e afeto não o atraem de maneira alguma – "Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor" Isaías 29.13.
No último livro do Pentateuco, Moisés já expressava, de forma resumida e clara, a necessidade do amor vivo por Deus (Deuteronômio, capítulo 6 verso 5) e muitos séculos depois, Jesus faz menção desse trecho adicionando um resumo dos versos subseqüentes (7,8,9), incluindo "com todo teu entendimento" ao Escrito. Assim, sob o "crivo" do Filho de Deus, temos registrado no Evangelho de Marcos o maior mandamento de todos. Vejamos-o por partes:
Ame o Senhor teu Deus de todo o teu coração
Com sinceridade, com zêlo e entregando-se a ele por inteiro.
Vide: IICrônicas 34.31, Jeremias 29.13, Salmo 119.2 e 69, IReis 8.23.
Ame o Senhor teu Deus de toda tua alma
Com todo teus sentimentos, apegando-se a ele com gratidão e admiração.
Vide: I Samuel 1.15, Salmos 34.2 e diversos pontos em Salmos 103,104,105 e 145
Ame o Senhor teu Deus de todo teu entendimento
Sem desprezar ou esquecer sua Palavra, fazendo dela, todos os dias e em todos os momentos, norteadora da tua própria vida.
Vide: Salmo 1.1, Salmo 119.11-14, Rm 12.2, Jo 14.21
Ame o Senhor teu Deus de todas as tuas forças
Com tenacidade, em qualquer situação, sob qualquer custo, ame-o sempre.
Vide: Jó 19.25-27, Hc 3.17 e 18; Hb 12.3 e 4
Resume-se aí a conduta, os sentimentos, a razão e a resistência do amor que Deus espera de nós. Amor que não se apresenta sob o hábito da religião ou sob regras humanas de comportamento; amor que admira, que exalta e se alegra em gratidão; amor que se aproxima, que conhece, que entende e busca aperfeiçoamento; amor que resiste intempéries, mentiras e insegurança e triunfa sobre todos os sofrimentos.
Não nos iludamos: Deus não se deixa enganar. Não há como tratá-lo com hipocrisia. Se nele cremos, relacionemo-nos pois com ele amando-o como também gostamos de ser amados.
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.
Evangelho de Marcos, capítulo 12 verso 30.
Marcelo Belchior - 1/11/2006
quinta-feira, setembro 21, 2006
Deus é biologia – Jesus é história
Quando damos ouvidos a estas palavras temos a convicção de que não somente existe um Deus como também este Deus está profundamente interessado em sua criação e que, por nutrir por nós um grande amor, enviou Jesus para que por meio do seu sacrifício tenhamos religação com ele. A história da humanidade admite Cristo, e a Palavra, unida ao testemunho da Igreja, afirma que este mesmo Jesus ressuscitou e vivo está, e vem mais uma vez entre os homens para buscar aqueles que nele esperam e confiam, que creem que ele é não um guru ou simplesmente um sábio filósofo judeu, mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo(4), a fim de que os salvos estejam eternamente com ele. É por meio de registros históricos que Cristo continuamente nos diz: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Apocalipse 3.20 Somos, portanto, profundamente racionais ao crer em Deus e em nosso salvador, seu Filho Jesus Cristo.
Você está convidado à uma reflexão livre de conceitos pré-estabelecidos e culturalmente herdados. (1) Wikipedia.org (2) Gênesis 1.1 (3) João 3.16 (4) João 1.29 Marcelo Belchior 09.06
terça-feira, setembro 12, 2006
"Que tenho eu contigo, Jesus,
Filho do Deus altíssimo?"
Explico: é comum entre os cristãos crer que, ao encontrar-se com Deus no Paraíso, ninguém mais lembrará de coisa alguma. Nem de fatos, nem de pessoas.
Fantasio este Céu de desmemoriados: não há, obviamente, tristezas nem dores pelos entes queridos que não creram no único Mediador e Salvador ofertado por Deus. Não há pranto por aqueles irmãos que não se mantiveram firmes em seus propósitos com Cristo. Não há lembranças de nossas gafes teológicas, multiplas denominações e doutrinas estapafúrdias. Neste Céu, também não lembramos mais das hierarquias sociais, religiosas e familiares, e somos todos, igualmente, filhos de Deus, pois Jesus, seu poderoso Filho, nos salvou. Só não sabemos exatamente do que.
No Céu dos desmemoriados não haverá a alegria da salvação, o júbilo de vitória, os abraços apertados dos irmãos que, em Cristo, venceram o pecado e a morte e alegremente ceiam com seu Senhor na glória. Nada de lágrimas de felicidade ao encontrar velhos irmãos e entes amados que antes morreram. Neste Paraíso não vai haver aquele sonhado abraço e aquele beijo tão esperado no rosto do Senhor Jesus, seguido do nosso "muito obrigado" por tão grande salvação ofertada. Nada de dores, nada de traumas, nada de saudades, mas também, nada de gratidão.
Assim, o Paraíso ficará mais pobre, mas estaremos livres de chorar por aqueles que rejeitaram o Filho do Deus altíssimo e seu magnífico sangue derramado como prova de um amor que ninguém jamais sentirá por nós. Neste Céu, preferiremos não saber quem exatamente Cristo é, para, na verdade, somente não sofrermos por aqueles que, muito menos que ele, nos amaram.
Marcelo Belchior 09.06
segunda-feira, setembro 04, 2006
Me ajude, Supernanny!

Original da matéria: http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_54983.asp
Parece engraçadinho ouvir isto de pais desorientados, nas tardes de domingo do SBT. Mas não é.
Supernanny é um dos retratos mais tristes da moderna educação de filhos.
Pais que não impõe limites às crianças, não imporão aos adolescentes.
As 3 meninas que estavam no carro da foto acima tinham entre 16 e 17 anos. Eram 5:40 da manhã.
Quiçá uma educação à moda antiga não teria
poupado-lhes a vida?
segunda-feira, agosto 28, 2006
“Vejo flores em você”
quinta-feira, agosto 10, 2006
Quanto custa, Deus?
"Porque, se há prontidão de vontade, é aceitável segundo o que alguém tem, e não segundo o que não tem. Pois digo isto não para que haja alívio para outros e aperto para vós, mas para que haja igualdade, suprindo, neste tempo presente, na vossa abundância, a falta dos outros, para que também a abundância deles venha a suprir a vossa falta, e assim haja igualdade, como está escrito: Ao que muito colheu, não sobrou; e ao que pouco colheu, não faltou." II Cor 8.12-15 Marcelo Belchior – 08.2006
sexta-feira, junho 23, 2006
Falta o segador
quarta-feira, abril 12, 2006
Eu nasci para morrer
“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. II Cor 5.14 e 15 Marcelo Belchior – 12/04/06
sexta-feira, março 24, 2006
Como eu amo a tua lei!
Aconteceu num feriado. O sol já caminhava na metade do seu percurso quando preguiçosamente resolvi sair da cama. Sem coragem de tomar um ônibus para ir à praia, optei ficar em casa e ler. Fui até a estante, sempre abarrotada e sempre empoeirada, querendo um livro que me servisse de companhia naquele dia, que eu supunha sem importância. A Bíblia de capa preta se sobressaiu; parecia pedir-me que a escolhesse.
Eu já tentara ler a Bíblia, mas nunca consegui atravessar seu quarto livro, Números. Aquelas estatísticas intermináveis me faziam cochilar. Hesitei, mas parecia que duas mãos se estendiam do dorso, suplicando que eu a pegasse. Aquiesci e elegi o tomo negro. Adolescente, eu não cogitava grandes mudanças de vida. Ledo engano: depois daquele dia jamais seria o mesmo.
Deitei-me e comecei a folheá-la; lembrei que meus amigos crentes haviam me aconselhado a ler o Novo Testamento. Abri em Mateus e em poucos minutos cheguei ao Sermão do Monte. Cada versículo alongava-se das páginas como um punhal, lacerando minha alma. As verdades proferidas pelos lábios de Jesus me encurralaram. Mateus 7.13-14 levou-me a nocaute: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. Assim, no começo da tarde, com a porta trancada, ajoelhado e resoluto, assumi um compromisso de seguir a Jesus Cristo por essa vereda estreita.
Desde aqueles verdes anos procurei referenciar minha vida neste livro magnífico. Tentei estudá-la; meditei em seus versículos em minhas horas tranqüilas; fiz palestras e sermões em suas verdades. Mas sinto que ainda não consegui chegar às margens da profundidade do conhecimento e sabedoria da Palavra de Deus. Quanto mais me detenho em seus ensinos, maior é meu espanto, meu maravilhamento.
A Bíblia é uma coletânea de livros com a história de pessoas, famílias, nações e, sobretudo, a linhagem do Messias. Fascinam-me os relatos milenares do comportamento humano nas crônicas, a sabedoria popular dos provérbios, a indignação dos profetas, as orações dos Salmos e a sistematização de verdades eternas das epístolas.
Alguns detalhes da Bíblia me deixam admirado. Ela nunca foi homogeneizada pelo poder eclesiástico. As histórias de seus heróis não foram retocadas. Assim, sabe-se que o patriarca Abraão mentiu e agiu impensadamente em diversas ocasiões; que Moisés, o homem mais manso que o mundo conheceu, irou-se; que Davi, o mais amado rei em Israel, adulterou e ainda tramou o assassinato de um soldado leal. A Bíblia não mascara que a igreja primitiva teve de aprender a conviver com pontos de vista distintos — Pedro e Paulo travaram debates ríspidos sobre usos e costumes; as igrejas plantadas no primeiro esforço missionário tinham idiossincrasias seriíssimas — a igreja de Corinto chegou a vulgarizar o sacramento da Eucaristia.
Ao contrário de outros livros sagrados, a Bíblia não alega ter sido ditada ou psicografada. Em 2 Pedro 1.21, o apóstolo reconhece que sua origem é divina, mas respeita a singularidade dos autores: “Pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo”. O conceito teológico para sua “inspiração” significa que Deus respeitou a liberdade e as ambigüidades humanas, permitindo até possíveis contradições dos relatos históricos. Diante de circunstâncias diversas, os autores demonstraram que a revelação das verdades eternas podia se dar dentro de contextos geográficos, sociais e culturais distintos.
Contudo, a maior grandeza da Bíblia vem da encarnação. A chegada do Messias, seu breve tempo de vida na terra, seu curtíssimo ministério fazendo o bem e anunciando a chegada do reino de Deus, sua morte e ressurreição, constituem-se na mais alvissareira notícia já impressa. Até Jesus Cristo vir, Deus resumia-se a uma especulação filosófica ou religiosa. Os gregos afirmavam que, assim como um pássaro não pode voar até o infinito, os seres humanos, mortais, jamais poderiam alcançar a divindade eterna. No cristianismo, Deus fez o caminho inverso. “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). A singularidade da Bíblia vem da encarnação de Jesus. O filho de Maria fez Deus conhecido da humanidade. Paulo ressalta essa verdade em sua carta aos colossenses (Cl 2.9): “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.
Em João 14.8-9, Felipe pediu a Jesus o que toda a humanidade mais deseja: uma revelação completa de Deus: “‘Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta’. Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: Mostra-nos o Pai’?”
Todas as vezes que ouço a Bíblia sendo exposta, sei que suas verdades brilharão como feixes de luz, guiando o viajante pelas tortuosas estradas da vida, pois o Salmo 119.105 afirma: “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho”. Quando encontro alguém arqueado de culpa, gosto de recomendar o Evangelho de João. Qualquer um pode se colocar no diálogo entre Jesus e uma mulher prestes a ser apedrejada: “‘Mulher, onde estão eles [os seus acusadores]? Ninguém a condenou?’ ‘Ninguém, Senhor’, disse ela. Declarou Jesus: ‘Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado’” (Jo 8.10-11).
Passados milênios desde que a Bíblia Sagrada foi escrita, estudiosos se revezam tentando analisá-la, mas ela permanece um mistério. E diante do mistério reconhece-se a limitação humana. Razão e método não abrangem todo o “conselho de Deus”. Por isso, Paulo afirmou em Romanos 11.33-36: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém”.
Neste mundo sedento de esperança, a Bíblia pode tornar-se um manancial de vida, desde que volte a ser o livro de cabeceira que alimenta a vida devocional e o alicerce dos princípios que nortearão as decisões do dia-a-dia.
Soli Deo Gloria.
Original do site: www.ricardogondim.com.br
quinta-feira, março 02, 2006
Terra seca
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Evangelho engomadinho

Foto: Sélio Morais
Num já distante fim de semana, me colocaram de surpresa dentro de uma rádio comunitária localizada em Japeri – uma distância sem fim, aqui, no estado do Rio –, que tem alcance de frequência em vários outros pequenos municípios vizinhos. Seu "estúdio" minúsculo e muito quente mal comporta duas pessoas, e as precárias instalações me fizeram congeminar se alguém ouvia o que saia daquele único e mal conservado microfone. Iniciado o programa da tarde, me impuseram o atendimento aos telefonemas. Penso que ao todo foram doze, um número nada mal para um empreendimento desse porte.
Atender àquelas ligações transformou-se em uma janela para um mundo que comodamente ignoro, de gente cheia de marcas, dores e quase nenhuma esperança. Vi, ao largo, uma existência muito abaixo da minha. Crianças que não precisam de segurança para brincar nas ruas, até porque elas não existem, mas para dormir em paz sem serem tomadas à força por aqueles que deveriam dar-lhes amor, aconchego e rumo. Nesse mundo, frequentemente o homem da casa não volta mais. “Foi atrás de uma vadia”. Se voltar, estará bêbado e agredirá mulher e filhos; as meninas engravidam aos 12 anos e estão apaixonadas pelos “heróis” da área; as mães retornam de um dia de trabalho muitas vezes sem nada ter a oferecer aos filhos; os guarda-roupas de pedaços velhos de compensado não guardam mais do que trapos e sapatos velhos obtidos em campanhas de doação. Famílias que nunca foram estruturadas. Crianças que nunca tiveram lápis e caderno à mão.
Nessa janela me debrucei e vi que meu evangelho não conhece e não alcança essa gente. Não inclui iletrados, idólatras, ignorantes, marginais ou presidiários porque é arrogante, hedonista e egoísta demais para isso. Meu evangelho não ora com a mãe do traficante para que ele se lembre do caminho em que foi instruído e se arrependa, mas, sim, para que o corrompido Estado se erga e me ofereça mais segurança para que eu ande com os vidros do meu carro abertos sem que o filho dela me incomode.
Meu evangelho alimenta-se de Bíblias caras, em várias traduções e versões; consome vorazmente cds importados de um mercado fonográfico bilionário, dvds de “achoração”, autores internacionais, suas coleções e estudos teológicos cheios de imperativos de prosperidade e conquistas. Ele é nobre, é cabeça, ocupa cargos públicos e eletivos, multiplica meus dízimos e ofertas por 30, 60 e até 100 vezes. Dá casa própria e carro do ano, compra terrenos e constrói mega templos, compra rádios e horários na televisão.
Meu evangelho está podre de rico, cheio de teologias e doutrinas, e esqueceu-se dos pequeninos, do próximo, da viúva, do aflito, do desamparado, do faminto, do injustiçado e do encarcerado. Esqueceu-se do Senhor, e precisa, desesperadamente, unir-se aos telefonemas que atendi e também clamar por socorro e misericórdia.
"Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Apocalipse 3.17-18
Marcelo Belchior 01.06
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Presunção Gospel
quinta-feira, dezembro 15, 2005
A idade, a acuidade e o deboche
Eu - Hum? Não é mosquito não, filho. É sujeira.
Lael - Pai!
Eu - Que é?
Lael - A sujeira voou.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
"Amigo, a que vieste?"
A ele foi confiado o dinheiro que mantinha o ministério de Jesus – e desfaçamo-nos do comum engano: Jesus não era pobrezinho e seu ministério não custou barato. Judas lidava com boas quantias e o amor ao dinheiro foi seu tropeço. Os pequenos furtos às reservas ministeriais tornaram-se insuficientes e as falhas tornaram-se traição. A ganância o consumiu e tragou sua fidelidade.
Foi amigo mesmo, e dando-se conta do mal que cometera não resistiu e enforcou-se, cometendo aí seu maior e verdadeiro erro: entregar-se ao remorso em vez de buscar o legítimo arrependimento. Em poucos dias, havendo o amigo ressuscitado, teria alcançado o perdão que, entretanto, somente Pedro recebeu.
Muito cedo ensinaram-me óbvia mas importante lição de vida: só os que lhe são caros são capazes de ferir sua alma. Inimigos não decepcionam e não traem, fazem apenas aquilo que deles esperamos. São as pessoas que amamos que nos machucam, nos ferem e nos fazem chorar dolorosamente. São os amados que nos dão ou tiram o prazer e o desejo pela vida.
O outro é sempre um imprevisto, e isso torna caro cada minuto investido num relacionamento. Todo passo dado na mesma direção ata vidas por meio da cumplicidade, do alvo mútuo e da partilha das conquistas. Cada instante dividido faz a alma ceder espaços até o ponto de misturar as personalidades, os gestos, pensamentos e convicções. É por todas estas razões que não há relacionamentos sem dores. Se "amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito", qualquer disfunção não sanada mata. Sua feridas sangram até morte ou cicatrizam-se pela reconciliação –um bálsamo exclusivo do arrependimento e do perdão.
Do arrependimento porque este clama incessantemente pelo perdão e torna viável a aceitação daquele que falhou; oferece à cicatrização a confissão e abandono do erro, distinguindo-se sobremaneira do remorso, que gera vergonha, fuga e tormento, anestesia as emoções, impossibilita o choro e não impede a reincidência. Arrependimento é a semente que gera vida onde, sob quaisquer outros aspectos, só haveria possibilidade de morte.
Do perdão porque este é a capacidade sobre-humana do amor de não considerar o dano em prol da reintegração, reinserção e reatamento. É o ensino de Cristo registrado em Lucas 6.29: desconsiderar a ofensa a ponto de pôr-se em risco de sofrê-la outra vez. Diante de um legítimo arrependimento, perdoar não é uma opção, mas um mandamento que nos aproxima de Deus e nos viabiliza também seu próprio perdão.
A reconciliação é, desse modo, o fruto natural do arrependimento que encontra o perdão. É o milagre que faz o cristal, outrora quebrado, novamente íntegro, que zera dívidas, apaga mágoas e lança os erros no mais distante passado. É ela que veste com a melhor roupa, põe o anel no dedo e as sandálias nos pés.
Amigo, te agradeço por me conduzir ao arrependimento e me ofertar, todas as manhãs, o teu grande perdão. Irmãos, me amem e sejam pacientes comigo. Eu preciso de vocês.
"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas". Mateus 6.12-15
Marcelo Belchior - 12.2005
quinta-feira, novembro 24, 2005
Sermão do seminarista
No domingo seguinte aplicou a sugestão e sentiu-se tão bem, que poderia falar alto até no meio de uma tempestade, de tão feliz e descontraído que se encontrava.
Depois de regressar ao gabinete pastoral não encontrou mais o pastor, somente uma nota do pastor dizendo-lhe:
Prezado seminarista...
Seguem algumas observações:
Na próxima vez, coloque gotas de vodka na água e não
gotas de água na vodka;
Não coloque limão pendurado no copo;
O pano que cobre o teclado não deve ser usado
como guardanapo;
Existem 10 Mandamentos e não 12;
Existiram 12 Apóstolos e não 10;
Judas traiu Jesus, não o "sacaneou";
Jesus foi crucificado, não enforcado, e Tiradentes não tem nada a ver com essa história;
O pão da ceia não é chiclete, portanto evite
tentar fazer bolas;
Evite apoiar-se no púlpito, mais ainda abraçá-lo;
A iniciativa de chamar o público para cantar foi louvável, mas fazer trenzinho e correr pela igreja foi demais;
A água que lhe foi servida era para beber e não para refrescar a nuca;
Nunca ore sentado na escada do altar; muito menos com o pé sobre a Bíblia Sagrada;
O pão da ceia deveria ser distribuído para o povo, jamais usado como aperitivo para acompanhar o vinho;
Evite desabotoar a camisa durante o sermão;
Jesus nasceu em Belém, mas isto não significa que ele
seja paraense;
Quem peca é um pecador; não um safado;
Pecador vai para o inferno; e não para onde você mandou.
Pelas 2 horas e 45 minutos do sermão que acompanhei,
notei essas falhas.
Espero que as tais sejam corrigidas já para o
próximo domingo.
Atenciosamente,
Seu pastor
Ah! Já ia esquecendo: Aquela mulher sentada na primeira fila a quem você se referiu como travecão de vestido,
é minha esposa.
Original do site: www.ejesus.com.br
sexta-feira, outubro 21, 2005
Jesus, o Messias de Jerusalém
e do Homem
Livres alegorias feitas sobre os últimos dias de Jesus em Jerusalém. Mateus, a partir do capítulo 21; Marcos, a partir do capítulo 11 verso 15; Lucas, a partir capítulo 19 verso 28; João capítulo 2 versos 13 a 25 e a partir do capítulo 17; e Atos capítulo 1 versos de 1 a 11 Marcelo Belchior – Março 2004
sexta-feira, outubro 14, 2005
O chip é a marca da burrice
Instalou-se na internet novo frenesi insano: O chip da besta.
Sinceramente, crente já é uma figura difícil de aturar. Crente burro então ninguém merece.
Os beatos descerebrados estão se borrando de medo que suas operadoras de cartão de crédito os levem paras profundas do inferno.
Referência bíblica - Apocalipse 13.17 (Ignore o contexto e adira agora mesmo à onda do momento)
Referência web: Tabernaculonet :: Picarelli :: Netpar
Preciso dizer que te amo
terça-feira, outubro 11, 2005
Odeio odiar
Em mim, o único sentimento que surge é: que morra! Deus não tem prazer na morte do ímpio? Eu também não. Nem prazer, nem desprazer. Completa indiferença.
Não quer crer em Deus, seu amor, seu poder, sua justiça, seu reino? Não creia! Dane-se! Morra!
O príncipe deste século lhes cegou o entendimento? É verdade, mas alguns além de cegos fazem questão de mostrarem-se seus filhos.
Esse sentimento gera espanto entre meus pares – Falta de amor cristão da minha parte. Queridos, não é falta de amor. É muito pior que isso: é inveja. Inveja de Finéias. Quem sabe um dia Deus me cura?
quarta-feira, outubro 05, 2005
Não é pecado, não é pecado!...
Tive a má sorte de assistir, nesse último sábado (1/10), o último capítulo da novela de Miguel Falabella. Não sou tevente de canais abertos.
Neste capítulo, a personagem de Patrycia Travassos tentando ajudar um casal gay, contou uma estorinha na qual um gay chegava no Céu e encontrava seus colegas comemorando o fato de lá estarem, descobrindo que não havia pecado algum em seus desejos homossexuais, e gritavam felizes numa nuvenzinha colorida: "não é pecado, não é pecado!".
Não sou homofóbico e, indo contra a opinião corrente no meio cristão, sou favorável à legalidade da união homossexual, mas cada coisa deve ter e estar no seu devido lugar.
Não podemos oprimir o pecador e retaliar seus direitos civis, transferindo para o Estado a obrigação exclusiva da igreja de combater o pecado. A igreja imperial amancebou-se do poder público e lá vai a igreja pós-moderna cometendo o mesmo desatino. Queremos catequizar o Estado, mas quando ele imiscuir-se em nossas doutrinas, gritaremos que deve ser laico. Creio que a igreja é mesmo o órgão competente para mudar esse país, mas não por meios legislativos. Não foi esse o exemplo que Cristo nos deixou.
Por outro lado, a insistência em afirmar que a conduta homossexual não é pecado me irrita deveras. Se o indivíduo deseja permanecer no homossexualismo deve abrir mão dos ideais de Deus e seu Reino. Não se pode absorver uma doutrina em parte. Se compreendo que Deus existe e quer se relacionar com o homem, devo também compreender que nomina-se pecado tudo que o desagrada, tudo que lhe é abominável, e por conseguinte não habitarão com ele aqueles que vivem na prática do pecado.
Se o indivíduo quer levar sua vida no homossexualismo que o faça, mas desista das ideias de deus, pecado, céu e inferno. “Dois proveitos não cabem num saco só”. Se Deus não existisse, eu mesmo faria muitas coisas que gostaria. Não faço porque entendo que agradar a Deus e obedecê-lo é mais importante que me satisfazer. Entendemos que Deus ama o pecador, mas não aceita sua conduta pecadora e que, com ele, no fim dos dias, só vão estar aqueles que crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências (Gálatas 5.24).
Marcelo Belchior 10.05
terça-feira, setembro 20, 2005
Você é muito doido, mermão!
"Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. [...] Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que creem. Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens." ICo. 1.18 a 25. Marcelo Belchior – 1999
sexta-feira, setembro 16, 2005
Johnny, Johnny, esta noite, Johnny, pedirão tua alma*
Foto: Osvaldo Praddo – Ag. O Dia
Imagino que, tal qual o rico fazendeiro da parábola
(Lucas 12.16-20), Pedro Dom também pensou que veria mais manhãs, mais dias, e teria outras chances mais. Pedro pensou que dava para fugir mais uma vez, pensou que dava para se entregar amanhã, mas a morte chegou hoje. "Pobre Johnny, nem sabe que tem uma alma"*.
Quantas manhãs e chances de corrigir o mal eu e você, leitor, ainda teremos?
* Trechos da música Extra do Katsbarnea
quarta-feira, setembro 14, 2005
Ele é o que há de novo e a resposta à minha sede
Dr. Almeida nunca viu Deus
Eduardo Almeida Castelo nasceu num bairro de classe média do Rio de Janeiro. Durante sua infância, foi naturalmente cercado do amor e dos cuidados de toda sua família, uma vez que era o primeiro filho, neto e sobrinho. Naquele momento, seus pais e avós estavam em plena ascensão financeira explorando o mercado de transporte de cargas industriais.
Eduardo tinha pouco mais de cinco anos de idade quando sua família mudou-se para o melhor bairro da cidade – o sonho de sua mãe. Era o começo de um novo momento na família e iriam finalmente desfrutar de quase treze anos ininterruptos de trabalho. Ela realizou-se decorando com o que havia de mais caro seu primeiro imóvel próprio. Havia traçado, então, muitas metas para si mesma, seu filho e seu admirado marido; mas morreu vítima de um acidente de automóvel naquele mesmo ano. Na época, Eduardo chegou a ver sua mãe cheia de tubos e fios numa cama de hospital quando o deixaram visitá-la "só para dar um beijinho na mamãe" sob a promessa de que ela iria ficar boa já, já. Ele falou seriamente com Deus pela primeira vez: "querido papai do céu, faz a mamãe ficar boa e voltar logo pra casa".
Não o levaram ao funeral, e apenas lhe disseram que ela foi para uma viagem muito longa, que não voltaria mais, mas que ela o amava muito. Frases que não evitaram as noites de choro e pesadelos durante toda a infância. Seu pai nunca se recuperou emocionalmente e não lhe serviu de efetivo apoio quando mais precisou.
Eduardo cresceu e foi sempre um aluno dedicado. Brilhantemente cursou os anos de medicina, optando pela neurocirurgia – o que ainda lhe custou intermináveis especializações. Tal dedicação, contudo, não o impediu de conquistar o coração de uma mulher e formar uma família. À sua filhinha deu o nome de sua mãe – talvez, inconscientemente suprisse assim a necessidade de poder referir-se novamente àquele nome e dizer as mágicas palavras "eu te amo!".
Sua mulher e filha curaram-lhe as feridas e era, enfim, um homem feliz, que diligentemente procurava inventar tempo para estar com as duas mulheres mais lindas do mundo. Não queria, mesmo tendo optado por tal profissão, cometer o erro de ser um pai e marido distante.
Dr. Almeida era íntegro, correto, de caráter inquestionável, admirado por seus colegas e funcionários, um médico reconhecido e respeitado em sua especialização. Ocorreu certa vez de um homem com poucas condições financeiras buscar desesperadamente sua ajuda: “Dr. Almeida, ouvi que o senhor é um excelente cirurgião e um bom homem. O único nesta cidade com chances reais de me ajudar”. Ele desejava que Eduardo operasse sua esposa, atormentada um tumor no cérebro, com poucas chances de sobrevivência, nenhum tempo para filas de espera e, lamentavelmente, nenhum seguro de saúde. “Dr. Almeida, eu pagarei em parcelas. Parcelado e continuamente, dou minha palavra que pagarei. Ela é tudo que eu tenho nessa vida. Ajude-me, por favor!” Eduardo pensou em precedentes apenas. Foi duro e inflexível: “lamento, senhor, aqui não podemos ajudá-lo”. Um bom hospital, um médico renomado, tratamento adequado, equipamentos e procedimentos que curam e devolvem a vida têm preço. E muito alto.
A respeito de Deus, que, na concepção do seu coração, não quis atender sua oração infantil, Dr. Eduardo Almeida ouviu falar pouquíssimas vezes. Em seu profundo ressentimento com este ente, jamais permitiu que alguém lhe mencionassem o nome ou sequer a existência de um Criador. Seguia seguro de que a vida seria um caminho estável se seus passos fossem retos. E de fato venceu na vida.
A existência, no entanto, parece tender, mais do que o comum, a requintes de crueldade quanto a alguns homens: numa tarde de outono, dois homens invadiram a cobertura do Dr. Eduardo Almeida. Delatados, foram cercados e fizeram reféns sua mulher e filha. Com violência desmedida, exigiam um carro para a fuga, ameaçando lá de cima jogar a menina pelo parapeito. Durante toda tarde, o principal alvo da dupla foi a filha de Eduardo. Selvagens. Causaram repúdio em cada policial. Na fuga, trocaram tiros com a polícia, e uma das balas perfurou os corpos das duas reféns, levando-as ao óbito.
Eduardo tentou refúgio no trabalho, mas, continuamente atormentado por sua dores, acabou cometendo erros em campos diversos que geraram processos. Livrou-se várias vezes da condenação, mas seu nome foi manchado e seu brio foi ferido. Inexplicável. Dor imensurável. Falou seriamente com Deus pela segunda vez: “o que eu te fiz, seu maluco? Que ódio é esse que você nutre por mim?”. A vida lentamente foi perdendo o sentido e o rumo. A lucidez tornou-se uma cela de tortura. Passou a embriagar-se frequentemente, até que cansou de odiar Deus, baixou as armas e falou com ele pela última vez: “se você existe mesmo, me ajuda. Mate-me também”.
Num domingo já distante de hoje, completamente embriagado, ao seu modo rendeu-se – prometo que esta noite entro na primeira igreja que vir. E assim o fez. Ajeitou-se e sentou no último banco de uma bela igreja. Achou estranho as músicas que ouviu, não entendendo absolutamente nada a respeito do que diziam aquelas letras. O Pastor entrou, tomou o microfone e saudou a igreja, e Eduardo pensou naquele instante que, se Deus existe realmente, iria finalmente conhecê-lo. Durante muitos minutos o pastor falou sobre como Deus se alegra e abençoa aquele que dá o que tem: “irmão, Deus tem muito para te dar, mas primeiro você deve dar a ele!”, e esbravejava versículos e mais versículos para respaldar sua fala... Dr. Almeida já não estava mais escutando. Passou a observar as imagens de tudo que estava à sua volta e notou o quão bonita era aquela espécie de sala de cirurgia. Pensou que talvez os equipamentos e o tratamento fossem excelentes, e que o habilidoso médico possivelmente existisse mesmo e fosse suficientemente competente para curá-lo, livrá-lo daquela dor e restituir-lhe a vida. O recepcionista que estava no púlpito, no entanto, insistia no pagamento de uma espécie de plano de saúde, senão, nada de cura. Tão vazio quanto entrou, retirou-se após pôr uma oferta num pequeno envelope.
Dr. Eduardo Almeida Castelo morreu recentemente. Viveu seus últimos dias
torturado por sua dor e dureza, sem nunca ver Deus. Seus únicos minutos de
rendição foram desperdiçados num domingo de arrecadação de verbas. Morreu sem
saber que o amor que cura todas as feridas, que o perdão que nos compra a
salvação, a eternidade e paz que excede todo o entendimento são dons inteiramente
gratuitos de Deus, que é vivo e verdadeiro.
"... A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta
é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se, com a tua boca, confessares ao
Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás
salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz
confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer
não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego, porque um
mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo
aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele
de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?" Carta do apóstolo Paulo aos Romanos, cap. 10
versos 8 a 13.
Dr. Almeida é uma ficção. A omissão do verdadeiro Evangelho que inspirou este
conto numa noite de domingo de 2003 é, infelizmente, uma realidade cada vez
mais constante hoje nas igrejas evangélicas.
Marcelo Belchior
